A PM Júlia Natália Girão Gomes, indiciada pela morte do policial Raphael Sampaio da Silva, soldado da PM assassinado a tiros e carbonizado, pagou R$ 50 a um colega para trocar o plantão e estar presente com o PM na noite em que ele foi vítima do crime. A investigação ainda descobriu que os disparos contra o soldado Raphael ocorreram a cerca de 30 metros da residência de Júlia e do marido dela, Antoneudo Ribeiro Lima Júnior, também indiciado pela Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE).
A testemunha que vendeu a vaga no plantão teria informado que Júlia não tinha o hábito de pagar por permutas, mas insistiu incisivamente para trabalhar naquela data, em 11 de agosto. Horas após o fim do serviço, Raphael foi atraído para a morte. A Polícia acredita que o casal premeditou a morte.
Os disparos contra o PM teriam ocorrido por volta das 03h06 da madrugada de 11 de agosto. Ele estava em seu carro com Júlia, que teria pedido uma carona após o expediente. Na região da Grande Messejana, um veículo, que a Polícia acredita ser de Antoneudo, aproximou-se e interceptou o policial.
[ATUALIZAÇÃO às 17h14]
O Ministério Público do Ceará informou por nota que "a força-tarefa instituída para acompanhar o caso está analisando o inquérito policial e apresentará a denúncia à Justiça dentro do prazo legal".
A morte de Raphael aconteceu na Rua Florêncio Fontenele, onde moram Júlia e o marido, no bairro Jangurussu. O carro de Raphael chegou ao local por volta das 02h40, onde eles permaneceram sozinhos no veículo por cerca de 21 minutos, até que um segundo carro se aproximou e uma pessoa desceu para realizar o homicídio.
Por volta das 03h06, são ouvidos os disparos que teriam vitimado o soldado. Segundos depois, é iniciada a movimentação dos dois automóveis, quando é traçado o caminho até Itaitinga, na Grande Fortaleza, onde o corpo de Raphael foi carbonizado.
O segundo carro, de modelo Prisma, segundo a Polícia, foi confirmado como pertencente a Antoneudo. Esse veículo foi apreendido no dia 14 de agosto. A perícia encontrou digitais dele no veículo e, para a PCCE, há fortes indícios de que ele tenha executado os disparos. Raphael foi atingido por dois tiros na parte de trás da cabeça e ainda teve uma terceira lesão na parte superior e lateral do lado direito da cabeça.
Ainda segundo laudos periciais, Antoneudo teve um ferimento compatível com queimadura de segundo grau, indicando que ele queimou o automóvel do PM com o militar dentro, segundo antecipado pelo Diário do Nordeste em matéria publicada no último sábado (22).
PM morto pretendia se divorciar
Depoimentos do caso apontaram que Raphael pretendia se divorciar para assumir publicamente o relacionamento com Júlia, que também era casada, mas vivia um casamento conturbado, inclusive já marcado por pelo menos uma separação.
Na véspera do homicídio, o PM teria comunicado a um "amigo próximo" que havia conversado com Júlia e que ambos teriam concordado em se separar dos seus atuais cônjuges para iniciar uma relação pública juntos.
O marido de Júlia já saberia do caso e nutria forte ciúme. Foi apurado que Antoneudo "olhava torto" para Raphael quando comparecia ao batalhão, justamente por já saber que ele era amante de sua esposa. O homem saberia que estava sendo traído desde que foi solto da prisão no início deste ano, onde estava preso por estelionato.
Casal indiciado
Júlia Antoneudo Ribeiro Lima Júnior foram indiciados pela PCCE por homicídio qualificado, que teria sido praticado por motivo fútil, visto que entre Júlia e o soldado morto havia um relacionamento extraconjugal.
Há ainda indícios de retaliação, ciúme e possessividade envolvidos, conforme a investigação, conduzida pela Delegacia de Homicídios contra Agentes de Segurança Pública do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP).
Após o indiciamento, que foi feito na última sexta-feira (21), o caso foi enviado novamente à Justiça e ao Ministério Público do Ceará (MPCE), que devem se posicionar. O Diário do Nordeste solicitou nota atualizada sobre o caso à PCCE, mas não recebeu retorno até a publicação desta matéria.
O advogado de Júlia, Walmir Medeiros, informou que pediu à Justiça a soltura da soldado, e disse que só vai se posicionar sobre o indiciamento após a manifestação dos outros órgãos. Já a advogada de Antoneudo não respondeu à reportagem.