O pastor Alan Pereira Vicente, de 38 anos, preso em maio deste ano acusado de violentar sexualmente mulheres que frequentavam a igreja que liderava, foi denunciado pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) pelos crimes de estupro e violação sexual mediante fraude.
O homem havia sido preso preventivamente no bairro Antônio Bezerra, em Fortaleza, após ser denunciado pelas vítimas.
Diante da decisão, tomada a partir de elementos citados como suficientes para a ação penal, o líder evangélico será ouvido pela Justiça. Vítimas e testemunhas do caso também devem ser ouvidas.
Segundo o MPCE, Alan Pereira Vicente se aproveitava da posição de liderança religiosa para "manipular as vítimas mediante discursos de cunho espiritual".
Ele dizia possuir dons sobrenaturais capazes de identificar doenças e realizar curas, submetendo fiéis a supostos rituais de "cura espiritual".
Ainda conforme as investigações do caso, Alan ainda dizia que as mulheres estavam doentes. Uma das vítimas chegou a ouvir que estaria com câncer no útero, sendo encaminhada a um atendimento privado.
Esses momentos, no entanto, consistiam na prática de atos libidinosos e outros crimes de natureza sexual.
Denúncias contra pastor levaram à prisão
Em maio deste ano, ao menos três mulheres denunciaram Alan por atos semelhantes aos citados. Uma das vítimas relatou que o líder religioso sempre utilizava uma "desculpa" para encontrar as mulheres em posições vulneráveis, alegando "que elas tinham câncer e era preciso tirar uma bola de sangue que havia no útero".
Outro relato apontou que uma das vítimas foi convencida a ir a um motel pelo pastor, sob alegações de que um ritual precisava ser feito nela. A mulher afirmou ter procurado Alan porque vinha tendo complicações depois do parto.
Ele, por sua vez, teria dito à mulher que "ela tinha algo espiritual e que precisava colocar a mão dentro da parte íntima dela para retirar essa bola".
Após questionamentos sobre isso era necessário, o pastor afirmou que sim, citando um trecho da Bíblia e relatando que "já tinha sugerido isso para outra irmã na igreja, mas que essa irmã não permitiu e que ela veio a falecer dessa suposta doença".
Além dos crimes sexuais, o pastor ainda teria ameaçado as vítimas. Ao saber das denúncias, ele supostamente as ameaçou, argumentando que repassaria as informações à facção que, segundo ele, predominava na região.
O pastor também é acusado de fazer afirmações de cunho sexual dentro do ambiente religioso, assim como também teria tentado difamar as vítimas dos abusos dentro da igreja diante da possibilidade de ser exposto.