Se hoje em dia as torcidas de Ceará e Fortaleza rivalizam pra saber quem tem os melhores mosaicos de arquibancada, há três décadas a disputa era outra. Quem tinha a maior bandeira.
Veja a versão de vídeo da reportagem:
Confira a série Baú do Jogada:
- #1 - O dia em que Ceará e Fortaleza se uniram e venceram o Flamengo de Zico
- #2 - O ídolo do Ceará que morreu após passar mal em campo no PV
- #3 - O dia em que o Leão entrou em campo com um leão
- #4 - O ano em que Ceará e Mastruz com Leite formaram um dueto
- #5 - O dia em que Garrincha jogou pelo Fortaleza
- #6 - O jogo em que o Castelão recebeu quase 120 mil pessoas
- #7 - Eu já dei uma figurinha ao craque da Costa Rica numa Copa do Mundo
Disputa das bandeiras
Em 1993, a Cearamor lançou uma bandeira com 600 m2. Em seguida, a Torcida Uniformizada do Fortaleza (TUF) respondeu com um bandeirão com 3.100 m2. A Cearamor não deixou barato.
Começou uma operação pra costurar não apenas a maior bandeira do estado, mas do mundo todo. Até aquela época, os maiores bandeirões pertenciam ao Torino, da Itália, com 4.007 m2, e ao Palmeiras, com 3.200 m2.
Para o projeto, a Cearamor, com apoio da Glória Alvinegra, conseguiu arrecadar 800 milhões de cruzeiros, o equivalente a R$ 400 mil atualmente. Três costureiras trabalharam sem parar durante dois dias, consumindo quase 90 quilômetros de linha.
Parceria com o Exército
A pintura do bandeirão era manual, e pra isso a torcida precisaria de um espaço amplo. O local negociado foi no mínimo curioso.
"Nós tínhamos um amigo que disse: 'Rapaz, eu consigo o 10º GAC, no Bairro de Fátima, lá tem um espaço grande que a gente pode abrir a bandeira'. E foi assim que foi feito. Depois tivemos um probleminha, o coronel disse 'Ei, rapaz, vocês pintaram o chão também'. A gente teve que ir lá passar outra tinta pra deixar tudo limpo", relembra Cláudio Raulino, diretor de Promoções da Cearamor em 1993.
Apropriação do Urubu
A estreia do bandeirão veio no dia 20 de junho de 1993, um Clássico-Rei pelo Campeonato Cearense. A medida da bandeira ficou em 111 por 37,80 metros. Mais precisamente, 4.195,80 m2. O enorme desenho estampado teve um papel estratégico.
"A torcida rival chamava a torcida do Ceará de urubu, e a Cearamor acaba ressignificando o termo urubu através do bandeirão, o maior bandeirão do mundo", reflete o historiador Régis Alves, membro da torcida desde 1992, que está produzindo um livro sobre a organizada.
Um maior que o outro
De lá pra cá, a Cearamor lançou bandeirões cada vez maiores. Um deles obrigou uma mudança de posição da torcida na arquibancada.
"Quando a gente lançou o Gigante Negro 2, foi no Castelão antes da Copa do Mundo de 2014. Como o bandeirão era muito grande, a Cearamor mudou do setor Superior Central para o que é hoje a Superior Norte", explica Weslley Dudu, atual presidente da organizada.
Já em 2025, a torcida inaugurou "O Maior Bandeirão do Brasil", com 24 mil m2. A bandeira ocupa todo o setor Norte do Castelão, cobrindo os aneis superior e inferior, com direito a uma sobra.
Registro necessário
Mas é preciso fazer um registro. Segundo o Castelão, aquela área possui na realidade 8.500 m2. Duas vezes mais que o tamanho do bandeirão pioneiro, e não seis vezes mais.
Outro detalhe é que a maior bandeira do futebol mundial, do Nacional do Uruguai, tem exatamente 24 mil m2 e cobre quase todo o estádio Centenário, que tem 60 mil lugares.
Longe de querer diminuir o gigantismo do bandeirão de 2025, mas sim fazer jus ao bandeirão de 93. Pra aquela época, fato incontestável: um trabalho incrível.
Confira a série Baú do Jogada:
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