Tentativa de 'homicídio bárbaro', classifica Ciro Gomes sobre tiros que atingiram Cid, em Sobral

Ciro se manifestou por meio do Twitter e confirmou ainda que Cid não corre risco de morte

Ciro Gomes, irmão do ex-governador Cid Gomes (PDT), se pronunciou por meio do Twitter a respeito dos dois tiros que atingiram Cid no fim da tarde desta terça-feira (19), em Sobral. Ele confirma que Cid não corre risco de morte, e classificou o fato como uma tentativa de homicídio. 

Cid foi atingido durante ato em meio a movimentos de policiais militares em todo o Estado.

"Meu irmão Cid Gomes foi vitima de dois tiros de arma de fogo por parte de policiais militares amotinados e mascarados em Sobral, nossa cidade. Até aqui as informações médicas são de que as balas não atingiram órgãos vitais apesar de terem mirado seu peito esquerdo. Novos exames estão sendo feitos mas a palavra aos familiares e amigos é de que Cid não corre risco de morte", conta. 

"Espero serenamente, embora cheio de revolta, que as autoridades responsáveis apresentem prontamente os marginais que tentaram este homicídio bárbaro às penas da lei", continua Ciro. 

O senador licenciado e ex-governador do Ceará Cid Gomes (PDT) foi atingido por dois tiros. O fato ocorreu no fim da tarde desta quarta-feira (19), em Sobral, e Cid estava em uma retroescavadeira tentando entrar em um quartel militar ocupado por homens mascarados. 

O ex-governador foi levado ao Hospital do Coração de Sobral. "Neste momento, o senador passa por estabilização no Hospital do Coração de Sobral e será transferido para a Santa Casa de Misericórdia de Sobral", informou a assessoria do político.

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Paralisações

Entre a noite de terça-feira (18) e a tarde desta quarta-feira (19), paralisações, esvaziamento de pneus de viaturas e atos em batalhões foram registrados em Fortaleza e em pelos menos sete cidades do Interior (Barbalha, Canindé, Crato, Iguatu, Juazeiro do Norte, Quixadá e Sobral).  

O governador Camilo Santana afirmou, em pronunciamento na tarde desta quarta-feira (19), que entrou em contato com o Governo Federal para solicitar apoio de tropas federais para "garantir a segurança da população". Santana afirmou que  os atos são influência de "interesses de pequenos grupos, que se aproveitam da boa fé da tropa para mentir, ganhar dinheiro e para se projetar politicamente, especialmente em anos de eleição como este".  

O secretário da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), André Costa, afirmou que 261 policiais militares serão investigados por crimes militares no Ceará relacionados a paralisações e danos a viaturas da corporação.  

Reajuste salarial

A crise de representantes dos policiais com o governo se deu a partir da negociação do reajuste salarial da categoria. Lideranças dos profissionais de segurança pública chegaram a entrar em um acordo com o Estado no último dia 12, em reunião na Assembleia Legislativa. 

De acordo com a proposta, o salário-base de um soldado passaria a R$ 4,5 mil, com aumento progressivo até 2022. A primeira parcela do reajuste, de 40%, seria implantada em março. A segunda, de 30%, em março de 2021. Os 30% restantes, em março de 2022.

Anteriormente, uma proposta rejeitada pelos policiais e bombeiros militares indicava o reajuste progressivo até R$ 4,2 mil até 2022. Houve protesto dos profissionais de segurança na Assembleia Legislativa contra essa proposta, em dezembro de 2019.

Após o anúncio do entendimento para reajuste de R$ 4,5 mil, no entanto, representantes dos policiais militares voltaram a público para dizer que a proposta não foi aceita.

A reestruturação salarial começou a tramitar na Assembleia Legislativa nesta terça-feira (18). De acordo com o líder do governo, o deputado Júlio César Filho (Cidadania), não há uma nova proposta e o projeto é o mesmo que foi acordado, antes dos representantes da PM voltarem atrás. César Filho afirmou que a proposta deve ser aprovada até o fim do mês. 

Justiça

O Ministério Público entrou com ação na Justiça, na segunda-feira (17), pedindo que, em caso de paralisações nas categorias, cinco associações dos profissionais de segurança pública do Ceará tenham as contas bloqueadas. Associação dos Profissionais da Segurança (APS), Associação das Praças do Estado do Ceará (Aspra), Associação de Praças da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militar do Ceará (Aspramace), Associação dos Oficiais da Polícia Militar do Ceará (Assof) e Associação Beneficente dos Subtenentes e Sargentos (ABSS) são citadas na ação. 

Caso as associações promovam e financiem assembleias voltadas para discussão de melhorias salariais, a multa requerida pelo MPCE pode chegar a R$ 200 mil. Caso as entidades participem de reuniões sobre greves e paralisações, a penalização é de R$ 500 mil. E se houver paralisação total ou parcial da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militar, as associações podem ser multadas em até R$ 1 milhão.

No mesmo dia, a Justiça do Ceará manteve a decisão que determina que agentes de segurança poderão sofrer sanções e até serem presos por promoverem movimentos grevistas ou manifestações no Estado. Contudo, por unanimidade, a Seção Criminal doTribunal de Justiça do Ceará (TJCE) determinou que a matéria deve ser apreciada por Órgão Especial. Os desembargadores argumentaram que a matéria é de âmbito do direito administrativo e não do direito penal. A apreciação pelo novo órgão não tem data definida.