Com o aumento do número de casos de mpox, a Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) informou, nesta sexta-feira (6), que a vacina contra a doença já chegou ao Estado e está disponível para dois públicos específicos: pacientes pós-exposição – que tiveram contato com indivíduos suspeitos ou confirmados de mpox - – e pessoas que convivem com HIV/aids.
Já o Ministério da Saúde afirmou que, na quarta-feira (4), enviou 200 doses adicionais para o Ceará. Além disso, novos envios serão realizados conforme a necessidade de cada localidade.
Segundo a Sesa, em nota técnica publicada nesta tarde, o número de casos de mpox confirmados no Ceará subiu para 40. Não houve registro de óbitos e duas pessoas precisaram de internação.
Conforme os dados do governo, os casos se concentram em outubro e novembro: 18 casos confirmados foram notificados em outubro e 17 em novembro, enquanto cinco foram anotados de janeiro a setembro.
"As vacinas já estão no Ceará, na rede de frios da Sesa, e, inclusive, já foram enviadas para o município de Fortaleza, onde há maior concentração dos casos", afirmou Ana Cabral, coordenadora de Vigilância Epidemiológica da Sesa, em entrevista ao Diário do Nordeste.
Ainda conforme a coordenadora, mais recentemente, o Ministério da Saúde disponibilizou aos estados a vacinação para o público pós-exposição, para evitar que esses pacientes que tiveram contato com o vírus adoeçam ou peguem a forma mais grave da doença, além das pessoas que convivem com o vírus HIV, já previstas para receber a imunização.
"É uma vacina que não é de rotina, se o público geral for numa unidade de saúde, ela não estará disponível para toda a população, por ser direcionada a públicos específicos, de acordo com as recomendações do Ministério da Saúde, adotada pelos estados", explica Ana Cabral.
>> Veja a nota técnica da Sesa na íntegra
Ministério da Saúde enviou 200 doses adicionais ao Ceará
O Ministério da Saúde informou que está em contato com as secretarias estaduais e municipais de saúde para apoiar as ações locais e acompanhar o cenário nacional.
A pasta reforçou o envio de 200 doses adicionais para o Ceará e disse que novos envios devem ser feitos conforme a demanda.
"Para reforçar o estoque estratégico nacional de vacinas, o Ministério da Saúde solicitou, na última quarta-feira (4), a aquisição de até 20 mil doses do imunizante contra a mpox por meio do Fundo Rotatório da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), que centraliza as negociações com o laboratório produtor do imunizante", afirmou a Pasta.
Público-alvo da vacina mpox
Seguindo as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) de priorizar a vacinação dos grupos com maior risco de desenvolver formas graves da doença, a recomendação do Ministério da Saúde é vacinar pessoas vivendo com HIV/aids com contagem de linfócitos CD4 inferior a 100 células/mm e inferior a 200 células/mm³, usuários de profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP) e profissionais de laboratório que manipulam amostras de mpox e pessoas com HIV.
Também pode ser vacinada, após avaliação da vigilância, quem teve contato de risco com um caso suspeito ou confirmado.
O Ministério da Saúde orienta que pessoas com sintomas compatíveis com mpox, como lesões ou erupções na pele, devem procurar um serviço de saúde para avaliação. Durante o atendimento, os profissionais investigam possíveis exposições, orientam sobre os cuidados necessários e, quando indicado, realizam a coleta de amostras para diagnóstico laboratorial.
Quem teve contato próximo com pessoas com suspeita ou confirmação da doença também deve procurar um serviço de saúde para avaliação do risco de exposição e receber orientações sobre o monitoramento de sinais e sintomas, como lesões na pele, febre e aumento dos linfonodos.
A vacinação pós-exposição é recomendada preferencialmente nos primeiros quatro dias após o contato. A aplicação também pode ser realizada em até 14 dias. Nesse intervalo, a efetividade para evitar a infecção é menor, mas a imunização pode contribuir para reduzir o risco de evolução para formas graves.
Como se prevenir contra a Mpox?
As medidas de prevenção consistem em evitar contato direto com as lesões de pele e a prática de sexo seguro. A orientação da OMS é que pessoas com suspeita ou confirmação da doença devem cumprir isolamento imediato, não compartilhar objetos e material de uso pessoal, tais como toalhas, roupas, lençóis, escovas de dente, talheres, até o término do período de transmissão.
Veja orientações:
- Higienize regularmente as mãos com água e sabão ou utilize álcool em gel, principalmente após o contato com a pessoa infectada;
- Lave roupas, toalhas, lençóis, talheres e objetos pessoais que possam ter entrado em contato com as erupções e lesões da pele ou secreções respiratórias (por exemplo, utensílios, pratos) com água morna e detergente;
- Limpe e desinfete todas as superfícies contaminadas e descarte os resíduos contaminados (por exemplo, curativos) de forma adequada;
- Quando se aproximar de alguém infectado, a pessoa doente deve utilizar máscara (comum ou cirúrgica), sobretudo se tiver lesões na boca ou se estiver tossindo;
- Evite o contato pele a pele sempre que possível e use luvas descartáveis se precisar ter contato direto com as lesões;
- Em países onde há animais portadores do vírus Mpox, evite contato desprotegido com animais selvagens, sobretudo se estiverem doentes ou mortos (incluindo contato com carne e sangue do animal);
- Alimentos com partes de animais devem ser bem cozidos antes de serem consumidos.