Tenente da PM acusado por duplo homicídio deve ir a júri 13 anos após o crime

No ano passado, o TJCE decidiu transferir para Fortaleza o julgamento do policial

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
16 de Outubro de 2026 - 06:00
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Legenda: De acordo com a denúncia do MPCE, o crime aconteceu em 20 de janeiro de 2013, por motivo fútil e com emprego de recurso que dificultou a defesa das vítimas.
Foto: Natinho Rodrigues

A Justiça do Ceará marcou nova data para o tenente da Polícia Militar José Airton Barbosa de Andrade sentar no banco dos réus. Após três remarcações, o julgamento está marcado para acontecer no próximo dia 7 de dezembro, a partir das 8h30.

A sessão está prevista para ser realizada no 1º salão do Júri, do Fórum Clóvis Beviláqua, em Fortaleza. O agente é acusado por um duplo homicídio, ocorrido há 13 anos, em um bar em São Gonçalo do Amarante.

No ano passado, o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) decidiu transferir para Fortaleza o júri popular do PM após um pedido de 'desaforamento' do Ministério Público do Ceará (MPCE). 

O MP pontuou que o PM tem influência na cidade onde o crime aconteceu e alegou que a esposa do réu é testemunha no processo e servidora do Fórum de São Gonçalo, "com isso há necessidade de resguardar a imparcialidade dos jurados".

A defesa disse à reportagem ainda no ano passado que independente de onde o júri acontecer "provará a inocência do policial".

DESAVENÇAS

De acordo com a denúncia do MPCE, o crime aconteceu em 20 de janeiro de 2013, por motivo fútil e com emprego de recurso que dificultou a defesa das vítimas.

 

José Roberto Gabriel Duarte e Francisco Ferreira de Abreu, o 'Chico', estavam em uma seresta, no bar. Havia informações de que José Airton e Chico tinham desavenças.

Todos aproveitavam a noite e estavam sentados em mesas próximas. Até que na madrugada o sobrinho do acusado teria decidido ligar um paredão de som, o que prejudicou ouvir a banda que estava no local.

O dono do bar teria ido até o proprietário do som pedindo que desligasse, mas o jovem se negou e disse que "quem mandava ali era ele".

Segundo a denúncia do MP, o denunciado teria pedido a conta para ir embora, mas antes disso ficou tentando ir na mesa onde estavam as vítimas, que já tinham se mostrado incomodadas com o paredão de som, quando foi até a mesa, deu um tapa em 'Chico' e sacou o revólver. 

A outra vítima, José Roberto, quando tentou impedir os disparos, também foi atingido e morto.
 

Uma testemunha chegou a dizer que o réu, por ser tenente da PM, tinha costume de andar armado, mesmo fora do serviço, "tendo comportamento agressivo e violento".

A acusação destacou que o denunciado "demonstrou desprezo pela vida humana, tendo em vista que, ao efetuar os referidos disparos em direção às vítimas, não se preocupou com as várias pessoas que estavam em volta, como a sua companheira e seu sobrinho".

No dia 1º de agosto de 2014, o tenente foi pronunciado. Ele chegou a recorrer, mas a ida a júri popular foi mantida nas instâncias superiores.

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