Caso Isabelle Caracristi: João Munhoz passa por audiência de custódia e tem prisão mantida

Uma das motivações para o pedido de prisão preventiva é tentativa de obstrução de Justiça.

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
23 de Setembro de 2026 - 11:35 (Atualizado às 12:13)
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Legenda: João e Isabelle eram namorados.
Foto: Reprodução/Arquivo DN.

O bacharel em Direito João Munhoz Neto, 34, namorado de Isabelle Caracristi, passou por audiência de custódia na manhã desta quarta-feira (23). A prisão preventiva dele está mantida.

A sessão aconteceu como forma de protocolo e foi realizada por volta das 10 horas, cerca de 24 horas depois que a Polícia Civil do Ceará (PCCE) cumpriu o mandado de prisão contra João.

Em nota, o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) informou que a audiência ocorreu no Núcleo de Custódia e das Garantias da Comarca de Fortaleza. "Os procedimentos de competência do Poder Judiciário relacionados à investigação sobre a morte da estudante Isabelle Caracristi tramitam em segredo de Justiça", informou o Poder Judiciário. 

A editoria de Segurança do Diário do Nordeste apurou que uma das motivações para o pedido de prisão preventiva é tentativa de obstrução de Justiça.

Em entrevista à imprensa na tarde dessa terça, advogada Adriana Alves, que representa a família de Isabelle, informou que a prisão havia sido pedida ainda na manhã dessa segunda-feira (21), e citou "contexto de violência psicológica grave que ela sofria". 

Segundo apuração feita em documentos exclusivos, João Munhoz Neto deu ordem ao administrador do condomínio para que, se a família de Isabelle fosse ao prédio, não os deixassem entrar.

O QUE A DEFESA DIZ

A advogada de João Munhoz Neto afirmou que ele "não tem nada a ver" com a morte da jovem de 22 anos e frisou que o caso se trata de um suicídio.

Lígia Peixe criticou a prisão e também acusou a investigação de buscar uma "resposta midiática". 

"Foi suicídio. O que é que ele tem a ver com isso? Ele não estava em casa, certo?  Então, assim, ele está abalado". afirmou a advogada. 

Ainda segundo a defensora particular informou à imprensa nesta tarde na sede da Delegacia de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Intolerância Religiosa ou Orientação Sexual (Decrin), João já havia se apresentado voluntariamente à Polícia Civil no dia anterior, quando entregou o celular para perícia e prestou depoimento.

Ela argumentou que o investigado sempre esteve à disposição das autoridades, apesar de a Polícia Civil ter informado que ele era procurado.

A defensora afirmou que vai analisar o conteúdo integral da decisão que mandou prender Munhoz, mas já diz que vai tentar reverter a medida. 

“Ele não estava em casa. Está muito abalado, sob medicação e recebendo acompanhamento médico”, disse.

João foi preso em uma condomínio na Avenida Santos Dumont, a cerca de 800 metros do prédio onde ele morava, e de onde Isabelle caiu do 23º andar. Conforme a advogada, ele estava na residência da avó. 

INVESTIGAÇÃO EM ANDAMENTO

Até a noite desta terça-feira (22), sete pessoas prestaram depoimento sobre o caso da morte da jovem Isabelle Caracristi.

Novos depoimentos estão marcados para os próximos dias. Celulares, dispositivos eletrônicos e imagens de câmeras ainda estão sendo analisados, bem como diversas outras diligências sendo efetuadas.

A investigação é conduzida pelo Grupo Especial de Investigação (GEI), composto por equipes da 2ª Delegacia de Polícia Civil da Capital, 2º Delegacia de Defesa da Mulher de Fortaleza e Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e é realizada sob a perspectiva de gênero.

Profissionais da Pefoce estiveram no local do fato, após serem acionados, durante a noite da ocorrência, via Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops) pela Polícia Militar do Ceará (PMCE), ainda de acordo com a pasta. 

“A composição policial militar atuava próximo ao prédio e foi chamada por funcionários”, disse a SSPDS.

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