Grupo denunciado pela morte de vereadora no Ceará teria ligação com o PCC

Assassinato teve relação com conflitos familiares, políticos e econômicos na região de Aiuaba.

23 de Outubro de 2026 - 06:00
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Legenda: Casa de vereadora foi invadida e ela foi morta a tiros em fevereiro de 2017
Foto: Reprodução.

Os cinco homens denunciados pelo assassinato da vereadora cearense Jucely Alves Arrais, de Aiuaba, no interior do Ceará, em 2017, teriam "contato e articulação" com integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). A reportagem apurou a informação em documentos do inquérito e junto a fontes da Polícia Civil e da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS).

O Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) ofereceu denúncia contra o grupo nesta quinta-feira (22), nove anos após o crime que aconteceu em meio a uma sequência de mortes na região. 

A morte de Cely Arrais ocorreu em um contexto de vingança iniciada após uma execução datada de 2016, alguns meses antes do crime. A violência teria se dado ainda por rivalidade entre famílias, disputas políticas e interesses econômicos. 

Os denunciados são:

  • Antônio Neves Pereira ("Sr. Tonho")
  • Francisco André Gonçalves Feitosa
  • Francisco Elton da Silva Sousa ("Teta do Felipe")
  • Antônio Eldo Nogueira de Sousa ("Eldo do Felipe")
  • Antônio de Araújo Chaves Neto ("Tonho da Ronda")

Neves teria orquestrado a morte de Cely, André teria fornecido transporte e dado apoio aos executores, enquanto os irmãos Elton e Eldo ficaram responsáveis por monitorar a vítima e levantar informações. O último denunciado teria dado apoio ao grupo criminoso. 

Um policial militar, que já foi afastado das funções e investigado por participar de uma "milícia", chegou a ser investigado por suspeita de participação no homicídio, mas não foi denunciado. 

Vereadora foi monitorada e ameaçada 

A reportagem apurou que semanas, antes de ser assassinada, a vereadora Cely Arrais começou a ser ameaçada com mensagens sobre seus familiares, principalmente sobre o marido Francisco Alves de Sousa, o 'Josa', que viria a ser morto menos de um mês depois da esposa. Ela teria expressado o medo de sofrer um atentado. 

A pessoa que estaria ameaçando a parlamentar seria Eldo Felipe, que mandava fotos de 'Josa' para Cely. 

Um dos denunciados, Elton, chegou a ser visto rondando a residência de Cely, nos dias que antecederam o crime, que ocorreu na localidade de Bom Nome, em Aiuaba. 

O vídeo do dia do atentado, ocorrido na localidade de Bom Nome, foi obtido pelo Diário do Nordeste em 2019. É possível ver o momento em que um carro modelo Palio estaciona em frente à casa de Cely e descem sete homens armados e encapuzados. Pelo menos três deles usavam coletes.  

Histórico de assassinatos na família 

Cely possuía um histórico de violência ligado a sua família. Em depoimento à Polícia Civil, a irmã da vereadora relatou que os conflitos remontam ao início dos anos 2000, com diversas mortes de parentes próximos.

O primeiro caso foi em 2001, quando o pai de Cely, Júlio Luis Arrais, foi morto na cidade de Pio IX, no Piauí, 'Marcos Baladeira' foi apontado como um dos supostos autores do crime. A morte dele anos depois teria desaguado no homicídio da parlamentar. 

A sequência de mortes seguiu em 2003, quando dois irmãos de Cely, Juleucy Alves Arrais e Juciley Alves Arrais, foram assassinados no distrito de Bom Nome, mesmo local da morte da parlamentar. Já no ano seguinte, em 2004, outros dois parentes da família também foram mortos: os tios Raimundo Alves Sobrinho e Antônio Jacinto Filho.

Mais de uma década depois, um mês antes de ser assassinada, a parlamentar perdeu o irmão, Juleudy Alves Arrais, em um ataque a tiros. 

Menos de um mês depois da morte da vereadora, o marido dela foi morto no bairro Bela Vista, em Fortaleza. Ele estava sentado na calçada de uma casa reunido com parentes quando foi surpreendido por homens que desceram de um veículo Corolla. 

'Josa' é irmão de José Valmir de Sousa, que também foi vereador de Aiuaba e acabou executado, em setembro de 2016, durante um comício na cidade.

Ainda em 2017, em abril, um novo ataque tirou a vida de Graciliano Bezerra Pereira, irmão do presidente da Câmara de Vereadores de Aiuaba, encontrado morto em um lava jato. 

Mas, segundo apuração da reportagem, investigações apontam que as retaliações se intensificaram após a morte de 'Marcos Baladeira' em outubro de 2016. Ele teria relação com um dos denunciados desta quinta. 

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