Remédio popular contra hipertensão pode ter efeito sobre perda de peso; entenda pesquisa

Estudo apontou que a losartana tem potencial de ativar a gordura marrom, que queima calorias.

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
07 de Novembro de 2026 - 20:29 (Atualizado às 20:31)
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Legenda: Apesar dos achados, ainda não é possível afirmar que o remédio provoque emagrecimento em pessoas.
Foto: Divulgação.

Um medicamento amplamente utilizado no tratamento da hipertensão pode ter uma atuação relacionada à queima de gordura. Pesquisadores descobriram que a losartana, utilizada no controle da hipertensão arterial, consegue estimular a atividade da gordura marrom, tecido capaz de gastar energia para produzir calor. 

O estudo, publicado na revista científica Nature em 14 de outubro de 2026, foi conduzido por pesquisadores de instituições norte-americanas, incluindo a Universidade Rockefeller e a Weill Cornell Medicine. A pesquisa utilizou dados médicos de mais de 100 mil pacientes com câncer, além de experimentos em camundongos e em células cultivadas em laboratório.

O resultado, porém, ainda não permite afirmar que o remédio provoque emagrecimento em pessoas. Nos experimentos com animais, o medicamento aumentou o gasto energético, mas não produziu redução significativa do peso corporal.

Os dados analisados incluíram 101.243 pacientes submetidos a exames de PET no Memorial Sloan Kettering Cancer Center entre 2018 e 2024. Em 8.897 deles, pouco menos de 9% do total, foi identificada gordura marrom em pelo menos um exame.

Esse tipo de tecido adiposo se diferencia da gordura branca, mais conhecida por armazenar energia, porque, quando ativado, ele utiliza calorias para produzir calor, processo conhecido como termogênese.

Como funciona a pesquisa

Os pesquisadores observaram que a presença desse tecido estava associada a determinados indicadores de saúde. Pessoas com gordura marrom apresentaram menor frequência de diabetes tipo 2 e de doença cardíaca isquêmica crônica, além de menores probabilidades de registros de ansiedade e depressão.

No caso do diabetes tipo 2, a probabilidade de ocorrência foi menos da metade entre os pacientes que apresentavam gordura marrom. Para a doença cardíaca isquêmica crônica, a redução observada foi de aproximadamente 50%.

A análise também considerou 125 medicamentos utilizados pelos pacientes no mês anterior aos exames. Desses, 39 apresentaram alguma associação com a presença de gordura marrom.

A losartana se destacou entre os medicamentos associados positivamente ao tecido. O levantamento apontou que 2,4% dos pacientes com gordura marrom utilizavam o remédio, ante 1,9% daqueles que não apresentavam esse tipo de tecido. A valsartana, outro medicamento da mesma classe, também apareceu relacionada à presença de gordura marrom.

A diferença pode parecer pequena, mas chamou a atenção dos pesquisadores porque a losartana apresentou uma possível atuação sobre a gordura marrom que não depende diretamente do mecanismo pelo qual o medicamento reduz a pressão arterial.

Como a losartana pode estar relacionada à gordura

A losartana bloqueia um receptor do hormônio angiotensina, ação responsável por parte de seu efeito anti-hipertensivo. Nos experimentos realizados pela equipe, porém, o medicamento continuou atuando sobre células de gordura marrom mesmo quando esse receptor teve sua atividade reduzida.

Os pesquisadores identificaram indícios de que a ação estaria relacionada à PPAR-gama, proteína que funciona como um importante regulador do desenvolvimento e do funcionamento das células de gordura.

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