Fortaleza passou a liderar o ranking das cidades do Brasil com maior cadastro de projéteis e estojos de munições no Sistema Nacional de Análise Balística (Sinab).
De acordo com a Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce), de janeiro a 15 de outubro deste ano, foram registrados 5.030 cadastros só na unidade localizada na capital cearense.
Só neste ano, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), "foram confirmadas 346 coincidências entre projéteis e/ou padrão de armas no mesmo período, colocando Fortaleza entre as três primeiras cidades colocadas no ranking".
O Brasil dispõe do Sinab desde 2022.
No fim de 2025, a Capital ocupava a terceira posição, atrás de Porto Alegre e Minas Gerais. Os dados do Sinab mostram ainda que a maior parte desses elementos balísticos permanecem sendo os de calibre 38.
De acordo com Douglas Duque, coordenador de Perícia Criminal da Pefoce, a posição no ranking não demonstra que a Capital cearense tem mais crimes com armas de fogo, mas sim uma eficiência maior.
"Em Fortaleza, o calibre .38 Special é o que mais aparece nos vestígios inseridos no SINAB, seguido pelo .40 e pelo 9 mm. Esses dados são importantes porque ajudam a perícia a identificar se uma mesma arma pode estar relacionada a diferentes crimes, contribuindo para as investigações e para a segurança da população. Importante destacar que não significam que esse seja o calibre mais utilizado em todos os crimes da cidade", afirma.
Segundo o coodenador, "o banco balístico é uma ferramenta muito importante para a perícia criminal, pois permite relacionar vestígios balísticos encontrados em diferentes ocorrências e/ou de vítimas mesmo quando os crimes acontecem em locais e momentos distintos. Ele serve para ajudar a identificar possíveis conexões entre casos e gerar informações que podem contribuir diretamente com as investigações".
CENA DO CRIME
A Pefoce destaca que o Núcleo de Balística Forense (Nubaf) "desempenha um papel fundamental na investigação de crimes envolvendo armas de fogo. Entre as atribuições do setor estão a avaliação do funcionamento e possíveis defeitos nas armas, a análise de deformação das munições, a verificação das hipóteses de disparos acidentais e contribuição para a reconstituição da trajetória dos projéteis em locais de crime".
"O trabalho também permite identificar se um projétil encontrado na cena do crime ou retirado do corpo de uma vítima foi disparado por uma arma específica"
Também é função do núcleo realizar exames em armamentos apreendidos "para atender às exigências da legislação penal e processual penal, mediante solicitação das autoridades policiais ou do Ministério Público".
No ano passado, as Forças de Segurança do Ceará apreenderam pouco mais de 7 mil armas de fogo e a Pefoce produziu 6.342 laudos.
"Já em 2026, de janeiro até setembro, foram apreendidas 3.857 armas de fogo pelas polícias e foram produzidos 6.322 laudos balísticos. Além disso, o Banco Balístico do Ceará já auxiliou 1.270 inquéritos e identificou 235 armas ligadas à crimes cometidos no Estado", destacou a vinculada.