Conheça a história do cearense que teve a missão de proteger a taça do penta do Brasil em 2002

Maurício Júnior relembra dia em que segurou a taça do penta e revive foto de 24 anos atrás

Escrito por Crisneive Silveira crisneive.silveira@svm.com.br
18 de Julho de 2026 - 08:00 (Atualizado às 08:17)
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Legenda: Maurício Júnior, ex-segurança, durante tour da taça da Copa do Mundo.
Foto: Arquivo Pessoal

Debaixo da poeira do tempo, muitas memórias. Reviver momentos felizes fez Maurício Júnior, apaixonado por futebol, mostrar uma foto guardada há 24 anos, quando a Seleção Brasileira foi pentacampeã mundial. Na ocasião, a Canarinho visitou Fortaleza num amistoso diante do Paraguai, que contou também com exposição da taça. A imagem traz um torcedor contente pelo Brasil e pela oportunidade de proteger e segurar o troféu dos campeões. O registro do momento repercutiu nas redes sociais este ano.

Vigilante numa empresa de segurança entre 2000 e 2010, o cearense estava na equipe que fez a segurança do modelo Troféu dos Campeões. A peça é dada pela Fifa para as seleções levarem consigo após a conquista. Ela é em bronze banhado a ouro e tem as mesmas dimensões da original. O modelo oficial é em ouro maciço de 18 quilates e pesa pouco mais de 6kg. Ele fica em Zurique, na sede da Fifa, na Suíça, e só é utilizado na cerimônia de entrega da grande final.

Maurício mostra orgulhoso a taça do penta do Brasil
Legenda: Maurício mostra orgulhoso a taça do penta do Brasil
Foto: Arquivo Pessoal

“Acho que fui escolhido para guardá-la porque eu era o mais maluco por futebol na empresa. Acho que eles pensaram: “O Maurício dá até a vida por essa taça. Vamos colocar ele!”, afirmou o ex-vigilante, que atualmente trabalha como taxista.

Fortaleza recebeu o Tour da Taça logo após o título do Brasil em 2002.
Legenda: Fortaleza recebeu o Tour da Taça logo após o título do Brasil em 2002.
Foto: Cid Barbosa/Diário do Nordeste

Arte: Louise Dutra/SVM

OPERAÇÃO

Em 2002, quando o Brasil ganhou o Mundial, a CBF decidiu fazer um tour por diversas cidades do país para exibir a taça. Fortaleza foi a primeira a receber a exposição do item, que chegou na madrugada do dia 20 de agosto, no Aeroporto Pinto Martins. O aparato para levar a taça dos campeões contava com carro forte, segurança e apoio da Polícia Federal. Lúcio Sousa comandou a operação no aeroporto cearense.

'Daria a vida por essa taça': cearense recorda missão de proteger o troféu do pentacampeonato
Legenda: 'Daria a vida por essa taça': cearense recorda missão de proteger o troféu do pentacampeonato
Foto: Arquivo Pessoal

“Ao chegar, já foi conduzida ao Iguatemi, onde ficou exposta. Depois, durante a noite, veio para a custódia e dia 21 retornou para a exibição. Depois foi para São Luís. Fui eu que levei ela daqui ao Maranhão”, revelou. 

“Quando a gente recebeu a taça, lembro que ela estava trincada. Mostrei ao Lúcio e perguntei: Já veio quebrada? Ele disse que já estava orientado sobre isso e explicou: “Quebraram em 1978, na Argentina”, pontuou Maurício.

Lúcio Sousa,  ex-chefe de Maurício, durante tour da Taça da Copa do Mundo.
Legenda: Lúcio Sousa, ex-chefe de Maurício, durante tour da Taça da Copa do Mundo.
Foto: Arquivo Pessoal

Arte: Louise Dutra/SVM

REGRA DA FIFA E OS CLIQUES

O troféu original só pode ser tocado por um grupo seleto de pessoas: campeões e ex-campeões do mundo, além de chefes de Estado autorizados pela Fifa. Apesar de não ser a peça original, a taça que veio a Fortaleza é a réplica oficial entregue pela entidade aos campeões do mundo e não deixou de suscitar a curiosidade e mística da regra imposta pela entidade. 

Foi aí que Maurício e Lúcio aproveitaram a oportunidade para registrar a alegria de poder tocar algo com uma simbologia tão valiosa. Um privilégio que os dois tiveram por meio do trabalho. Ninguém lembrou muito da regra. As imagens mostram a dupla feliz ao lado do prêmio da Canarinho. 

“Chegamos na empresa e fizemos a festa com a taça. Quem tirou a foto foi o Lúcio (preposto). Todo mundo tem essa foto. Teve a exposição no Iguatemi, mas a empresa, antes de levar para a exposição, permitiu que a gente tirasse foto. Quem trabalhou lá tem essa foto”, afirmou Maurício.

“Tudo bem que depois todo mundo teve mas, essas assim, avacalhadas, ninguém tinha. Mas foi muito bom. Foi uma das maiores alegrias da minha vida. Pena que não podia extravasar, dizer a ninguém. Acho que depois do nascimento do meu filho e do meu casamento, esse foi um dos dias mais felizes da minha vida”, completou. 

"Sobre não tocá-la, isso é uma lenda. Faz parte do espetáculo! Nos bastidores, é um objeto valioso, mas sem idolatria", reforçou Lúcio. 

Maior campeão do torneio, o Brasil deixou a disputa precocemente este ano, nas oitavas, ao ser eliminado pela Noruega. Assim, está há 24 anos sem erguer novamente a taça. Esse foi o tempo que Maurício esperou para revelar as imagens guardadas com tanto carinho. Em ano de Copa do Mundo, o taxista publicou as fotografias nas redes sociais. 

A Copa é sempre um marco na vida de quem acompanha o esporte. Seja por um jogo, pelo ídolo, por uma vitória sofrida ou uma derrota inexplicável. Para ele, foi o registro ao lado do troféu mais desejado pelos jogadores.

“Se eu tivesse revelado antes, era demitido na hora. Trabalhei lá mais oito anos. E ninguém sabia, foi um segredo nosso. Essas fotos que postei foi quando a gente recebeu. Eram eu e mais três. Mais o Lúcio, que era o preposto, que tirou a foto. Ninguém sabia dessa foto. Mas é muito massa. Um negócio inesquecível”, destacou Maurício.

Maurício Junior com a taça da Copa do Mundo.
Legenda: Maurício Junior com a taça da Copa do Mundo.
Foto: Arquivo Pessoal

Arte: Louise Dutra/SVM

AMISTOSO DA SELEÇÃO

Depois de ser paparicada pelos vigilantes, a taça foi levada para o antigo Castelão. No dia 21 de agosto de 2002, o estádio recebeu um amistoso do Brasil contra o Paraguai. Antes do duelo, o capitão Cafu repetiu o gesto que ficou mundialmente conhecido na comemoração do pentacampeonato, no Mundial disputado na Coreia do Sul e no Japão. A Canarinho foi derrotada por 1 a 0 com gol de Cuevas, naquele que foi o último jogo de Felipão como técnico da onzena nacional. O evento foi registrado pela imprensa na época.

Antes do amistoso contra o Paraguai, Cafu repetiu o gesto da final da Copa do Mundo de 2002, e ergueu a taça na Arena Castelão.
Legenda: Antes do amistoso contra o Paraguai, Cafu repetiu o gesto da final da Copa do Mundo de 2002, e ergueu a taça na Arena Castelão.
Foto: Arquivo Diário do Nordeste

“Quando o Brasil foi penta, nós tínhamos aquela torcida maior ainda para que em 2006 fôssemos campeões novamente para que repetissem todo esse ritual. De lá para cá, não teve mais, mas nós estamos sempre na torcida pela Seleção”, destacou Lúcio.

A maior competição de futebol reúne jogadores de todo o mundo em busca da glória máxima no futebol: conquistar o título e erguer a taça. Em 2026, será a vez de Argentina e Espanha irem em busca de mais um momento histórico na competição. As equipes entram em campo neste domingo, a partir das 16h (de Brasília), para a grande final de 2026.

Antes do amistoso contra o Paraguai, Cafu repetiu o gesto da final da Copa do Mundo de 2002, e ergueu a taça na Arena Castelão.
Legenda: Antes do amistoso contra o Paraguai, Cafu repetiu o gesto da final da Copa do Mundo de 2002, e ergueu a taça na Arena Castelão.
Foto: Arquivo Diário do Nordeste

 

 

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