Os cuidados com a soberba latente

Confira a coluna do Tom Barros desta segunda-feira (26)

Jogadores do Ceará comemoram gol
Legenda: Ceará vive momento positivo com relação ao futebol baiano, mas precisa ter cuidado para não criar sensação de "já ganhou"
Foto: Thiago Gadelha

O Ceará, com todos os méritos, avançou para a final da Copa do Nordeste. O Bahia também avançou. Faz algum tempo, o Vozão vem conquistando consecutivas vitórias diante dos baianos, quer diante do Bahia, quer diante do Vitória. Há os que chamam isso de freguesia. A própria imprensa de Salvador tem reconhecido tamanha superioridade cearense, máxime após o título da Copa do Nordeste de 2020, obtido lá mesmo na cidade de São Salvador da Bahia de Todos os Santos. Além disso, nos posteriores confrontos com Vitória e Bahia, os resultados foram todos favoráveis ao Vozão. Isso consolidou a supremacia alvinegra. Há, porém, em situações assim, o risco velado de uma perigosa e traiçoeira soberba. O “ja ganhou” se instala de forma imperceptível. O Bahia deve ser olhado com muito respeito. O time cresceu de produção nas mãos do técnico Dado Cavalcanti. Nino Paraíba, Rossi, Rodriguinho e Gilberto têm apresentado futebol de qualidade. O Ceará deve, pois, esquecer as vitórias seguidas que obteve sobre o Bahia. Separá-las da fase final que agora terá de enfrentar. O Bahia ganhou maior confiança, após eliminar o Fortaleza no Castelão, não obstante o a classificação ter acontecido nos pênaltis. Decisão sem favoritos.  

Reação  

Já se esperava a reação da torcida do Fortaleza, após a eliminação pelo Bahia em pleno Castelão. Se predominava a insatisfação com o treinador Enderson Moreira, mesmo tendo o time feito a melhor campanha de todos os 16 times na fase classificatória, imaginem sendo despachado do certame.  Nenhuma surpresa, pois.  

Outros tempos  

A torcida tricolor precisa compreender que não se faz, da noite para o dia, um time como o de Rogério Ceni. Até mesmo os remanescentes da era de ouro não estão no mesmo ritmo. Uma coisa era ter Tinga, Felipe, Edinho, Osvaldo, Romarinho e Wellington Paulista no auge. Outra coisa é o momento presente. 

Paciência  

A volta de um Fortaleza tão vitorioso quanto o da era Rogério Ceni requer tempo para maturação. São momentos raros na história de um clube. E a fase de transição, após momentos históricos assim, é sempre muito complicada. Observem que o Flamengo, mesmo ganhando títulos com Ceni, ainda não desencarnou da era Jorge Jesus. Ceni está vendo alma lá. É assim que funciona. 

Sul-Americana 

Amanhã, no Estádio Julio Grondona, em Buenos Aires, o Ceará enfrenta o Arsenal de Sarandí. É um estádio pequeno (18 mil torcedores). Detalhe: apesar de ter pedido (2 x 1) para o Bolívar em La Paz, o Arsenal jogou bem. Não sentiu a altitude de La Paz (3.700m). Teve até chances para empatar, pois mandou bola na trave. Prenúncio de jogo muito difícil para o Vozão.