Policial acusado de tentar subornar colega para recuperar celular apreendido será julgado por corrupção

O investigador da Polícia Civil do Ceará é reu na Justiça pelos crimes de corrupção ativa e tentativa de fraude processual. Ele ofereceu entre R$ 10 e R$ 50 mil pelo aparelho.

Escrito por Matheus Facundo matheus.facundo@svm.com.br
18 de Outubro de 2026 - 07:00
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Legenda: Investigadores se encontraram em estacionamento.
Foto: Reprodução/Inquérito Policial.

O policial civil Francisco Aristófanes Chaves Taveira, réu na Justiça do Ceará após tentar subornar um colega de farda em 2025 para tentar recuperar um celular apreendido em uma operação, será julgado por corrupção ativa e tentativa de fraude processual. O acusado havia denunciado na Lei da Organização Criminosa, mas em decisão no último dia 8 de outubro, o colegiado da Vara de Delitos de Organizações Criminosas rejeitou o crime e determinou que o caso fosse enviado às Varas Criminais. 

Aristófanes faz parte do corpo do Sindicato dos Policiais Civis de Carreira do Estado do Ceará (Sinpol-CE) como Diretor de Formação Sindical. 

A tese do Ministério Público do Ceará (MPCE) que foi afastada pelo Poder Judiciário era a de que o oficial investigador também havia cometido o crime de embaraço à investigação de organização criminosa.

Segundo a investigação, Aristófanes ofereceu entre R$ 10 mil e R$ 50 mil para o policial civil Welson Gomes Pires, que atuou na operação por meio da Delegacia Metropolitana de Caucaia. 

Em nota, Sinpol-CE pontuou que o agente permanece na diretoria, e destacou que ele possui "28 anos de atuação nas forças de segurança, possui uma trajetória profissional sem registro anterior de qualquer processo judicial". 

O Sinpol ressalta que os fatos apurados dizem respeito à atuação individual do policial e não se confundem com a atividade institucional do Sindicato. A atividade policial, por sua própria natureza, está permanentemente sujeita aos mecanismos regulares de controle e fiscalização das instituições competentes, aos quais cabe a apuração dos fatos com observância do contraditório, da ampla defesa e da presunção de inocência.O Sinpol-CE reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e o devido processo legal
Sinpol-CE

Celular apreendido em operação contra facção 

Os dois Oficiais Investigadores de Polícia (OIPs) se encontraram no estacionamento de uma concessionária no bairro Antônio Bezerra. Em depoimento, o policial vítima do crime disse que só foi ao local do encontro após receber mensagem de uma pessoa que se identificou como 'Ari', o qual ele pensou ser um funcionário de serviços gerais da delegacia de Caucaia, de mesmo nome. 

A tentativa de suborno ocorreu em 17 de julho de 2025, dois dias depois da deflagração da Operação Tropa do Empresário, pela Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE). O grupo criminoso alvo teria lavado dinheiro com R$ 1,5 milhão em cheques para o Comando Vermelho. 

A defesa de Aristófanes foi procurada pela reportagem para comentar o processo criminal, mas, até a publicação desta matéria, não retornou com a nota. 

O agente de segurança estaria em busca do celular de Maysson Jefferson Lima dos Santos, um dos alvos policiais, para impedir a extração de dados do aparelho. Ele teria chegado a pedir também o ofício de transferência de celulares apreendidos na força-tarefa para tentar agir "por outra frente". 

O réu teria usado a palavra "racha" para tentar esconder a negociação ilícita, e ainda teria oferecido a substituição do celular alvo da polícia por um semelhante. 

Ao contrário do que narrou a vítima e do que diz a investigação, o oficial investigador negou a tentativa de suborno e disse que havia marcado o encontro para tratar sobre um foragido da justiça, alvo de vários mandados de prisão que estaria se escondendo em Caucaia.

Ele afirmou que o objetivo do encontro presencial era manter discrição e pedir apoio da delegacia da qual Welson faz parte para a deflagração de uma operação policial. Ainda em depoimento, o investigador disse que o colega de farda "emendou um assunto" sobre a liberação do campo de futebol do Sinpol-CE para ele e terceiros, por isso que em uma mensagem aparece menção a "racha". 

Um relatório da Delegacia de Assuntos Internos (DAI) a qual o Diário do Nordeste obteve acesso explicou que o policial vítima da tentativa de suborno não efetuou prisão em flagrante no dia do fato, pois estava sozinho, sem testemunhas e sem elementos probatórios suficientes no momento. 

A reportagem solicitou um posicionamento à defesa do agente de segurança, mas não recebeu retorno até a publicação desta matéria. 

Um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) chegou a ser aberto contra o policial civil por meio da a Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD).

Por nota, a CGD informou nesta quinta-feira (15) que o processo segue em trâmite, "conforme ordenamento jurídico vigente". 

"A Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD) informa que instaurou procedimento disciplinar para investigar a ocorrência no âmbito administrativo", pontuou o órgão. 

Lavagem de dinheiro e tráfico de drogas  

A operação "Tropa do Empresário" apreendeu em julho do ano passado dezenas de cheques na casa de um homem suspeito de traficar drogas na Região Metropolitana de Fortaleza. Os alvos atuariam lavando dinheiro do tráfico para o CV. 

Cinco suspeitos de integrarem a organização criminosa conhecida como 'Tropa do Empresário' foram presos, na Operação
Legenda: Cinco suspeitos de integrarem a organização criminosa conhecida como 'Tropa do Empresário' foram presos, na Operação
Foto: Reprodução

A investigação começou após a análise de dados extraídos do celular de um traficante preso em 2022. O homem comercializava entorpecentes em cidades litorâneas do Ceará, especialmente em Jijoca de Jericoacoara, e na praia do Cumbuco, em Caucaia.

A força-tarefa foi coordenada pelo Departamento de Polícia Metropolitana e à época prendeu cinco alvos por tráfico de drogas e por integrar grupo criminoso. Dos presos, quatro foram em virtude de mandados de prisão expedidos pela Justiça e outro em flagrante.

Além da relação com o Rio de Janeiro, devido à facção de origem carioca, a Polícia identificou que o esquema atua em São Paulo, Piauí, Paraná e Goiás. "O nome da operação, 'Tropa do Empresário', tem origem na investigação de um homem suspeito de organizar o esquema no Paraná, responsável pelo tráfico de droga nos estados citados", explicou a Polícia C

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