Grupos de defesa dos direitos humanos, organismos internacionais, agências de notícias e vários países condenaram energicamente, nessa segunda-feira (25), o ataque israelense contra o Hospital Nasser na Faixa de Gaza, que deixou pelo menos 20 mortos, incluindo cinco jornalistas.
A agência de notícias britânico-canadense Reuters e a americana The Associated Press (AP) expressaram consternação após a morte de seus colaboradores nos ataques. As empresas ainda exigiram “responsabilização urgente e transparente” de Israel. “Estamos indignados que jornalistas independentes estejam entre as vítimas deste ataque ao hospital, um local protegido pelo direito internacional”, escreveram a editora executiva e vice-presidente sênior da AP, Julie Pace, e a editora-chefe da Reuters, Alessandra Galloni. Conforme divulgado pela CNN, elas assinam carta enviada a autoridades israelenses nesta terça-feira (26).
Em um comunicado à imprensa, o Sindicato dos Jornalistas Palestinos informou que os profissionais mortos são Hossam Al-Masri, Mohammad Salama, Mariam Abu Dagga, Moath Abu Taha e Ahmed Abu Aziz.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, lamentou "profundamente" o bombardeio, que classificou como um "trágico acidente".
Ravina Shamdasani, porta-voz do Alto Comissariado para os Direitos Humanos da ONU, reiterou que jornalistas e hospitais não são alvos militares. "O assassinato de jornalistas em Gaza deveria chocar o mundo, não para ficar atônito em silêncio, mas para agir, exigindo responsabilidades e justiça", declarou.
O diretor da agência da ONU para os refugiados palestinos (UNRWA), Philippe Lazzarini, denunciou a falta de ação "escandalosa" da comunidade internacional diante da guerra em Gaza. Esse ataque equivale a "silenciar as últimas vozes que denunciam a morte silenciosa das crianças vítimas da fome", afirmou Lazzarini, no X.
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Países se manifestam
O ministro das Relações Exteriores britânico, David Lammy, disse estar "horrorizado" pelo ataque e que "os civis, os trabalhadores da saúde e os jornalistas devem ser protegidos".
O bombardeio é "intolerável", conforme o presidente francês, Emmanuel Macron, que pediu para Israel "respeitar o direito internacional". "Os civis e os jornalistas devem ser protegidos em todas as circunstâncias. Os veículos de comunicação devem poder exercer sua missão de forma livre e independente para cobrir a realidade do conflito", expressou Macron no X, após uma conversa por telefone com o emir do Catar.
Já a Alemanha indicou que ficou "chocada com a morte de vários jornalistas, socorristas e outros civis" nos ataques aéreos israelenses contra o hospital.
"Esse ataque deve ser investigado", disse no X o Ministério das Relações Exteriores, que pediu a Israel que permita “o acesso imediato da imprensa estrangeira independente” e garanta “a proteção dos jornalistas que trabalham em Gaza".
O porta-voz da chancelaria iraniana, Esmail Baghai, condenou fortemente os ataques israelenses contra o hospital, descrevendo-os como "crime atroz".
"Os apoios políticos e militares do regime de ocupação, em particular os Estados Unidos, cúmplices e parceiros dos crimes atrozes cometidos contra o povo palestino, devem prestar contas diante da comunidade internacional", defendeu.
O Ministério das Relações Exteriores do Catar deplorou os ataques israelenses, que constituem "um novo episódio na série de crimes repugnantes cometidos pela ocupação contra o povo palestino irmão e uma violação flagrante do direito internacional".
O ataque a jornalistas e pessoal médico "requer uma ação internacional urgente e decisiva", acrescentou.
ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) se manifesta
A ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) condenou "com a maior firmeza" o assassinato de jornalistas e pediu uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU "para pôr fim a esse massacre".
A Associação da Imprensa Estrangeira em Jerusalém - que representa jornalistas em Israel e nos territórios palestinos - exigiu do exército e do governo israelense uma "explicação imediata" sobre os ataques e pediu "que cesse de uma vez por todas sua prática abominável de atacar jornalistas".
Também os Médicos Sem Fronteiras condenaram energicamente os "terríveis ataques perpetrados hoje por Israel contra o complexo médico Nasser", o único hospital público que funciona parcialmente no sul de Gaza. "Nos últimos 22 meses, vimos como as forças israelenses destruíram centros de saúde, silenciaram jornalistas e soterraram trabalhadores da saúde sob escombros", denunciou no X a ONG.
"Enquanto Israel segue ignorando o direito internacional, as únicas testemunhas de sua campanha genocida estão sendo atacadas deliberadamente. Isso deve acabar agora", exortou.