Com jeito discreto e votos em sintonia com diferentes correntes políticas, o ministro Kassio Nunes Marques compõe o grupo dos mais recentes magistrados do Supremo Tribunal Federal (STF). Empossado em 2020, o piauiense foi o primeiro indicado por Jair Bolsonaro (PL) e ocupou a vaga deixada por Celso de Mello.
Nesta terça-feira (15), Nunes Marques se declarou impedido de voltar em julgamento sobre as condutas de Alexandre de Moraes devido ao atual cargo de presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
"Não tenho dúvida de que, em que pese o julgamento eventualmente pode impactar o processo eleitoral. Na minha condição, eu não me sinto confortável para participar desse julgamento e afirmo meu impedimento", citou.
Quem indicou Nunes Marques ao STF
Nunes Marques teve sua indicação respaldada por setores importantes da política, do Judiciário e até mesmo do empresarial. Nordestino, ele chegou à Corte como um aceno do presidente Bolsonaro à região. À época, o magistrado afirmou a senadores que não era amigo do presidente.
A aproximação com Bolsonaro (PL) se deu quando ele começou a buscar disputar a vaga que será aberta no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Foi o senador Ciro Nogueira (PP-PI), conterrâneo de Kassio, um dos que fizeram a articulação para aproximar o magistrado do presidente quando ele pleiteava uma vaga na Corte.
Kassio foi apresentado ao senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente da República. Após a primeira conversa, segundo relatos de aliados, o magistrado teve ao menos mais dois encontros com ele, à época.
A sabatina de Nunes Marques na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal que durou cerca de dez horas. O então desembargador foi aprovado por 22 votos a favor e cinco contra. No plenário, ele foi aprovado com 57 votos favoráveis e 10 contrários, além de uma abstenção.
O piauiense ocupa hoje a vaga que pertenceu ao decano Celso de Mello, que antecipou a aposentadoria.
Presidência do TSE
Em maio de 2026, Nunes Marques assumiu o cargo de presidente do TSE, órgão responsável pela organização das eleições presidenciais de outubro. O ministro entrou a vaga da ministra Cármen Lúcia, que completou mandato de dois anos à frente do tribunal.
A escolha do presidente do TSE ocorre por antiguidade entre os ministros que também compõem o Supremo Tribunal Federal (STF). O vice-presidente é o ministro André Mendonça.
Currículo e trajetória
Natural de Teresina (PI), Kassio Nunes Marques é bacharel em Direito pela Universidade Federal do Piauí (UFPI), tem especialização em Processo e Direito Tributário pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e é mestre pela Universidade Autônoma de Lisboa.
Nunes já atuou como desembargador e ocupou cargos na seccional do Piauí da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Também já atuou no Conselho Federal da ordem como suplente e chegou a integrar a Comissão Nacional de Direito Eleitoral e Reforma Política. Entre 2008 e 2011, foi juiz do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí.
Em 2011, foi nomeado desembargador federal do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) no quinto constitucional, dedicado à advocacia. Foi indicado ao cargo pela então presidente Dilma Rousseff (PT), assumindo a vaga de Carlos Fernando Mathias de Souza, que se aposentara, após ser o mais votado em lista tríplice da OAB.