Coordenadora econômica de Flávio Bolsonaro defende 'revogaço' nos 100 primeiros dias de gestão

Daniella Marques participou de encontro organizado pelo Lide Ceará em Fortaleza neste sábado (17).

Escrito por Luana Barros e Bruno Leite
17 de Outubro de 2026 - 18:16
capa da noticia
Legenda: Daniella Marques é a coordenadora da equipe econômica na campanha de Flávio Bolsonaro.
Foto: Thiago Gadelha.

Daniella Marques, coordenadora do núcleo de Economia da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), defendeu um "revogaço" nos 100 primeiros dias de gestão, caso Flávio Bolsonaro vença a disputa presidencial. "Quando a gente fala do tesouraço, é tudo aquilo de norma burra", disse. 

A medida foi defendida neste sábado (17), em Fortaleza, onde ela participou de encontro organizado pelo Lide Ceará. O grupo é formado por presidentes de empresas, empreendedores e autoridades cujo propósito é o fomento ao networking, o debate sobre o desenvolvimento econômico e social do estado, bem como a livre iniciativa.

Marques informou que já foram mapeadas, ao menos, 2 mil medidas que poderiam ser alvo do "revogaço". Marques também se colocou à disposição do Lide para uma reunião técnica onde o grupo poderia apresentar outros pontos que poderiam ser alvo das medidas de revogação.

Segundo Daniella, o principal foco é "na burocracia e nos impostos". Ela também citou que existe a intenção de fazer uma revisão na Reforma Tributária. Ao que ela frisou, há determinação do presidenciável para revisar IOF e outros impostos criados ou elevados pelo ex-ministro da Fazenda do Governo Lula, Fernando Haddad (PT).

Críticas ao presidente Lula

Daniela Marques também criticou o que chamou de "medidas desesperadas" adotadas pelo presidente Lula (PT), candidato a reeleição, durante o período eleitoral. 

"Isso é dar com uma mão e tirar com as duas, via taxa de juros", acrescentou ela, que presidiu a Caixa Econômica Federal durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). 

Ela afirmou que "as pessoas mais vulneráveis" são "enganadas todos os dias" pela campanha de Lula, adversário direto de Flávio no 2º turno da disputa presidencial. 

"Uma campanha que, como não tem o que propor e principalmente quer esconder uma realidade de carrinho vazio, de famílias endividadas para pagar contas básicas e de colapso de segurança pública, uma campanha mentirosa baseada em medo e aprisionando as pessoas sem grades, principalmente aqui no Nordeste".
Daniella Marques
Coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro

Segundo Daniella, Lula estaria "condenando as futuras gerações, sem nenhuma contrapartida, achando que dinheiro nasce em árvore, ou que pesca ou que imprime na Casa da Moeda, produzindo mais colapso nas contas públicas".

Em decorrência do cenário ilustrado por ela, um governo de Flávio Bolsonaro, caso seja eleito, deve focar em um "plano emergencial". "Botar as contas no lugar", completou.

"'Tesouraço', sim, na burocracia e nos impostos", afirmou Marques durante sua participação no evento. Nas palavras dela, "tem muita gente que enriquece com essa burocracia".

Propostas para as mulheres

Daniella Marques defendeu ainda políticas públicas voltadas para as mulheres, a quem definiu como "pilar da economia desse País". No entanto, essa "não é uma pauta identitária, não é uma pauta de gênero". "Quando a gente fala de prosperidade é para todos", acrescentou.

Ela afirmou que o primeiro combate precisa ser à "pandemia de violência contra a mulher e de abuso contra crianças". Entre as medidas citadas por Marques, está a castração química para estupradores e a formalização de um cadastro nacional com estes criminosos. Ela citou ainda a necessidade de uso de tornozeleira eletrônica por agressores de mulheres.

"Então, enfrenta-se a lei, dá apoio jurídico, psicológico. Dá um lar e uma casa para ela poder sair desse ciclo abusivo e fortalece a autoestima e a capacitação dela para que ela tenha sua própria independência e não dependa mais daquele agressor", disse.

Ela citou ainda que é preciso dar maior atenção às mães solo do Brasil e também para a economia do cuidado, que segue sendo dominada pelas mulheres. Daniella Marques, no entanto, criticou a forma como o Governo Lula tem lidado com essas pautas. 

Marques afirmou que reconhece a existência de barreiras raciais, de gênero e econômicas, mas que isso não significaria "trabalhar aprisionando pessoas" nelas, "convencendo que o mundo é hostil e gerando uma dependência do governo". "Nós faremos um governo conectado para ser o motor de prosperidade", declarou. 

Ainda conforme explanou a coordenadora do núcleo de economia da campanha de Flávio Bolsonaro, o intuito de uma eventual administração do político do PL será "libertar as pessoas dessa prisão assistencialista". Ela mencionou que está nos planos da equipe do postulante a criação de um Ministério da Prosperidade.

'Harmonizar' os Poderes

Para Daniella, é necessário garantir segurança jurídica, estabilidade de regras e previsibilidade de licenciamento para fomentar investimentos privados. "Falta menos quebra-molas e um governo que não atrapalha. E é isso que a gente vai fazer. O nosso papel não é controlar, é apoiar", falou.

Daniella Marques participou de evento com membros do Lide Ceará, neste sábado (17).
Legenda: Daniella Marques participou de evento com membros do Lide Ceará, neste sábado (17).
Foto: Thiago Gadelha.

O caminho para a segurança jurídica, afirmou, seria "harmonizar e recolocar cada Poder no seu lugar". Em sua fala, ela mencionou a recuperação da confiança nas instituições, em especial o Supremo Tribunal Federal (STF).

Não adianta você ganhar uma eleição para ir lá se vingar dos seus opositores, nem para fazer revanche. A gente vai lá para reconstruir uma nação", disse, citando depois uma recuperação da "paz entre os Poderes", sem detalhar como isso ocorreria.

Este conteúdo é útil para você?
Assuntos Relacionados

Newsletter

Escolha suas newsletters favoritas e mantenha-se informado

Colunistas

Edição do Dia