O CEO do Fortaleza, Pedro Martins, concedeu entrevista exclusiva ao Jogada nesta sexta-feira (3). Na conversa, o dirigente expôs o cenário financeiro do clube, falou sobre a dívida de cerca de R$ 300 milhões, defendeu a venda do mando de campo contra o Palmeiras e também comentou a saída de Brítez e o planejamento do elenco.
Ao longo da entrevista, o dirigente detalhou o planejamento do Fortaleza para a sequência da temporada e respondeu sobre temas que movimentam os bastidores do clube, incluindo decisões financeiras e movimentações no elenco.
Por que Brítez saiu do Fortaleza?
Ao comentar a saída de Brítez, Pedro Martins afirmou que a decisão foi tomada para preservar o ambiente interno do Fortaleza. Segundo o CEO, a situação se tornou insustentável.
“Quando o Brítez colocou uma condição diferente da estabelecida para o grupo, deixamos claro que não haveria tratamento diferente. Ele se indignou e a relação ficou insustentável”, disse.
Nos bastidores, o jogador teria se incomodado com valores de luvas em atraso e chegou a ameaçar não viajar para a partida contra o Atlético-GO. A diretoria agiu rapidamente para evitar que o episódio afetasse o ambiente do elenco.
O executivo reforçou a postura da gestão. “Se for para escolher entre um atleta e o grupo, eu vou escolher o grupo. Quem ganha campeonato é equipe”, completou.
Fortaleza busca zagueiro e centroavante
Martins confirmou que o Tricolor trabalha para reforçar o elenco, mas destacou que o processo será equilibrado. Segundo ele, saídas e chegadas precisam caminhar juntas para manter o planejamento financeiro.
O dirigente garantiu a chegada de um zagueiro e de um centroavante, mas negou qualquer relação com insatisfação em relação a Miritello.
“Eu preciso pagar salário em dia. Então, as saídas precisam estar equilibradas com as chegadas. Essa vai ser a nossa atuação. O clube está atrás de um centroavante, não é segredo pra ninguém. E não é porque estamos insatisfeitos com o Miritello. É porque acreditamos na disputa saudável. Isso melhora o elenco”, afirmou.
Fortaleza x Palmeiras: por que o jogo pode ser fora do Castelão
O Fortaleza deve mandar a partida contra o Palmeiras, pela Copa do Brasil, na Arena Pantanal, em Cuiabá. A ausência de um patrocinador master e a queda de receitas com jogos no Castelão aumentam a possibilidade da mudança.
“Foi uma decisão amplamente discutida dentro do clube. Sabíamos que haveria críticas, mas entre levar críticas e manter o clube financeiramente organizado, eu prefiro tomar a decisão que seja melhor para o Fortaleza. Não existe outro caminho”, destacou.
Segundo o executivo, o valor da operação gira em torno de R$ 2 milhões e ajuda a recompor parte da perda de receitas.
“Essa decisão já está praticamente encaminhada. Ainda depende de aprovação da CBF e de trâmites burocráticos, mas o valor representa cerca de um mês do antigo patrocínio master. Estamos sem essa receita e sem renda de jogo, então precisamos buscar alternativas”, completou.
Dívida do Fortaleza chega a R$ 300 milhões
Pela primeira vez, o valor da dívida do clube foi revelado. De acordo com o CEO, o Fortaleza acumula cerca de R$ 300 milhões em débitos e, caso não haja rigor nas decisões financeiras, esse montante pode dobrar. Ele destacou ainda que o clube não trabalha com política de super salários e que a gestão não pretende aumentar a folha salarial.
Pedro Martins ressaltou a necessidade de controle rigoroso de gastos para preservar a sustentabilidade do projeto a longo prazo, diante do cenário financeiro e das decisões de mercado.