Cinco acusados pela Chacina no Distrito Federal, que resultou em dez mortos da mesma família, foram tornados réus pelo Tribunal do Júri de Planaltina. O órgão aceitou a denúncia nesta terça-feira (7), após o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) enviá-la no dia 2 de fevereiro. As informações são do g1.
Gideon Batista de Menezes, Horácio Carlos Ferreira Barbosa, Carlomam dos Santos Nogueira, Carlos Henrique Alves da Silva e Fabricio Silva Canhedo são réus. Conforme o MPDFT, os cinco são acusados de mais de 100 crimes e as penas somadas podem chegar até 385 anos de prisão.
Dentre os crimes, estão homicídio triplamente qualificado, ocultação e destruição de cadáver, corrupção de menores, sequestro e cárcere privado, extorsão mediante sequestro e associação criminosa.
Em janeiro, a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) informou que a chacina foi motivada por terras em que parte da família morava.
Segundo o delegado Ricardo Viana, da 6ª Delegacia de Polícia, no Paranoá, a motivação do grupo - formado por Gideon Batista de Menezes, Horácio Carlos Ferreira Barbosa, Fabrício Silva Canhedo e Carlomam dos Santos Nogueira - era a chácara, avaliada em R$ 2 milhões. Carlos Henrique Alves da Silva e um adolescente também participaram do crime.
Vítimas eram familiares
O grupo é suspeito de envolvimento no caso que resultou na morte de 10 membros da mesma família. Inicialmente, as vítimas foram reportadas como desaparecidas, mas os corpos foram encontrados e identificados pelos agentes de seguranças. São elas:
- A cabeleireira Elizamar Silva, de 39 anos;
- O marido de Elizamar Silva, Thiago Gabriel Belchior, de 30 anos;
- Os três filhos da cabeleireira com o companheiro: os gêmeos Rafael e Rafaela da Silva, de 6 ano, e Gabriel da Silva, de 7 anos;
- O sogro de Elizamar e pai de Thiago, Marcos Antônio Lopes de Oliveira, de 54 anos;
- A sogra da cabeleireira e esposa de Marcos Antônio, Renata Juliene Belchior, de 52 anos;
- A cunhada de Elizamar e irmã de Thiago, Gabriela Belchior, de 25 anos;
- A ex-esposa de Marcos Antônio, Cláudia Regina Marques de Oliveira, de 54 anos;
- A filha de Marcos Antônio e Cláudia Regina, Ana Beatriz Marques de Oliveira, de 19 anos.
No dia 25 de janeiro, o quarto suspeito, Carlomam dos Santos, que era considerado foragido, se entregou à Polícia em São Sebastião, região do DF. As investigações apontam que ele conhecia algumas das vítimas e, em um vídeo, aparece comemorando com um dos outros detidos.
Ao g1, o advogado que representa a família de Elizamar, João Darc's, afirmou que o jovem disse, em depoimento, que o crime foi motivado por uma disputa de terras entre os indivíduos presos e duas das vítimas. A versão não foi confirmada pela Polícia Civil até a última atualização deste material.
Suposta atuação de cada suspeito
As autoridades trabalham com as informações de que pelo menos dois dos suspeitos conheciam os familiares que foram assassinados. São eles:
- Gideon Batista, que supostamente trabalhava com Marcos Antônio, uma das vítimas;
- Carlomam dos Santos também as conheceria, e já tinha contato com pelo menos um dos outro indivíduos presos pelo crime.
Em depoimento, Horácio Carlos confessou o envolvimento na chacina e chegou a dizer que parte das mortes haviam sido encomendadas por Marcos Antônio e Thiago — os corpos deles foram posteriormente encontrados. Já Fabrício Silva, o terceiro a ser detido, teria sido o responsável por manter parte dos membros da família em cativeiro.
O preso nesta quinta-feira teria atuado no sequestro de Thiago, segundo a publicação.
Um adolescente, de 17 anos, também foi apreendido pela Polícia Militar, no dia 24 de janeiro, suspeito de participar da ação. Segundo a corporação, ele teria confessado envolvimento, mas como não foi pego em flagrante acabou sendo liberado. A Polícia Civil solicitou à Justiça a internação dele.