Com ator de "A Vida é Bela", live-action de "Pinóquio" estreia nesta quinta-feira (21) nos cinemas

Filme pretende ser a adaptação mais fiel ao personagem do clássico romance de Carlo Collodi; relembre as principais adaptações da obra para o cinema e outras mídias, além das diversas edições do livro que deu origem à história

Legenda: Ator Federico Ielapi dá vida ao famoso boneco de madeira na nova adaptação para o cinema
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O que mais é possível saber sobre "Pinóquio"? Uma das histórias mais famosas e adaptadas do mundo, o clássico escrito pelo autor e jornalista italiano Carlo Collodi (1826-1890) – intitulado "As aventuras de Pinóquio" – atravessa o tempo encantando gerações. 

Agora, a saga do boneco de madeira que se transforma em um indisciplinado garoto de verdade ganha mais uma versão na telona, em formato live-action. O filme estreia nos cinemas nacionais nesta quinta-feira (21) com distribuição da Imagem Filmes, integrando o filão de outras tradicionais tramas infantis repaginadas a partir do trabalho com atores reais. 

Desta vez, a produção chega com a pompa de carregar dois nomes de peso: o ator Roberto Benigni, intérprete de Gepeto, pai de Pinóquio, ganhador do Oscar por "A Vida é Bela" (1997); e o cineasta Matteo Garrone, diretor do longa, vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes em 2008 por "Gomorra".

O realizador pretende entregar uma adaptação mais fiel ao personagem original de Collodi, afastando-se da versão que se tornou popular com a clássica animação da Disney, de 1940. Assim, como já evidencia o trailer da produção, ele recorre a uma sombria atmosfera por trás da conhecida narrativa – desta vez protagonizada pelo pequeno ator Federico Ielapi.

Em entrevistas, Matteo Garrone também já afirmou que o projeto representou dois sonhos que se tornaram realidade: dirigir uma adaptação de Pinóquio e trabalhar com Roberto Benigni. Ao estrelar o filme, o ator contorna um hiato de oito anos afastado das telonas.

Legenda: Longa tem Roberto Benigni no elenco, interpretando Gepeto, e é dirigido por Matteo Garrone, premiado no Festival de Cannes
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Histórico 

O romance "As aventuras de Pinóquio" foi publicado pela primeira vez na Itália em forma de folhetim infantil, entre julho de 1881 e janeiro de 1883, com 36 capítulos. Ao longo das décadas, foi adaptado para uma diversidade meios de comunicação. São livros, vídeos, filmes, séries, peças de teatro, jogos e brinquedos que compõem todo o universo da indústria cultural sobre o boneco de madeira.

Apesar de a adaptação mais conhecida ser a dos estúdios Walt Disney, ela não foi a primeira. A bem da verdade, a versão do personagem criado pela empresa em 1940 entrou no imaginário popular a partir de grandes alterações. Retirou, por exemplo, a nacionalidade e identidade italiana do enredo, perdendo, assim, a crítica e contextualização social que Carlos Collodi quis transmitir quando escreveu a história.

Legenda: Cena do clássico filme lançado pela Disney, em 1940
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Não foi o que aconteceu com o trabalho de um dos pioneiros do cinema, contudo. Conde Giulio Cesare Antamoro adotou "Pinóquio" e, em 1911, o transportou para um filme mudo de trinta segundos, colorido manualmente. Na Itália, na década de 1930, foram realizadas ainda numerosas produções em longa-metragem coloridas baseadas no enredo. 

Já em 1932, no Japão, o diretor Noburo Ofuji criou um filme do personagem com técnicas experimentais de fantoche animado. Mais tarde, em 1972, foi criada uma versão para a televisão no país em forma de seriado, chamado "Kashi no Ki Mock".

Livros

No campo editorial, "Pinóquio" foi publicado pela primeira vez em forma de livro em 1883, na Itália, com ilustrações de Enrico Mazzanti. A partir de então, iniciou-se a difusão da obras nos principais mercados europeus de literatura infantil. 

Em 1891, o exemplar foi publicado na Grã-Bretanha, também ilustrado por Mazzanti. As edições inglesas, juntamente às norte-americanas, contribuíram para a propagação da história em países culturalmente distantes da Itália.

No Brasil, uma das primeiras edições do livro saiu pela editora Ediouro. Na ocasião, o cronista e membro da Academia Brasileira de Letras, Carlos Heitor Cony, escreveu, na década de 1980, uma adaptação da história do boneco, chamada "Pinóquio da Silva". Sem perder as características originais, o escritor criou um personagem bem aos moldes da realidade brasileira.

Legenda: Carlos Heitor Cony, escreveu, na década de 1980, uma adaptação da história do boneco, chamada "Pinóquio da Silva"
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Antes disso, porém, durante os quatro anos que morou em Nova York, Monteiro Lobato (1882-1948) escreveu algumas cartas para os pequenos leitores que ele havia deixado no Brasil. Em uma delas, desenvolvida em meados de 1928, ele anuncia que o livro "O Irmão de Pinóquio" iria ser publicado. Dito e feito. Em junho de 1929, a obra sai pela Companhia Editora Nacional, com tiragem de cinco mil exemplares. 

Em 1933, alguns anos antes da Disney produzir o longa do personagem (1940), Lobato também faz uma tradução revisada de "As aventuras de Pinóquio" com o título "Pinocchio". Não à toa, essa grande aproximação do autor com a história faz com que alguns estudiosos percebam, até hoje, fortes semelhanças entre Pinóquio e Emília, famosa personagem criada por Monteiro.

Na esteira desses inúmeros trabalhos, várias casas editoriais nacionais já publicaram histórias sobre e/ou baseadas na saga de Pinóquio. Entre elas, estão Martins Fontes, Melhoramentos, Planeta, Zahar, Paulinas, Cosac Naify e Reflexão. Na Amazon, é possível encontrar ainda uma versão em cordel da narrativa, escrita por Carlos Soares e publicada de forma independente.

Legenda: Versão em cordel da narrativa, escrita por Carlos Soares e publicada de forma independente.
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Outras versões

Na programação da TV aberta brasileira, foi exibido, na década de 1980, um seriado em que, entre outras peculiaridades, Pinóquio chamava Gepeto de “Vovozinho” na dublagem. Por sua vez, precisamente em 1980, foi lançado o filme nacional "Os Paspalhões em Pinóquio 2000". Dirigido por Victor Lima e estrelado pelos atores Ricardo Blat, Older Cazarré e Ted Boy Marino, o longa é raro e bastante excêntrico.

Um dos grandes exemplos de filmes baseados em "Pinóquio" é "AI - Inteligência Artificial" (2001), idealizado pelo diretor Stanley Kubrick (1928-1999), contudo dirigido por Steven Spielberg. O longa conta a história de um robô que busca, de qualquer maneira, tornar-se um menino de verdade para conquistar o amor da mãe.

Por sua vez, o ator italiano Roberto Benigni – que estrela a mais nova versão live-action da obra – já vinha desejando se aprofundar no universo de Pinóquio há algum tempo. Em 2002, ele dirigiu e protagonizou o filme "Pinocchio e a Fada Azul", produzido pela Miramax. Benigni procurou ser o mais fiel possível ao texto original, e a obra foi lançada quando se comemorava os 120 anos da clássica história.

Legenda: Em 2002, Benigni dirigiu e protagonizou o filme "Pinocchio e a Fada Azul", produzido pela Miramax
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Já em 2004, foi lançado um longa em animação 3D chamado “P3K — Pinocchio 3000”, do diretor canadense Daniel Robichaud. Vencedor do prêmio espanhol Goya, em 2005, a história se passa no ano 3000 e fala sobre Gepetto, um genial inventor que cria um robô com personalidade de um menino de verdade, chamado Pinocchio. 

Um outro filme em que Pinóquio é um robô é "Hinokio", longa do japonês Takahiko Akiyama. Produzido em 2005, trata-se de uma adaptação futurista que narra a trajetória de um menino que, aos 11 anos, perde sua mãe e tenta se isolar. Para ir à escola, manda em seu lugar, então, um pequeno robô criado pelo pai.

Há também novidades no front cinematográfico. Guillermo del Toro produz uma animação em stop-motion para a Netflix baseada no clássico italiano, e a Disney prepara mais uma versão, desta vez dirigida por Robert Zemeckis e produzida por Andrew Miano e Chris Weitz. O filme ainda não possui previsão de estreia.

Artes cênicas

No Brasil, diversas peças de teatro já retrataram o famoso enredo. "Pinóquio, uma aventura em busca de ser", de 2003, é um dos exemplos, sendo uma adaptação livre de Alberto Isola e Leslie Marko da história original. 

Por sua vez, "Pinóquio etc. e tal", do grupo Teatro Por um Triz (SP), foi escrita por Márcia Nunes e Péricles Raggio e dirigida por Henrique Sitchin. A peça foi inspirada em Collodi, porém conta a história de quatro marceneiros que necessitam construir um boneco de madeira e que, durante a fabricação, se lembram da fábula de Pinóquio.

Famoso grupo mineiro de teatro voltado exclusivamente ao teatro de bonecos, o Giramundo também criou, em 2005, uma nova montagem de Pinóquio para adultos, inspirado no original de Carlo Collodi.

Legenda: Grupo mineiro Giramundo criou, em 2005, uma nova montagem de Pinóquio para adultos
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Além de trabalhos nas Artes Cênicas e em tantas outras linguagens contemplando o famoso enredo, ainda é possível encontrar o CD-TV da Giunti Multimídia, que contém a história do boneco em seis línguas europeias; e o videogame baseado nos desenhos originais de Lernardo Mattioli para a história de "As aventuras de Pinóquio", na edição Vallecchi de 1955.

Hoje, esses dois produtos são de direitos autorais do Comitê para o Monumento a Pinóquio, da Fundação Nacional Carlo Collodi, na Itália.

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