‘Dei tanto nessa mulher que minha mão tá inchada’, disse empresária presa por tortura de doméstica

Acusada está presa e foi denunciada pelo MP junto com policial por agredir e ameaçar jovem de 19 anos no Maranhão.

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
05 de Julho de 2026 - 15:43
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Legenda: Exames de corpo de delito e laudos complementares atestaram diversas lesões e a perda auditiva da vítima.
Foto: Reprodução/Redes Sociais.

O Ministério Público do Maranhão (MP-MA) denunciou a empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos e o policial Michael Bruno Lopes Santos por tortura, tentativa de homicídio qualificado e tentativa de aborto contra Samara Regina Dutra Soares, uma trabalhadora doméstica de 19 anos. 

A Justiça recebeu a denúncia na quinta-feira (2) e determinou que os acusados sigam presos preventivamente. O crime ocorreu em abril deste ano, em Paço do Lumiar, região metropolitana de São Luís, e teve como motivação a falsa acusação de que a vítima, grávida de seis meses na época, teria furtado um anel.  

Contratada de informalmente para serviços domésticos na residência da empresária, Samara foi submetida a agressões físicas e psicológicas na manhã do dia 17 de abril. O objetivo seria que ela confessasse o suposto crime.  

De acordo com a denúncia assinada pela promotora de Justiça Nahyma Ribeiro Abas, a violência atingiu níveis extremos. Michael Bruno, armado, deu uma coronhada com o revólver na testa da jovem, arrastou ela pelos cabelos e a manteve de joelhos sob a mira da arma. 

Os agressores ainda ameaçaram dopar a gestante para levá-la escondida a um sítio, onde planejavam executá-la.  

O anel procurado foi localizado pouco depois dentro de um cesto de roupas, indicando que a própria patroa havia esquecido a peça no local. 

Apesar disso, Carolina continuou a desferir socos e tapas contra a funcionária, enquanto o policial a mantinha imobilizada. Para tentar proteger o bebê durante o espancamento, a jovem contou que precisou se curvar sobre a barriga.  

Provas e confissão em áudio

Exames de corpo de delito e laudos complementares atestaram diversas lesões e a perda auditiva da vítima. Além disso, há o registro de uma chamada feita para o 190 da Polícia Militar no dia das agressões.  

A Polícia Civil apreendeu áudios nos quais Carolina descreve a violência à funcionária. Em um dos registros, ela confessa: "deu tanto nessa mulher que até hoje minha mão tá inchada".

Em outro trecho gravado, a acusada declara que "não era nem para ela ter saído viva".  

Próximos passos na Justiça

Com base nos fatos e no conjunto de provas, a promotora Nahyma Ribeiro Abas solicitou que a dupla seja levada a julgamento pelo Tribunal do Júri.

O pedido inclui também a manutenção das prisões preventivas e a realização de novas diligências complementares. 

A defesa dos réus tentou impor sigilo ao processo, pedido que foi prontamente rejeitado pelo Ministério Público. O órgão argumentou que a fase de investigação já foi concluída e destacou o interesse social e a repercussão pública do caso.