O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, em entrevista ao jornal norte-americano The New York Times, que não irá revelar como fugiu do Brasil e chegou aos Estados Unidos após o fim das Eleições 2026. "Levarei isso para o túmulo", declarou o parlamentar ao ser questionado sobre os detalhes da viagem.
Flávio está em solo norte-americano desde o fim de outubro. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que segue preso no Brasil, saiu derrotado da disputa pela Presidência, que resultou na reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na conversa, o ex-candidato pelo PL negou ter recebido ajuda de governos estrangeiros para deixar o território brasileiro.
"Fui eu quem fiz tudo", iniciou na entrevista. "Não houve ajuda de absolutamente ninguém, de nenhum governo", apontou, dizendo ter contado apenas com a participação da esposa, Fernanda Bolsonaro.
O parlamentar também negou envolvimento do irmão, Eduardo Bolsonaro, ou de outros aliados no planejamento. Eduardo, inclusive, está nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025.
Saída de Flávio Bolsonaro e carta com teor golpista
A saída do senador do Brasil ocorreu depois da derrota na eleição presidencial, mas também em meio a medidas judiciais que, segundo ele, motivaram a decisão.
Flávio afirmou que decidiu viajar após visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e ouvir dele que poderia ser preso. "Ele olhou nos meus olhos e disse: 'Você já sabe onde eles querem chegar com isso, não é?", alegou.
Na ocasião, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, solicitou a entrega de passaporte e outros documentos que pudessem ajudá-lo a sair do país.
"Preciso seguir em frente com a minha vida nos Estados Unidos, pelo menos por enquanto", apontou.
O relato sobre a viagem, concedido ao jornal, difere das informações divulgadas anteriormente. Segundo o próprio The New York Times, um funcionário da Casa Branca teria providenciado o avião particular utilizado pelo senador e a família dele no deslocamento aos Estados Unidos.
Flávio chegou aos Estados Unidos no dia 28 de outubro, após sair pela fronteira com a Argentina no dia anterior. Até o momento, não se sabe qual o meio utilizado por ele ou quem teria facilitado o acesso à aeronave que realizou o voo.
Flávio agradeceu a Donald Trump
Durante a entrevista, ele também agradeceu ao presidente norte-americano, Donald Trump, por permitir a estadia no país, apesar de ter avaliado como "correta" a postura de Trump de não tomar partido na disputa política brasileira.
Flávio disse esperar que a estadia no exterior seja temporária, reafirmando o interesse de continuar mobilizando apoiadores no Brasil, ainda que não tenha sido eleito para nenhum mandato a partir de 2027.