Moraes diz ter testemunhas contra Mendonça durante sessão do STF: 'Vamos chamar'

Moraes afirma que Mendonça foi parcial na condução do caso envolvendo o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

Escrito por Beatriz Rabelo beatriz.rabelo@svm.com.br
15 de Setembro de 2026 - 14:50
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Legenda: Moraes se manifesta após debates sobre afastamento do diretor da PF durante sessão.
Foto: Reprodução/TV Justiça.

Os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), discutiram durante sessão plenária extraordinária realizada nesta terça-feira (15). Moraes afirmou ter testemunhas contra Mendonça. O bate-boca ocorreu após Gilmar Mendes criticar o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal. 

A decisão do afastamento preventivo de Andrei Rodrigues ocorreu na última terça-feira (8), por decisão de André Mendonça. Em sua fala, Moraes disse que Mendonça foi parcial na condução do caso e que, por isso, não tinha como ser julgada a sessão desta terça (15), sem analisar a do dia 8 de setembro. 

"Quem tem medo da Polícia Federal?", perguntou Moraes, antes de Mendonça responder: "Não é questão de medo, não"

"Quem chamou a PF e exigiu que a PF colocasse um colega na colaboração premiada? E vamos trazer aqui, presidente, vamos trazer aqui e chamar aqui testemunhas que vamos indicar, não só policiais, mas advogados, testemunhas. Eu tenho testemunhas". 
Alexandre de Moraes
Ministro do STF

Mendonça afirmou que essa era uma mentira de Moraes e que, se chamassem as testemunhas, elas também estariam mentindo. 

Para Moraes, a suposta parcialidade de Mendonça ocorre porque o magistrado estaria a "serviço de um grupo político que quis dar um golpe nesse país". Mendonça garantiu que iria responder a essa acusão em seu momento de fala. 

Confira trecho do bate-boca entre Moraes e Mendonça: 

  • Alexandre de Moraes: Quem tem medo da Polícia federal?
  • André Mendonça: Não é questão de medo, não. 
  • Alexandre de Moraes: Eu não estou perguntando à Vossa Excelência.
  • André Mendonça: Mas eu estou lhe respondendo. 
  • Alexandre de Moraes: Quem tem medo da Polícia Federal? Quem chamou a PF e exigiu que a PF colocasse um colega na colaboração premiada? E vamos trazer aqui, presidente, vamos trazer aqui e chamar aqui testemunhas que vamos indicar, não só policiais, mas advogados, testemunhas. Eu tenho testemunhas que o ministro André, em reunião, disse: 'peçam isso'.
  • André Mendonça: Isso é mentira. 
  • Alexandre de Moraes: Então vamos chamar as testemunhas?
  • André Mendonça: Mentira.
  • Alexandre de Moraes: Então vamos chamar?
  • André Mendonça: Mentira, mentira. Pode chamar quem quiser, vão mentir. 
  • Alexandre de Moraes: Não pode julgar hoje, sem julgar terça-feira (em referência a Mendonça). (O ministro André) chamou (a PF): incluam o ministro Alexandre. Por que? Porque está a serviço de um grupo político que quis dar um golpe nesse país. É isso, senhor presidente. É isso.
  • André Mendonça: Não vou responder, no meu momento de fala, eu falo. 

Afastamento de diretor-geral da PF

Na decisão da última terça (8), Mendonça ainda suspendeu qualquer produção ou compartilhamento de relatórios que visem analisar a atuação de autoridades, da advocacia pública ou da atividade de polícia judiciária.

Além disso, também considerou que tinham documentos apócrifos, sem timbre, brasão, ou assinatura, sendo um "nada jurídico" que descumpria a Doutrina Nacional de Inteligência de Segurança Pública (DNISP).

Durante a sessão desta terça (15), Moraes chegou a destacar que não há nenhum documento apócrifo, como são chamados os documentos falsos, de autorias incertas ou sem autoridades reconhecidas. 

"Todos sabem o que é o Relatório de Inteligência. Os Relatórios de Inteligência estavam registrados. É só pegar o registro, quem fez e vamos chamar aqui nesse Supremo Tribunal Federal, além de advogados que já se colocaram à disposição. Então, eu repito, tudo que foi feito, essa investigação fraudulenta contra mim, começou atrás. Não dá para julgar uma coisa sem outra", disse Moraes.  

Após o afastamento de Andrei Rodrigues, no dia 8 de setembro, William Marcel Murad, diretor-executivo da Polícia Federal (PF), assumiu o cargo de diretor-geral da corporação. 

No mesmo dia, a Advocacia-Geral da União (AGU) solicitou a suspenção da decisão de Mendonça, por considerar que poderia comprometer o funcionamento da PF, sendo uma "grave lesão à ordem pública e administrativa". Dias depois, o ministro Flávio Dino suspendeu a decisão e devolveu Andrei Rodrigues ao comando da corporação.

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