Réu planejou morte de ex-namorada para noiva não saber de encontros em Morrinhos, no CE

Justiça recebeu denúncia do MPCE contra Francisco Dionatas Mota de Sousa, de 18 anos.

Escrito por Italo Cosme italo.cosme@svm.com.br
26 de Agosto de 2026 - 15:10 (Atualizado às 16:17)
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Legenda: À esquerda, Francisco Dionatas, réu pelo feminicídio de Ana Rérica, em Morrinhos, em maio deste ano.
Foto: Reprodução.

Francisco Dionatas Mota de Sousa, de 18 anos, conhecido como "Diones", tornou-se oficialmente réu perante a Justiça do Ceará. O Ministério Público do Ceará (MPCE) denunciou o jovem pelo crime de homicídio triplamente qualificado, feminicídio, meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima, Ana Rérica de Messias, de 19 anos. O crime ocorreu em 29 de maio deste ano, na cidade de Morrinhos, na zona norte do Ceará.

Conforme a acusação do órgão ministerial, o réu premeditou e executou o crime motivado pelo temor de que sua atual noiva descobrisse que ele vinha se encontrando às escondidas com a ex-namorada, Ana Rérica. 

A denúncia oferecida pelo MPCE foi recebida pelo juiz substituto José Rodrigues de Lima Neto, da 1ª Vara da Comarca de Marco, após a confirmação de indícios suficientes de autoria e da materialidade do crime. 

Após a Justiça acatar a denúncia, a defesa do acusado, sob a representação da advogada Francisca Mikaelly Barros Sousa, protocolou uma petição solicitando a atribuição de sigilo absoluto aos autos.

O argumento principal foi de que documentos sensíveis da investigação, incluindo detalhes do laudo cadavérico, fotografias e vídeos do local do crime, estavam sendo indevidamente vazados e explorados por páginas de notícias e redes sociais locais.

A promotoria manifestou-se favoravelmente ao pedido de segredo de justiça, ressaltando que o crime envolvia a intimidade familiar e que a medida resguardaria a dignidade e a honra da jovem assassinada e de seus parentes.

Entretanto, nesta semana, o juiz José Rodrigues de Lima Neto indeferiu o pedido da defesa de colocar todo o processo sob segredo. O magistrado justificou que o princípio constitucional da publicidade dos atos processuais deve ser mantido, não havendo requisitos excepcionais para o sigilo total da ação. 

Em contrapartida, para evitar a revitimização e proteger a honra da jovem, o juiz determinou em caráter definitivo o resguardo e o sigilo exclusivo sobre o nome da vítima nos sistemas de consulta pública.

Feminicídio em estrada de terra

O crime ocorreu na noite de 29 de maio de 2026, por volta das 21h, em uma estrada vicinal escura e deserta localizada atrás de um posto de combustíveis na localidade de Bom Princípio, na zona rural de Morrinhos. 

Francisco Dionatas e a vítima haviam namorado no passado e estavam separados há cerca de quatro anos. Contudo, dias antes do ocorrido, Dionatas procurou a vítima simulando um desejo de reaproximação amorosa, mentindo que estava solteiro e havia terminado seu relacionamento atual.

Rérica aceitou encontrar-se com o ex-namorado em uma região erma. No local combinado, Dionatas a atacou brutalmente utilizando uma faca de cozinha. 

De acordo com os exames periciais realizados pela Perícia Forense (Pefoce), a vítima tentou se defender dos primeiros ataques, o que resultou em uma lesão de defesa no antebraço esquerdo. 

Ela ainda conseguiu desembarcar de sua motocicleta e correr a pé pela estrada de terra para tentar fugir. No entanto, foi alcançada pelo agressor e golpeada diversas vezes na região do pescoço, face e dorso. 

A faca utilizada no crime e o aparelho celular da vítima foram posteriormente localizados por familiares escondidos em um matagal próximo à cena do crime. 

O suspeito tem 18 anos e foi preso em 23 de junho.
Legenda: O suspeito tem 18 anos e foi preso em 23 de junho.
Foto: Reprodução.

Prisão do acusado

Francisco Dionatas foi preso quase um mês da morte da jovem e atualmente encontra-se preso na Unidade Prisional de Sobral (UP-Sobral), onde aguarda as próximas fases do julgamento pelo Tribunal do Júri.

Além do mandado de prisão, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão, sendo um deles na casa do investigado. Foram apreendidos aparelhos celulares e outros objetos que devem contribuir com o aprofundamento das investigações.

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