Integrante do CV é condenado a quase 30 anos de prisão por matar membro da mesma facção no CE

Disputas internas e a desconfiança de que a vítima passava informações para a Polícia teriam motivado o crime, ocorrido em 2025.

Escrito por Matheus Facundo matheus.facundo@svm.com.br
08 de Novembro de 2026 - 07:00 (Atualizado às 07:18)
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Legenda: Sentença foi proferida pela 6ª Vara Júri - Organização Criminosa.
Foto: Divulgação/TJCE.

Um homem apontado como membro da facção criminosa Comando Vermelho (CV) no Ceará foi condenado pelo Tribunal do Júri a 29 anos, 8 meses e 5 dias de prisão pelo assassinato de outro que também pertenceria ao mesmo grupo criminoso.  A morte teria sido motivada por disputas internas, além da suposição de que a vítima estaria repassando informações de crimes à Polícia. 

A condenação foi publicada no Diário da Justiça nesta sexta-feira (6). A sentença foi proferida pela 6ª Vara do Júri, vara especializada em julgar crimes cometidos no contexto das organizações criminosas, após votação do Conselho de Sentença na última quarta-feira (4).

O réu, Eli Johnson do Nascimento Sousa, é apontado como executor e foi considerado culpado pelos crimes de homicídio qualificado e organização criminosa armada. Os jurados reconheceram que o assassinato foi praticado pelo CV por "motivo torpe, mediante recurso que impossibilitou a defesa da vítima e com o uso de arma de fogo de uso restrito ou proibido". 

Antônio Alves Sabóia, conhecido como 'Hungria', foi assassinado a tiros em uma emboscada em maio de 2025, no bairro Henrique Jorge, em Fortaleza
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Na dosimetria da pena, o Colegiado de juízes considerou a violência empregada no crime, a quantidade de disparos efetuados e o fato de a vítima ter deixado duas filhas menores de idade. 

A condenação também foi agravada pois o réu é reincidente: conforme a sentença, ele já possuía uma condenação criminal definitiva e estava cumprindo pena quando praticou o novo crime.

A 6ª Vara Júri ainda manteve a prisão preventiva do condenado. O Diário do Nordeste procurou o advogado de Eli para solicitar um posicionamento acerca da condenação, mas não recebeu retorno até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto. 

Vítima atraída para morte

Segundo documentos judiciais aos quais o Diário do Nordeste obteve acesso, o crime ocorreu na noite de 16 de maio de 2025, por volta das 22h40, na Rua Santa Filomena, no Henrique Jorge.

'Hungria' foi atingida por diversos disparos de arma de fogo. O laudo cadavérico apontou 12 ferimentos provocados pelos tiros.

Conforme os autos processuais, a vítima foi atraída ao local do crime para supostamente tratar de uma dívida e de uma negociação de uma arma de fogo. Quando chegou ao local e desceu do carro, foi surpreendida por disparos de arma de fogo.

A vítima ainda tentou fugir, correndo em direção a um beco, mas foi alcançada pelos executores. 

"Há relatos testemunhais que corroboram com os indícios apontados pelo Ministério Público e evidenciam a possível participação dos acusados na organização criminosa 'Comando Vermelho', vez que apontam que os denunciados, acreditando que a vítima estaria repassando informações à polícia, decidiram matá-la. Ademais, indicam que, em razão de disputas internas e de dívidas decorrentes da perda de drogas, os acusados planejaram a execução para evitar o pagamento e possibilitar a substituição da vítima na hierarquia do grupo criminoso", diz trecho da denúncia criminal.

Crime teve relação com o alto escalão do CV

O homicídio é o mesmo pelo qual Augusto César Moreira da Conceição, o 'Coroa', liderança local do CV no Ceará, chegou a ser denunciado pelo Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE). Ele e outro comparsa, entretanto, foram impronunciados e não serão levados a júri por esse crime, mas seguem réus por organização criminosa. 

'Coroa' possui extensa ficha criminal.
Legenda: 'Coroa' possui extensa ficha criminal.
Foto: Reprodução.

Segundo o MPCE, o homem faz parte do alto escalão do CV no Estado, atuando como 'gestor territorial', e teria "autorizado" o assassinato.

'Coroa' responde a uma série de crimes, como homicídio, organização criminosa, tráfico de drogas e associação para o tráfico. Ele foi preso em 10 de março deste ano, em uma força-tarefa que investigou casos de expulsão de moradores. 

Em maio deste ano, a Secretaria da Administração Penitenciária e Ressocialização (SAP) pediu a transferência de Augusto para o Presídio de Segurança Máxima, e teve o pedido aceito pela Justiça Estadual. 

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