O Banco Central do Paraguai anunciou, neste sábado (7), que já restituiu cerca de R$ 885 milhões a aproximadamente 1,2 milhão de clientes do Ueno Bank, instituição financeira que teve as atividades encerradas nesta semana.
A quebra do banco provocou o bloqueio de contas de milhões de paraguaios e desencadeou uma crise política que culminou na destituição e prisão do presidente Santiago Peña, na sexta-feira (6).
Segundo o presidente interino do Banco Central paraguaio, Pedro Acosta, foram devolvidos 996 bilhões de guaranis a 1.196.000 correntistas. O gestor participou de uma entrevista coletiva no Palácio de López, sede do governo.
Os pagamentos são realizados com recursos do Fundo de Garantia de Depósitos (FGD), mecanismo destinado a proteger clientes de instituições financeiras que não conseguem cumprir suas obrigações.
A primeira etapa da restituição contemplou pessoas que mantinham até 10 milhões de guaranis em suas contas. Em seguida, o Banco Central iniciou uma nova fase, com antecipação de até 121,76 milhões de guaranis por cliente.
Ao todo, o FGD prevê a cobertura de até 75 salários mínimos, aproximadamente 228,3 milhões de guaranis por pessoa. O Banco Central também estuda alternativas para atender clientes cujos depósitos ultrapassam os valores cobertos pelo mecanismo de garantia.
Aposentados terão pagamentos mantidos
A crise do Ueno Bank também atingiu beneficiários do Instituto de Previdência Social (IPS) do Paraguai, que utilizavam a instituição para receber aposentadorias e pensões. Dos aproximadamente 90 mil aposentados vinculados ao sistema, cerca de 32 mil recebiam os benefícios por meio do banco que teve as atividades encerradas.
O presidente do IPS, Derlis León, informou que os pagamentos previstos para 17 de novembro serão realizados normalmente. Para isso, o órgão está transferindo as contas dos beneficiários para outras oito instituições financeiras do país.
O Ueno Bank era o maior banco digital do Paraguai e uma das principais instituições emissoras de cartões de crédito do país, com aproximadamente 3 milhões de clientes.
A crise teve origem no agravamento da situação financeira da instituição, que passou a apresentar índices de solvência inferiores aos exigidos pelas autoridades reguladoras. O indicador mede a capacidade de um banco de cumprir suas obrigações financeiras.
Após identificar o problema, o Banco Central paraguaio interveio na instituição e determinou o encerramento de suas atividades, deixando milhões de correntistas temporariamente sem acesso aos recursos depositados.