Em última conversa com pai, Henry Borel pediu para não ir para a casa de Monique e Dr. Jairinho

Criança passou o último fim de semana com pai e pediu para não ir ao apartamento da mãe, onde morreu

O engenheiro Leniel Borel, pai do menino Henry, morto aos quatro anos em 8 de março, contou que o filho pediu para não ir para a casa da mãe, horas antes de sua morte, em entrevista à TV Globo. "Deixa eu ficar mais um dia com você", disse o garoto. 

Henry passou o último fim de semana de vida, em 6 e 7 de março, na casa do pai, como de costume. Na noite de domingo, o pai deixou o filho no apartamento da ex-mulher e mãe do garoto, Monique Medeiros Costa e Silva, e do namorado dela, o vereador do Rio de Janeiro Dr. Jairinho

Horas depois, por volta de 3h30 da segunda-feira (9), Henry foi levado ao hospital pela mãe e pelo padrasto Dr. Jairinho. O menino chegou na unidade de saúde sem vida, com hemorragia interna, laceração hepática, contusões e edemas.

Segundo as investigações, Henry era agredido pelo vereador com bandas, chutes e pancadas na cabeça. Monique tinha conhecimento da violência desde o dia 12 de fevereiro, pelo menos. A babá do garoto havia alertado à mãe sobre as agressões. Monique e Jairinho foram presos nesta quinta-feira (8), por envolvimento na morte. 

Leniel lembra dos últimos momentos com o filho. "Quando eu fui entregar para ela, a Monique veio, eu falei 'vai com a mamãe', e ele: 'não papai, não quero ir. Me dá mais um dia. Deixa eu ficar mais um dia com você'. Eu falei vai com a mamãe, porque eu tinha que trabalhar no dia seguinte. E ela falou: 'filho, amanhã tem escolinha, amanhã tem futebol, natação'. E ele disse 'não, mamãe, eu não gosto'", relata. 

O pai demonstrou indignação com Monique, que acobertou as agressões. Henry havia contado a Leniel que Dr. Jairinho o machucava, em uma ligação realizada em 3 de março, cinco dias antes da morte, mas a mãe e a avó materna do garoto o disseram que isso não acontecia. 

"Ela falou 'esquece, isso não acontece, inclusive eu mataria se eu descobrisse que o Jairinho faz ... que ele machuca o nosso filho' (...) "Como é que pode uma mulher que fala que mata por causa do filho está do lado de alguém que matou o dela?", questiona Leniel.

Borel contou que, a partir do momento que Monique começou a se relacionar com Dr. Jairinho, ela mudou o modo de criar e tratar o filho. "Isso pra mim me parece demoníaco, assustador. Como é que uma mãe que cuidou bem do filho durante quatro anos, a partir do momento que se junta com uma pessoa que mal conhece, poucos meses, e pretere uma pessoa ao filho? É muito estranho", ressaltou o engenheiro. 

"Quem é mãe é mãe e a Monique nos últimos dias não foi uma mãe para o meu filho. Eu sempre vou lembrar do Henry como meu primogênito, meu filho maravilhoso. Sempre sorrindo, sempre dando alegria. Chamando papai, papai eu te amo. To com saudade papai. Aquela criança carinhosa, maravilhoso. O Henry vai ta sempre comigo. Eu sempre vou lembrar meu filho como a melhor coisa que aconteceu na minha vida", afirmou o pai. 

Prisão

Dr. Jairinho e Monique foram detidos por policiais da 16ª DP, da Barra da Tijuca, para onde foram levados, após a juíza Elizabeth Louro Machado, do II Tribunal do Júri da Capital, expedir mandados de prisão temporária por 30 dias. 

Eles foram levados a diferentes penitenciárias do Rio de Janeiro e devem ficar isolados por 14 dias antes de passarem a celas com outros internos. O inquérito do caso ainda não foi concluído pela polícia e os investigadores aguardam a conclusão de outros laudos. 

Os agentes civis monitoravam a residência do casal desde a última segunda-feira (6). Nesta quarta-feira (7), Jairinho saiu da casa do pai, onde dormia, e buscou a namorada na casa dos sogros. Eles foram para a casa de uma tia de Jairo, onde passaram a noite.  

Segundo Ana Carolina Medeiro, delegada assistente do 16° DP, os dois tentaram jogar os celulares pela janela, assim que perceberam a chegada dos policiais. "Estavam no mesmo quarto, não esboçaram reação e não resistiram à prisão", relata Madeiro. 

Morte e tortura

Conforme o depoimento prestado pelo pai de Henry na delegacia, a mãe da criança teria ligado para ele por volta das 4h30 de 8 de março e comunicado o incidente. Segundo Leniel, Monique teria dito que encontrou o filho com os olhos revirados e com dificuldade de respirar e o teria levado ao hospital. 

A versão utilizada por Jairinho e Monique, de um acidente, foi desacreditada pelos policiais após o laudo médico feito depois de duas autópsias do corpo da criança. A perícia descreve múltiplos hematomas em diferentes áreas do corpo. 

Os policiais apontam que os depoimentos da mãe, do padastro e da babá de Henry se destacaram, pois construíram uma visão 'perfeita' da família, levantando suspeita nos policiais. Monique e a babá, Thayna de Oliveira Ferreira, sabiam  que Henry era agredido há cerca de um mês antes da morte do menino.