CE tem aumento de casos de Mpox em outubro e chega a 18 confirmações em 2026

Ao todo,16 são de moradores da capital cearense.

Escrito por João Lima Neto joao.lima@svm.com.br
06 de Novembro de 2026 - 11:40 (Atualizado às 11:47)
capa da noticia
Legenda: A doença mpox é caracterizada por erupções cutâneas que podem aparecer nos órgãos genitais ou na boca.
Foto: Selman GEDIK/shutterstock .

O Ceará registrou um aumento no número de casos confirmados de Mpox em outubro de 2026. Dados da plataforma IntegraSUS, da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), com registros de início dos sintomas até 28 de outubro, apontam 18 confirmações da doença neste ano, das quais 13 foram registradas somente no mês passado.

O volume de outubro representa aproximadamente 72% de todos os casos confirmados em 2026. O levantamento também mostra que os registros mais recentes estão concentrados principalmente em Fortaleza, que contabiliza a maior parte das confirmações.

A distribuição dos registros por data de início dos sintomas mostra que, antes de outubro, o Estado havia contabilizado cinco casos em 2026: três em fevereiro, um em março e um em julho. A partir de outubro, houve uma concentração de novas confirmações, com registros entre os dias 10 e 27.

Fortaleza concentra a maioria dos registros

Dos 18 casos confirmados neste ano, 16 são de moradores de Fortaleza. Os outros dois registros foram identificados nos municípios de Paracuru e Solonópole, com uma confirmação em cada cidade.

O perfil dos pacientes também chama atenção. Todos os 18 casos confirmados em 2026 são de pessoas do sexo masculino. A maior concentração está nas faixas etárias de 20 a 29 anos, com oito registros, e de 30 a 39 anos, com sete. Outros dois casos foram identificados entre pessoas de 40 a 49 anos e um entre 50 e 59 anos.

O levantamento também permite observar a evolução dos registros nos últimos anos. Em 2022, durante o período de maior circulação da doença no Estado, foram contabilizados 429 casos confirmados. Nos anos seguintes, os números foram menores.

Com 18 confirmações, 2026 já supera o total registrado durante todo o ano de 2025, quando foram contabilizados 13 casos. A diferença é de cinco registros, equivalente a um crescimento de aproximadamente 38,5%.

Sintomas da Mpox

A doença é caracterizada por erupções cutâneas que podem aparecer nos órgãos genitais ou na boca. Pode causar febre, dor na garganta ou nos gânglios linfáticos. 

Dentre os sintomas da monkeypox, estão: 

  • Erupções cutânea ou lesões de pele
  • Adenomegalia - Linfonodos inchados (ínguas)
  • Febre
  • Dores no corpo
  • Dor de cabeça
  • Calafrio
  • Fraqueza

Os sintomas podem durar de duas a quatro semanas. A característica mais típica da doença é o surgimento de lesões de pele, que começam como pequenas bolhas que evoluem para úlceras. Pode ocorrer febre e surgimento de gânglios palpáveis antes do surgimento das lesões de pele. 

Grávidas, crianças e imunodeprimidos têm maior chance de apresentar formas mais graves, como pneumonia e inflamação do sistema nervoso. 

A doença é transmitida principalmente pelo contato com as lesões de pele e por fluidos corporais. Objetos recentemente contaminados podem oferecer risco de contágio. O Ministério da Saúde alerta que uma pessoa pode transmitir a doença desde o momento em que os sintomas começam até que as lesões de pele tenham cicatrizado completamente. 

Diagnóstico

O diagnóstico é laboratorial, por teste molecular ou sequenciamento genético, feito por meio da coleta de material das lesões de pele. 

Conforme o Ministério da Saúde, a amostra a ser analisada é coletada, preferencialmente, da secreção das lesões. Quando as lesões já estão secas, são examinadas as crostas das lesões. As amostras são encaminhadas para os laboratórios de referência no Brasil.

Mpox tem cura?

A Mpox é autolimitada, ou seja, evolui para cura sem maiores consequências na maioria das pessoas, uma vez que os sintomas desaparecem em algumas semanas após a infecção. O órgão de saúde esclare que, em alguns pacientes, especialmente aqueles com diminuição na imunidade (imunocomprometidos), crianças e gestantes, os sinais e sintomas podem levar a complicações, caso não haja assistência adequada.

Tratamento

Não há medicamento específico aprovado para Mpox. O tratamento consiste em:

  • Alívio dos sintomas
  • Prevenção e tratamento de complicações
  • Cuidados clínicos de suporte

O que fazer para se prevenir?

As medidas de prevenção consistem em evitar contato direto com as lesões de pele e a prática de sexo seguro. A orientação da OMS é que pessoas com suspeita ou confirmação da doença devem cumprir isolamento imediato, não compartilhar objetos e material de uso pessoal, tais como toalhas, roupas, lençóis, escovas de dente, talheres, até o término do período de transmissão.

 Veja orientações:

  • Higienize regularmente as mãos com água e sabão ou utilize álcool em gel, principalmente após o contato com a pessoa infectada;
  • Lave roupas, toalhas, lençóis, talheres e objetos pessoais que possam ter entrado em contato com as erupções e lesões da pele ou secreções respiratórias (por exemplo, utensílios, pratos) com água morna e detergente;
  • Limpe e desinfete todas as superfícies contaminadas e descarte os resíduos contaminados (por exemplo, curativos) de forma adequada;
  • Quando se aproximar de alguém infectado, a pessoa doente deve utilizar máscara (comum ou cirúrgica), sobretudo se tiver lesões na boca ou se estiver tossindo;
  • Evite o contato pele a pele sempre que possível e use luvas descartáveis se precisar ter contato direto com as lesões;
  • Em países onde há animais portadores do vírus Mpox, evite contato desprotegido com animais selvagens, sobretudo se estiverem doentes ou mortos (incluindo contato com carne e sangue do animal);
  • Alimentos com partes de animais devem ser bem cozidos antes de serem consumidos.

Recomendações para a população de grupos de risco e viajantes

O especialista em infectologia Danilo Campos recomenda que populações mais vulneráveis como gestantes, crianças e imunodeprimidos devem evitar deslocamentos para locais com alta incidência de Mpox, bem como evitar aglomerações. A prática de sexo com proteção é sempre recomendada.

Este conteúdo é útil para você?

Colunistas