Com início nesta quinta-feira (25), Mostra Sesc de Culturas Sertão Central abraça pluralidade

Polo das atividades da primeira edição do projeto no Sertão Central, Quixadá e outros três municípios cearenses sediam atividades formativas e atrações do porte de Moraes Moreira, Fausto Nilo e Jota Quest

O desejo de fomentar as Artes Cênicas na região do Cariri lançou as bases para um projeto que, anos depois, se tornaria referência nacional no que toca à promoção de circulação e intercâmbio de fazeres e talentos. A Mostra Sesc Cariri de Culturas completou duas décadas de realização neste ano esbanjando vivacidade e relevância, investindo em linguagens para além daquela primeira a qual se dispôs a tratar. Imergiu fundo na pluralidade.

Não sem motivo, a vasta experiência do evento permitiu que oportuna fresta se abrisse em outros territórios com vistas a buscar a mesma vertente múltipla de trabalhos. E o ambiente escolhido não poderia refletir melhor esse desejo de alargar possibilidades. É no epicentro geográfico do Ceará que os olhos se voltam para aprofundar ações, saberes e personagens, num movimento de intensa busca pelo conhecer.

Trata-se da primeira edição da Mostra Sesc de Culturas Sertão Central, evento que se inicia nesta quinta-feira (25) e segue até domingo (28), com sede em quatro municípios da região: Quixadá, Quixeramobim, Ibaretama e Senador Pompeu. Gratuita, a iniciativa pretende fazer pulsar arte por entre vários equipamentos culturais e espaços abertos, dialogando com os anseios e habilidades de nomes locais e nacionais.

"Temos avançado muito na metodologia de trabalhar a partir de uma pesquisa de campo, aproximação, escuta e diálogo com agentes culturais. E, nessa dinâmica, fomos descobrindo muita coisa bacana a partir de um escopo de ideias pré-estabelecido, a começar por Antônio Conselheiro, Rachel de Queiroz e o próprio movimento de Canudos", explica Chagas Sales, gerente de cultura do Sesc, enumerando alguns dos símbolos emblemáticos cuja origem provém da região e justificam o debruçar sobre ela.

"Esta edição, então, nasce muito do sonho de expandirmos as ações estratégicas no campo da cultura. O Sesc Ceará tem sido um protagonista nessa cena, proporcionando encontros em territórios que sejam realmente criativos e potentes", complementa.

União

E, se a priori, talvez seja difícil elencar artistas e projetos contemporâneos na região com semelhante envergadura dos já citados, é porque falta difundir as expertises. Isso a mostra compreende muito bem ao pôr em franco diálogo, por meio do formato de aldeias culturais - em que se agregam múltiplas linguagens, agentes, gestores e pensadores do fazer intuitivo - novos e veteranos representantes das artes, oportunizando a criação de pontes, embora não apenas: consolidando canal aberto para o crescimento mútuo.

65
é o número aproximado de ações programadas para acontecer na mostra, envolvendo 250 artistas – entre grupos locais e nacionais, nomes independentes e outros já consagrados

50 mil
espectadores é a expectativa de público da organização do evento. A intenção é fazer com que cada visitante possa dialogar com as ações propostas, quer sejam de entretenimento, quer de fruição e formação

"Entendemos que o Sertão Central realmente é um local muito forte, fértil, de muitos artistas. Alguns, inclusive, com apoio, mesmo que tímido. E foi exatamente essa timidez do fazedor de cultura, de buscar novas formas de se expressar e viabilizar seus projetos, que sentimos durante nossos mapeamentos. Queremos mudar isso", reitera Chagas.

Ações formativas, assim, darão o tom da edição, com foco sobre diversidade de assuntos. Figurino, caracterização e fotografia estão entre elas, além do curso Agentes Culturais do Sertão Central, no qual ganhará destaque o repasse de técnicas específicas de atuação no ramo para alavancar novos sujeitos potencializadores.

Além disso, artes visuais, teatro, música, audiovisual, literatura e tradição serão trabalhados de modo a entrever diferentes aspectos e apelos - indo dos mais comentados (a exemplo de Jota Quest, cujo show abre a mostra, e Moraes Moreira e Fausto Nilo, que a finalizam), até destaques da cena independente, como Geraldo Amâncio, Bruno Paulino e Pingo de Fortaleza.

A mostra de cinema "Nueva Mirada", aposta tradicional do Sesc, irá aproximar crianças e jovens da sétima arte. Ao mesmo tempo, exposições de caráter abrangente ampliarão as perspectivas do público - "Novos Olhares para Monalisa" é uma delas -, bem como o encontro de músicos. Caso da banda carioca Fanfarrada que, em sua segunda visita ao Ceará, tratará de aproximar artistas da terra para discutir e produzir novos sons.

Tradição

Irmãos Aniceto, Banda de Música de Quixeramobim, Reisado Discípulos de Mestre Pedro e Orquestra Sanfonas do Ceará são algumas das atrações que contemplarão a tradição regional; por sua vez, na seara literária o destaque vai para atividades como o Sarau Mulheres do Mundo - Mulheres que contam histórias, com Anna K Lima, e uma caravana que percorrerá os ambientes da fazenda Não Me Deixes, onde viveu Rachel de Queiroz.

"O mais bacana é saber que tudo isso está chegando à região do Sertão Central já abraçando tantas linguagens, incluindo a tradição e o patrimônio, a partir da perspectiva da cultura popular. O recorte de grupos que vão para lá se encontrar com ações e artistas locais prevê uma injeção de ânimo e vida", diz Chagas.

"Fazemos todo um trabalho de curadoria focando no potencial criativo, no caráter estético das obras, mas também na contextualização dessas criações com os anseios da região. Muito mais que a viabilidade técnica, é a gente atender sonhos e utopias. É ser lugar de troca e reflexo de construção coletiva". Que assim seja.

Serviço
I Mostra Sesc de Culturas Sertão Central
De 25 a 28 de julho, nos municípios de Quixadá, Quixeramobim, Ibaretama e Senador Pompeu. Programação gratuita. Mais informações pelo site do evento.