Considerando apenas o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), cada voto nos deputados federais eleitos pelo Ceará em 2026 demandou entre R$ 4,53 e R$ 53,51 de investimento nas campanhas. Tanto o piso quanto o teto de receitas relativas foram do PL.
O voto mais “barato” foi dado a André Fernandes, reeleito ao segundo mandato; já o mais “caro” foi dado a Carmelo Neto, estreante no Congresso Nacional. O levantamento mostra que o alto investimento nem sempre é garantia de voto.
As informações, disponibilizadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foram consultadas pelo PontoPoder nessa terça-feira (3), prazo final de prestação de contas de campanha. O balanço se refere ao valor de Fundo Eleitoral enviado das direções nacionais dos partidos aos candidatos no Ceará, sem intermediários.
Em alguns casos, como os de Dr. Jaziel (PL) e de Matheus Noronha (PL), isso representa a totalidade das receitas de campanha. Em outros, os investimentos foram reforçados com doações, recursos próprios, repasses das direções estaduais dos partidos, etc.
Em termos absolutos, os 22 representantes do Estado na próxima legislatura tiveram, ao todo, R$ 48,1 milhões em Fundo Eleitoral disponíveis ao longo da campanha, que resultaram em 3,5 milhões de votos agregados.
Como se observa na abertura deste material, a amplitude é maior no grupo masculino, que também tem mais representantes, com 17 deles. Já no grupo feminino, o voto mais “barato” foi de Tainah Marinho (PSB), com R$ 6,38, enquanto o mais “caro” foi de Erika Amorim (Republicanos), orçado em R$ 23,52.
Contando os dados agregados da nova bancada, a relação entre Fundo Eleitoral e voto ficou em R$ 13,74. Pouco mais da metade da nova bancada – 12 parlamentares – teve, individualmente, uma proporção superior a esse patamar, conforme ilustrado no gráfico acima.
Outras variáveis do sucesso eleitoral
Apesar da disponibilidade de um valor menor do Fundo Eleitoral em uma disputa exitosa indicar uma campanha mais eficiente à primeira vista, fatores como mandato anterior, notoriedade, estrutura partidária e outras fontes de financiamento também estão comumente relacionados ao bom desempenho nas urnas.
Todos os candidatos vitoriosos têm estruturas políticas prévias ou redes de apoio que sustentaram suas empreitadas. Ao menos 12 parlamentares da nova bancada são incumbentes. São eles: Dr. Jaziel, Matheus Noronha, AJ Albuquerque (PP), Danilo Forte (PP), Fernanda Pessoa (PSD), Celio Studart (PSD), Domingos Neto (PSD), Idilvan Alencar (PSB), Moses Rodrigues (União), Roberio Monteiro (PSB), Yury do Paredão (MDB) e André Fernandes (PL).
Outros oito já tinham passagens pela Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), pela Câmara Municipal de Fortaleza (CMFor), por prefeituras ou por outros posições políticas de destaque. Veja os casos:
- Carmelo Neto (PL): ex-vereador de Fortaleza e deputado estadual;
- Emanuel Acrizio (SD): ex-conselheiro tutelar e vereador de Fortaleza;
- Erika Amorim (Republicanos): ex-deputada estadual;
- Giordanna Mano (PRD): ex-prefeita de Nova Russas;
- Nenen Coelho (MDB): ex-prefeito de Novo Oriente e ex-deputado estadual;
- Acilon Gonçalves (PSB): ex-vereador de Fortaleza, ex-deputado estadual e ex-prefeito de Eusébio;
- Raimundo Martins (PT): ex-vereador e ex-vice-prefeito de Tamboril e ex-presidente da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado do Ceará (Fetraece);
- Fernando Santana (PT): deputado estadual e ex-secretário dos Recursos Hídricos do Ceará.
Já Tainah Marinho (PSB) e Luísa Cela (PT) nunca ocuparam cargo eletivo, mas a socialista já disputou eleição e esta ocupou cargo de destaque na administração pública. Além disso, ambas têm familiares na política – assim como a maioria dos seus colegas –, rede de apoio que dá vantagem na disputa.
Prestação de contas
A distribuição das receitas de campanha é apenas um etapa do ciclo financeiro de uma disputa eleitoral. Com a conclusão do pleito de 2026, os partidos e candidatos ainda precisam apresentar suas prestações de contas à Justiça Eleitoral, fase em que são informadas e submetidas à análise as receitas recebidas e as despesas realizadas.
O prazo referente às contas de campanha no primeiro turno da disputa de 2026 começou em 5 de outubro e terminou nessa terça-feira, 3 de novembro. É nesse processo que será possível verificar a regularidade da aplicação dos recursos públicos e a observância de regras como o financiamento por gênero e por raça.