Flávio Dino pede vista em julgamento sobre Moraes, mas Luiz Fux e Cármen Lúcia antecipam votos

Ministros votam se há ou não condições de adiar as acariações do processo para o próximo dia 23.

Escrito por Paulo Roberto Maciel paulo.maciel@svm.com.br
15 de Setembro de 2026 - 18:11 (Atualizado às 20:29)
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Legenda: Ministro defende que processos de Mendonça e Moraes sejam analisados juntos.
Foto: EVARISTO SA / ROSINEI COUTINHO / BRAZILIAN SUPREME COURT / AFP

O ministro Flávio Dino pediu vista para interromper a sessão extraordinária desta terça-feira (15) e examinar por mais tempo a petição sobre as supostas relações entre Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

A solicitação veio após um bate-boca entre ministros. André Mendonça tomou a palavra, em resposta ao parecer de Paulo Gonet, Procurador Geral da República (PGR), mas Gilmar Mendes o interrompeu. "É impressionante a desfaçatez desse sujeito", disse.

Dino, então, foi ao microfone e rebateu todos, dizendo que precisa interromper o debate acalorado. "Nós não temos condições de deliberar. O clima é daí para pior, e a sociedade está assistindo a algo diferente do rito que a lei manda", desabafou.

Na sequência, Edson Fachin, o relator do caso, decidiu pela antecipação do voto dos ministros Luiz Fux e Cármen Lúcia quanto à possível unificação das análises das acusações contra Moraes e André Mendonça.

Fux vota contra unificação

Ao tomar a palavra, Luiz Fux afirmou que os fatos são diferentes e não devem ser analisados em conjunto. Para ele, há possibilidade de haver decisões contraditórias, pois analisar a prática de abuso de autoridade e abrir investigação contra um ministro são casos diferentes.

Ainda conforme o ministro, embora exista uma discussão sobre qual ministro deve conduzir cada caso, os fatos analisados são diferentes e não necessariamente precisam ser tratados em conjunto.

“Não há causas penais. Não há processo criminal. Não há inquérito. O que há é uma informação que foi levada a Vossa Excelência", argumentou o ministro.

Cármen Lúcia decide pela separação dos processos

A ministra Cármen Lúcia considerou que as acusações contra os colegas de Corte devem ser acariciadas de forma distinta.

Ela negou atuar sob pressão durante sessão plenária, mas ficou concentrada em deliberar pedido de ordem apresentado por Gilmar Mendes com o objetivo de adiar o julgamento de Moraes.

Antes do voto, a ministra pediu desculpas ao povo brasileiro pela meneira como as discussões ocorriam e afirmou" sentir profunda consternação e tristeza".

Na opinião dela, o Supremo provocou um "mal-estar cívico" entre os cidadãos brasileiros nos últimos dias. 

"Estou falando apenas por mim, me sinto um pouco até envergonhada. Em um momento em que o Brasil está a menos de 20 dias da eleição, estarem todos voltados às questões do Supremo. Nós não garantimos o rigor e a serenidade que, no meu papel de cidadã, deveria ter ajudado mais a promover", disse.

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