Justiça determina avaliação de sanidade mental de PM acusado de motim, feminicídio e homicídio

Rodrigo Aguiar Braga está detido no Presídio Militar do Ceará.

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
29 de Outubro de 2026 - 14:00
capa da noticia
Legenda: O PM é envolvido em uma série de crimes.
Foto: José Leomar/SVM.

A defesa de Rodrigo Aguiar Braga conseguiu na Justiça a suspensão do processo que apura a participação do soldado no motim de policiais militares em 2020. O PM, que também responde pelos crimes de feminicídio, homicídio e tentativa de homicídio, e é conhecido pelas autoridades como "matador de aluguel", terá suas condições de saúde mental avaliadas pela Perícia Forense do Ceará (Pefoce). O prazo para a apresentação do laudo pelo órgão é o próximo dia 31 de outubro.

De acordo com documentos obtidos pela reportagem, no pleito pela instauração do "incidente de insanidade", a defesa do policial alegou que ele porta patologias psiquiátricas, tendo apresentado atestados médicos e receitas de remédios controlados.

"Com a instauração do incidente, procura-se averiguar se o acusado era ou não responsável pelo fato narrado na denúncia, pois tais dúvidas versam principalmente sobre a existência de determinada anomalia psíquica, sobre o nível de desenvolvimento mental e sobre a capacidade de entendimento do caráter ilícito do fato", detalhou a Vara de Auditoria Militar.

A decisão é do último 16 de setembro e estabelece o prazo de 45 dias para que o exame seja feito pelo setor de psiquiatria da Pefoce, o que significa que um retorno sobre a análise pode ficar pronto até o fim deste mês de outubro.

Em contato com o Diário do Nordeste, o advogado Oswaldo Cardoso, que representa o PM, disse que "a defesa acredita na inocência de Rodrigo e reafirma seu compromisso com o esclarecimento dos fatos". "É fundamental que o caso seja analisado com razoabilidade, respeito à presunção de inocência e atenção à saúde do policial, sem julgamentos antecipados", acrescentou o defensor particular.

Entenda a acusação de envolvimento no motim

De acordo com a denúncia apresentada contra Rodrigo Aguiar Baga, o PM foi visto no 18º Batalhão da Polícia Militar do Ceará (PMCE), em Fortaleza, durante o amotinamento de parte da tropa da Corporação em 18 de fevereiro de 2020.

Uma foto do soldado circulou por aplicativos de mensagens como WhatsApp e Telegram. "O SD PM Aguiar foi visualizado em uma reunião de militares, estando fardado, com cobertura e óculos de grau, evidenciando sua participação no amotinamento. Entretanto, ao ser inquirido, o praça negou fazer parte do movimento em tela e alegou que se encontrava de LTS [Licença para Tratamento de Saúde] por 30 dias desde a data de 20/02/2020", diz trecho de um dos documentos do processo.

PM responde por participação em feminicídio, homicídio e tentativa de homicídio

Rodrigo Aguiar Braga figura entre os denunciados pelo assassinato de Maria Madalena Marques Matsunobu, de 64 anos. Ela era servidora pública do Eusébio e, segundo o Ministério Público do Ceará (MPCE), foi morta no ano passado a mando do ex-genro, o engenheiro eletricista Marcos Ozébio Pires, que teria "contratado" os serviços do PM e de outros dois para executar a ex-sogra.

Conforme a denúncia, Maria Madalena morreu na própria casa, na madrugada de 5 de abril de 2025. A motivação teria sido a "disputa judicial pela guarda dos dois filhos menores e de uma pensão deixada pela falecida mãe das crianças", que morreu de câncer em 2018. 

Rodrigo também aparece na cena de outro crime: o assassinato de Vinícius Cunha Batista, dono de uma rádio em Fortaleza. O empresário foi morto em maio do ano passado, a tiros, quando saía de uma padaria no bairro Engenheiro Luciano Cavalcante.

Quem também foram investigados por participação no crime foram os soldados Wellington Xavier de Farias Rebeca Júlia de Almeida Canuto. Ela era namorada de Rodrigo.

Rodrigo e Wellington teriam sido os executores. Já Rebeca, conforme as investigações, deu apoio logístico.

Anos antes, Rodrigo também teria tentado matar um adolescente de 17 anos, também no Luciano Cavalcante. O mandante teria sido o ex-patrão da vítima, em razão de um envolvimento amoroso do rapaz com a enteada do empresário e de um furto registrado na oficina dele, onde o adolescente trabalhava.

Este conteúdo é útil para você?
Assuntos Relacionados