A menos de um mês da eleição na CMFor, Leo Couto acena para oposição e aguarda conversa com Evandro

Eleição para a Presidência da Câmara Municipal de Fortaleza será realizada em 1º de dezembro.

Escrito por Bruno Leite bruno.leite@svm.com.br
05 de Novembro de 2026 - 06:00
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Legenda: Atual presidente foi eleito em janeiro de 2025.
Foto: Luciano Melo/CMFor.

O presidente da Câmara Municipal de Fortaleza (CMFor), vereador Leo Couto (PSB), expôs sua disponibilidade para uma candidatura à disputa pela chefia do Legislativo alencarino, a ser realizada no dia 1º de dezembro. Ao PontoPoder, nesta quarta-feira (4), o parlamentar pontuou que pretende estabelecer diálogo com o prefeito Evandro Leitão (PT) visando costurar a busca por uma reeleição e alegou estar disposto a compôr uma chapa com membros da bancada de oposição. 

Conforme falou o presidente, há uma confiança dele em seu grupo político e, na sua compreensão, foi feito "um grande trabalho nesses dois primeiros anos" na condução da CMFor. "Modernizamos a Casa através da tecnologia. Fizemos uma Casa, hoje, completamente digital. Estamos deixando um legado importante com o Espaço Evoluir das crianças autistas e com Síndrome de Down, valorizamos o servidor com ações históricas, fizemos várias inovações como o Parla, Jovem!", mencionou.

"Com relação à Mesa Diretora, eu tenho a possibilidade, o Regimento [Interno] não veda mais dois anos para a reeleição, porém vamos ainda dialogar com o prefeito Evandro Letão, que é o meu líder, meu amigo. E o que for melhor para Fortaleza, para esses próximos dois anos, a gente vai decidir junto", disse o político.

De acordo com Leo Couto, "os vereadores chegam para perguntar, para ter uma orientação". "Eu sempre falo que nós vamos dialogar", comentou. "Acredito que nos próximos dias a gente já tenha uma definição e uma conversa mais avançada para, no próximo dia 1º, a gente definir o rumo da Casa do Povo", acrescentou.

Indagado sobre a eventual presença de nomes de siglas que compõem a oposição — que atualmente conta com representantes de siglas como o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), o União Brasil (União) e o Partido Liberal (PL) —, ele confirmou que há, sim, essa possibilidade. Conforme pontuou, isso não aconteceu em 2025, quando foi eleito, por um veto de uma das lideranças partidárias do bloco opositor. 

"Tenho uma relação boa com eles e, caso tenha essa oportunidade de dialogar e de fazer uma chapa, eu não vejo problema nenhum, até porque nós temos aqui uma Câmara plural. É a representação da população da nossa cidade, então tem que respeitar a democracia, respeitar todos que são eleitos aqui", argumentou o pessebista, destacando que seu gabinete está aberto a todos os integrantes da Casa Legislativa.

Couto integra a coalisão aliada ao prefeito de Fortaleza e, em janeiro de 2025, foi escolhido para comandar a Casa por um biênio. Ao todo, obteve 37 votos a favor do seu nome e 6 contrários. Sua candidatura foi a única, em uma composição da Mesa Diretora que também incluiu representantes do PDT, PP, DC, PRD, Republicanos, Avante e PT. 

Questionado se haveria uma data para a definição em torno da sua reeleição ou de um novo nome para disputar a cadeira máxima da Presidência da CMFor, Leo Couto respondeu que "ainda não". "O prefeito está em Brasília, resolvendo alguns problemas burocráticos aqui da nossa cidade, atrás de recursos também", acrescentou.

Nomes do PSD correm por fora

A escolha do presidente do biênio para o 2027-2028 será determinante para a construção de um caminho visando a reeleição do prefeito Evandro Leitão, uma vez que é o chefe do Legislativo municipal o responsável por pautar matérias de interesse do Executivo e conduzir o direcionamento de boa parte dos trabalhos.

Nos bastidores da Câmara Municipal, dois outros nomes são cotados para a disputa que se avizinha. O primeiro é o Chefe de Gabinete do Prefeito e vereador licenciado Eudes Bringel (PSD). O outro é o líder do Governo Municipal na Casa Legislativa, o vereador Bruno Mesquita (PSD).

A indicação de um dos filiados ao Partido Social Democrático (PSD) seria um reflexo da eleição de Gabriella Aguiar, da mesma agremiação, para a Vice-Governadoria na chapa do governador reeleito Elmano de Freitas (PT). 

Com o segundo cargo na hierarquia do Executivo municipal vago, há o interesse da sigla em não perder o espaço e colocar outro filiado na linha de substituição da Prefeitura de Fortaleza em caso de ausência, impedimento temporário ou vacância do prefeito — que, conforme a Lei Orgânica da capital, é uma competência do presidente da Câmara Municipal.

Segundo fontes ouvidas pela reportagem, o cenário aventado na CMFor também reverbera o favoritismo do deputado estadual Romeu Aldigueri (PSB) para a reeleição à Presidência da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) — de modo que, com isso, um posto importante da política local já estaria ocupado pelos socialistas —, e será produto da acomodação de aliados nas reformulações nos governos estadual e municipal que já estão sendo encaminhadas por Elmano e Evandro. 

O PontoPoder procurou Eudes Bringel para que pudesse comentar sobre a corrida eleitoral pela Presidência da Câmara de Fortaleza e a sua cogitada candidatura. O político, no entanto, se deteve a dizer que está "aguardando as orientações do prefeito Evandro". 

Da mesma maneira, o líder Bruno Mesquita e o prefeito Evandro Leitão também foram acionados por intermédio de suas assessorias de comunicação a fim de que se manifestassem acerca do tema. Não houve resposta até a última atualização desta matéria. 

Oposição ainda vai montar estratégia

Lideranças da oposição afirmaram à reportagem, nesta quarta-feira, que uma reunião entre os membros do grupo seria realizada para definir a estratégia. 

"Nenhum dos pré-candidatos que são mencionados pela mídia procurou a liderança da oposição. Nós não sabemos dos reais interesses do atual presidente na reeleição e não sabemos do real interesse de vereadores ligados à máquina em serem candidatos ou em disputarem um espaço internamente para concorrerem à Presidência [da Câmara]", falou uma delas. 

"É legítimo que todos eles coloquem seus nomes. Mas também é legítimo que a oposição se articule e discuta", discorreu essa mesma fonte. Atualmente, o agrupamento oposicionista reúne dez vereadores, o exato número de membros necessários para compor uma chapa e concorrer à Mesa Diretora. 

Conforme oposicionistas ouvidos é preciso "saber é até onde ai o poder de fogo" e o tamanho da "capacidade de fazer a oposição". A apresentação de uma chapa independente ou outra eventual estratégia dependeriam de uma análise de conjuntura, a ser feita em um encontro de oposicionistas.

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