O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña foi retirado de sua residência, em Assunção, e levado para uma instalação militar na madrugada deste sábado (7), após uma noite de protestos contra sua permanência em prisão domiciliar. A transferência ocorreu por razões de segurança, depois que manifestantes entraram em confronto com policiais nas proximidades do imóvel. A informação foi divulgada pelo jornal paraguaio ABC Color.
Peña foi conduzido ao Regimento de Escolta Presidencial, unidade das Forças Armadas responsável pela proteção de autoridades paraguaias e de representantes estrangeiros em visitas oficiais. O local não funciona como estabelecimento prisional convencional.
A mudança ocorreu poucas horas depois de o político ser destituído da Presidência pelo Senado paraguaio, na sexta-feira (6).
Durante a noite, manifestantes se concentraram diante da residência de Peña para exigir que ele fosse encaminhado a um presídio. A mobilização terminou em confronto com as forças de segurança, e um comissário de polícia sofreu um ferimento na região do rosto.
Segundo informações publicadas pelo UOL, autoridades policiais alertaram para a possível presença de pessoas infiltradas entre os manifestantes. A suspeita também foi relatada pelo jornal ABC Color.
A retirada do ex-presidente ocorreu pouco antes da meia-noite. Um comboio de veículos deixou o imóvel sob protestos, com gritos dirigidos a Peña e arremesso de ovos.
Crise bancária levou à queda do presidente
A destituição de Santiago Peña ocorreu em meio às consequências econômicas e políticas do colapso do Ueno Bank, instituição financeira da qual ele foi acionista até 2025.
De acordo com informações publicadas pelo jornal O Globo, aproximadamente 40% da população paraguaia mantinha contas no banco. A quebra da instituição deixou clientes sem acesso a recursos e provocou dificuldades para atividades comerciais no país.
A instituição também concentrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo valores vinculados ao sistema previdenciário paraguaio.
Peña passou a ser investigado por suspeitas de irregularidades envolvendo a relação entre sua atuação no governo e os interesses do banco. Entre os possíveis crimes apontados pelo Ministério Público paraguaio estão lesão de confiança, tráfico de influência e administração em proveito próprio.
O ex-presidente nega ter cometido os crimes investigados. As autoridades ainda deverão esclarecer as condutas específicas atribuídas a ele no processo.
Na sexta-feira, antes da conclusão do impeachment, Peña anunciou sua renúncia à Presidência. A iniciativa, porém, não impediu que o Senado prosseguisse com o julgamento político, encerrado com a aprovação unânime de sua destituição.
A defesa questionou a continuidade do processo após a renúncia e alegou violações ao direito de defesa e ao devido processo legal.
Vice-presidente assume o governo
Com a saída de Peña, o então vice-presidente Pedro Alliana, também integrante do Partido Colorado, assumiu a Presidência do Paraguai ainda na sexta-feira.
Alliana é ligado ao ex-presidente Horacio Cartes, uma das principais lideranças da legenda que governa o país.
Enquanto o novo governo assume a condução da crise, Peña deverá prestar esclarecimentos às autoridades responsáveis pela investigação financeira.
Segundo a imprensa paraguaia, estava previsto para este sábado o comparecimento do ex-presidente à promotoria para uma audiência relacionada às suspeitas de crimes envolvendo o Ueno Bank.