Lula reforça fala contra Israel e diz que Estado faz genocídio contra palestinos

O presidente ainda rebateu as críticas que recebeu após comparar as ações do governo israelense com o holocausto

Após comparar a ação de Israel na Faixa de Gaza ao Holocausto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a falar sobre o assunto nesta sexta-feira (23), durante o lançamento da Seleção Petrobras Cultural no Rio de Janeiro. O político descreveu as ações do governo israelense como genocídio

Lula afirmou que milhares de mulheres e crianças palestinas foram mortas pelos israelenses. “O que o governo de Israel está fazendo contra o povo palestino não é guerra, é genocídio. Porque está matando mulheres e crianças”, declarou.

"O que está acontecendo em Israel é um genocídio. São milhares de crianças mortas, milhares desaparecidas. E não estão morrendo soldados, estão morrendo mulheres e crianças dentro do hospital. Se isso não é genocídio, eu não sei o que é genocídio", acrescentou.

O presidente ainda falou sobre a repercussão da declaração que deu no último domingo (18), quando fez referência ao Holocausto. “Leia a entrevista ao invés de ficar me julgando pelo que disse o primeiro-ministro de Israel”, rebateu.

RELEMBRE O CASO

Durante a 37ª Cúpula da União Africana, evento realizado no domingo (18), na Etiópia, e que reuniu mandatários e integrantes de governos de 54 países africanos, Lula disse que "o que está acontecendo na Faixa de Gaza e com o povo palestino não existe em nenhum outro momento histórico". “Aliás, existiu: quando o Hitler resolveu matar os judeus”, comparou. 

"Fico imaginando qual é o tamanho da consciência política dessa gente. E qual é o tamanho do coração solidário dessa gente que não está vendo que, na Faixa de Gaza, não tá acontecendo uma guerra, mas um genocídio. Não é uma guerra entre soldados e soldados. É uma guerra entre um exército altamente preparado e mulheres e crianças", comentou.

Um dia depois, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Israel Katz, afirmou que Lula é considerado persona non grata em Israel até que ele se desculpe pelas declarações. O anúncio foi feito no Museu do Holocausto, em Jerusalém, na presença do embaixador do Brasil em Israel, Frederico Meyer.

"Esta manhã eu convidei o embaixador brasileiro em Israel para as proximidades do Yad Vashem, o museu do Holocausto, que mostra mais do que qualquer coisa o que os nazistas e Hitler fizeram com os judeus, incluindo com membros da minha família. A comparação do presidente Lula entre a justa guerra de Israel contra o Hamas e as ações de Hitler e dos nazistas, que mataram 6 milhões de judeus e um sério ataque antissemita que desrespeita a memória daqueles que morreram no Holocausto. Não vamos perdoar e nem esquecer, em nome dos cidadãos de Israel, eu informei o presidente Lula que ele não é bem-vindo em Israel até que ele se desculpe e retrate suas palavras", apontou Katz em uma publicação na rede social X.