Em meio a protestos, ex-presidente do Paraguai é transferido para unidade militar

Destituído do cargo e investigado por suspeitas de crimes ligados à crise do Ueno Bank, Santiago Peña estava em prisão domiciliar.

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
07 de Novembro de 2026 - 10:24
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Legenda: Crise financeira e política no Paraguai levou milhares de manifestantes às ruas pedindo o impeachment do presidente Santiago Peña.
Foto: Daniel Duarte / AFP.

O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña foi retirado de sua residência, em Assunção, e levado para uma instalação militar na madrugada deste sábado (7), após uma noite de protestos contra sua permanência em prisão domiciliar. A transferência ocorreu por razões de segurança, depois que manifestantes entraram em confronto com policiais nas proximidades do imóvel. A informação foi divulgada pelo jornal paraguaio ABC Color.

Peña foi conduzido ao Regimento de Escolta Presidencial, unidade das Forças Armadas responsável pela proteção de autoridades paraguaias e de representantes estrangeiros em visitas oficiais. O local não funciona como estabelecimento prisional convencional.

A mudança ocorreu poucas horas depois de o político ser destituído da Presidência pelo Senado paraguaio, na sexta-feira (6).

Durante a noite, manifestantes se concentraram diante da residência de Peña para exigir que ele fosse encaminhado a um presídio. A mobilização terminou em confronto com as forças de segurança, e um comissário de polícia sofreu um ferimento na região do rosto.

Segundo informações publicadas pelo UOL, autoridades policiais alertaram para a possível presença de pessoas infiltradas entre os manifestantes. A suspeita também foi relatada pelo jornal ABC Color.

A retirada do ex-presidente ocorreu pouco antes da meia-noite. Um comboio de veículos deixou o imóvel sob protestos, com gritos dirigidos a Peña e arremesso de ovos.

Crise bancária levou à queda do presidente

A destituição de Santiago Peña ocorreu em meio às consequências econômicas e políticas do colapso do Ueno Bank, instituição financeira da qual ele foi acionista até 2025.

De acordo com informações publicadas pelo jornal O Globo, aproximadamente 40% da população paraguaia mantinha contas no banco. A quebra da instituição deixou clientes sem acesso a recursos e provocou dificuldades para atividades comerciais no país.

A instituição também concentrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo valores vinculados ao sistema previdenciário paraguaio.

Peña passou a ser investigado por suspeitas de irregularidades envolvendo a relação entre sua atuação no governo e os interesses do banco. Entre os possíveis crimes apontados pelo Ministério Público paraguaio estão lesão de confiança, tráfico de influência e administração em proveito próprio.

O ex-presidente nega ter cometido os crimes investigados. As autoridades ainda deverão esclarecer as condutas específicas atribuídas a ele no processo.

Na sexta-feira, antes da conclusão do impeachment, Peña anunciou sua renúncia à Presidência. A iniciativa, porém, não impediu que o Senado prosseguisse com o julgamento político, encerrado com a aprovação unânime de sua destituição.

A defesa questionou a continuidade do processo após a renúncia e alegou violações ao direito de defesa e ao devido processo legal.

Vice-presidente assume o governo

Com a saída de Peña, o então vice-presidente Pedro Alliana, também integrante do Partido Colorado, assumiu a Presidência do Paraguai ainda na sexta-feira.

Alliana é ligado ao ex-presidente Horacio Cartes, uma das principais lideranças da legenda que governa o país.

Enquanto o novo governo assume a condução da crise, Peña deverá prestar esclarecimentos às autoridades responsáveis pela investigação financeira.

Segundo a imprensa paraguaia, estava previsto para este sábado o comparecimento do ex-presidente à promotoria para uma audiência relacionada às suspeitas de crimes envolvendo o Ueno Bank.