Mãe de Henry Borel procurou por aulas de inglês e culinária dois dias após a morte do filho

Monique enviou mensagens para os cursos demonstrando interesse nos serviços

Monique com duas roupas
Legenda: O comportamento de Monique tem chamou a atenção desde o início das investigações

A professora Monique Medeiros, mãe do menino Henry Borel Medeiros, buscou aulas de inglês e gastronomia 48 horas após a morte do filho, conforme mostram mensagens recuperadas pela Polícia Civil do Rio de Janeiro. As informações são do O Globo. 

A criança morreu na madrugada de 8 de março. Na noite do dia 10, ela se informou sobre uma oferta de descontos em um curso de idiomas próximo ao apartamento onde morava com vereador Dr. Jairinho (sem partido),  no Cidade Jardim, na Barra, na Zona Oeste do Rio. 

No dia seguinte, ela enviou uma mensagem via rede social para uma chef de cozinha.

"Sou Monique Medeiros, tenho interesse em fazer uma aula prática com você. Como faço pra entrar na lista de espera? Um grande beijo em seu coração."

O comportamento de Monique chamou a atenção desde o início da apuração do caso. Antes de ir à delegacia, no início das investigações, ela trocou de roupa duas vezes até escolher um modelo branco

No dia seguinte ao enterro, ela passou a tarde no salão de beleza para fazer as unhas e o cabelo.

Além disso, enquanto recebia mensagens da babá relatando as agressões sofridas pelo filho, ela marcava encontro de mães em um aplicativo de mensagens. 

ENTENDA O CASO

Henry Borel morreu na madrugada de 8 de março, no apartamento em que vivia com Monique e Dr. Jairinho, na Barra da Tijuca. Segundo as investigações, Henry era agredido pelo vereador com bandas, chutes e pancadas na cabeça. Monique tinha conhecimento da violência desde o dia 12 de fevereiro, pelo menos. 

Henry foi levado pela mãe e pelo padrasto ao hospital Barra D'Or na madrugada de 8 de março e já chegou à unidade sem vida. 

COMPORTAMENTO DO CASAL 

Os celulares do casal e de outros envolvidos no caso foram apreendidos no início das investigações. A polícia descobriu que Dr. Jairinho e Monique apagaram conversas de seus telefones e suspeitam que tenham trocado de aparelho. 

A partir de um software israelense, o Cellebrite Premium, comprado pela Polícia Civil no último dia 31 de março, foi possível recuperar o conteúdo.

Durante a prisão, na quinta-feira, o casal tentou se livrar dos celulares que usavam, jogando os aparelhos pela janela. A polícia conseguiu recuperar os celulares. 

O vereador tem um histórico de violência. A polícia investiga se ele agrediu duas crianças, filhos de suas ex-namoradas. Uma das crianças, hoje com 13 anos, prestou depoimento à polícia e contou sobre agressões que sofreu quando tinha cinco anos.

Monique também chamou atenção dos policiais por seu comportamento após a morte do filho. Antes de ir à delegacia, no início das investigações, ela trocou de roupa duas vezes até escolher um modelo branco. 

No dia seguinte ao enterro, ela passou a tarde no salão de beleza para fazer as unhas e o cabelo.

PRISÃO

O vereador carioca Jairo Souza Santos Júnior, mais conhecido como Dr. Jairinho, e a mãe de Henry Borel, a professora Monique Medeiros, foram detidos no dia 8 de abril por policiais da 16ª DP, da Barra da Tijuca, após a juíza Elizabeth Louro Machado, do II Tribunal do Júri da Capital, expedir mandados de prisão temporária por 30 dias. 

Os investigadores afirmam que Henry foi assassinado com emprego de tortura e sem chance de defesa. O inquérito aponta que a criança chegou à casa da mãe por volta de 19h20 de 7 de março, um domingo, após passar o fim de semana com o pai. 

Conforme o depoimento prestado pelo pai de Henry na delegacia, a mãe da criança teria ligado para ele por volta das 4h30 de 8 de março e comunicado o incidente. Segundo Leniel, Monique teria dito que encontrou o filho com os olhos revirados e com dificuldade de respirar e o teria levado ao hospital. 

Henry foi levado ao hospital pela mãe e pelo padrasto Dr. Jairinho. O menino chegou na unidade de saúde sem vida, com hemorragia interna, laceração hepática, contusões e edemas

Ao analisar imagens do elevador, os peritos responsáveis pelo caso identificaram que ele já estava morto quando foi levado ao hospital. Diante disso, a Polícia Civil investiga se a mãe da criança, a professora Monique Medeiros, e o padrasto, o vereador Dr. Jairinho (sem partido), demoraram 39 minutos para socorrê-lo. 

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