A pouco mais de 15 mil quilômetros de Fortaleza, em Hanói, capital do Vietnã, quatro estudantes de Fortaleza, no Ceará, estiveram entre os representantes do Brasil premiados na 19ª Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica (IOAA), iniciada em 25 de setembro e encerrada na última segunda-feira (5).
Biatriz Soares Silva, de 17 anos, Jailson Henrique Godeiro Neto, 17, Isaac Victor de Araújo Santos, 16, e Arthur Alencar Spuri, 16, conquistaram uma medalha de prata e três de bronze. Todos estudam em escolas particulares na capital cearense, mas Arthur nasceu em São Paulo, enquanto Jailson é de Mossoró, no Rio Grande do Norte.
A competição é considerada uma das mais relevantes entre as de astronomia e astrofísica direcionadas para estudantes.
Em uma rotina intensa, com outros jovens de dezenas de países, os quatro estudantes que representaram o Ceará viajaram para território vietnamita junto de Eyke Cardoso de Souza Torres, de Ourilândia do Norte, no Pará, 5º representante do Brasil e vencedor de uma medalha de ouro na disputa.
Questões como a observação de Saturno, o aglomerado aberto Messier 29 e a determinação da massa de um buraco negro por meio da técnica de reverberação estiveram entre os temas discutidos durante os 11 dias de disputa.
"Quando eu estava nos treinamentos, eu achava que ia participar de alguma coisa, mas eu não esperava mesmo que ia ser quarto lugar", comemorou Biatriz Soares Silva, em entrevista ao Diário do Nordeste.
Fases no Brasil
Todos os estudantes escolhidos para representar o Brasil já haviam passado pela Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA) em 2025. O requisito para participar do evento internacional determinava que eles precisavam ter obtido nota igual ou superior a 7 na prova da etapa nacional.
Nas etapas seguintes, os estudantes seguem para a prova de pré-seleção, enquanto os classificados vão para o Torneio Seletivo de Astronomia e Astrofísica (TSA²). Depois, 45 são escolhidos para os treinamentos, mas apenas cinco se tornam representantes.
A cearense Biatriz, uma entre eles, chegou a participar da OBA ainda no 9º ano do Ensino Fundamental, mas, no ano passado, no 3º do Ensino Médio, teve a chance tão sonhada.
"De primeira, eu fui ouro em uma das etapas, daí comecei a fazer as provas online. Só que já na primeira prova, naquela época eu fui muito mal, então só parei de fazer as outras", relembrou.
Dessa vez, com as pontuações necessárias, a felicidade foi ter saído com uma medalha de prata mesmo sem esperar por isso. "Há bastante pressão em você representar o Brasil em alguma coisa, mas eu fiquei feliz com o resultado que tive. Foi bom para o meu colégio também, creio eu. Foi a primeira vez que a gente participou, mas consegui uma medalha, então já pretendo fazer para o ano que vem", explica.
Para Isaac, também cearense, a incerteza marcou o caminho até a representação. "Foi um processo bem incerto, mas prazeroso no final. Cheguei a ser desclassificado em uma etapa no meio do processo e fui salvo por uma segunda chamada. Lá na cerimônia que revelariam as equipes eu não esperava ser qualificado para a IOAA, foi uma surpresa muito boa".
Experiência cultural além da competição
Além da astronomia, dois sentimentos em comum entre os dois foram a felicidade e a curiosidade. Entre cenários diversos, uma culinária repleta de sabores e uma experiência única, os dois ressaltam que devem levar os dias no país por muito tempo na cabeça.
"A gente fez bastante amizade com o pessoal da Colômbia, de Portugal também. Uma menina da Arábia Saudita me deu um boné, e ainda fiz amizade com os guardinhas da universidade onde aconteceu a IOAA", se divertiu Biatriz ao contar.
Por lá, os estudantes ainda visitaram o observatório da Phenikaa, universidade sede do evento, assim como o Templo da Literatura, em Hanói, fundado e construído em 1070.
"Na Olimpíada como um todo, a competição foi uma parte até pequena, se compararmos com a troca cultural, os amigos que fizemos e as memórias que ganhamos. Nada paga isso. Fora o contato com o país, sempre é interessante conhecer uma nova cultura, com mecânicas diferentes. Honestamente, eu até comprei muita coisa de lembrança", ressalta Isaac.