Como chegar à velhice sem perder a autonomia? Veja o que a ciência diz

Quanto mais cedo se começa a ter hábitos saudáveis, melhor para a saúde como um todo.

Escrito por
Ítalo Henrique producaodiario@svm.com.br
Legenda: Observar mudanças na visão, na audição e na memória, cuidar da saúde mental, evitar o isolamento social, entre outras questões, são medidas importantes.
Foto: Liane Ferreira/Pexels.

O Brasil está passando por um processo conhecido como transição demográfica, que é como a demografia chama as mudanças no perfil etário dos brasileiros. Em outras palavras, esse processo mostra que a população brasileira está envelhecendo e que está ocorrendo uma mudança no padrão das idades, com a redução da população mais jovem e o aumento da população mais velha, com projeções de mudanças para as próximas décadas.

Em muitos países da Europa, essa mudança já ocorreu ou está ocorrendo, com uma população mais velha cada vez maior e uma população mais jovem menor. Diante desse cenário, uma das preocupações que surge com o envelhecimento para muitas pessoas é o desejo de se manter independente. E a ciência já tem mostrado alguns caminhos para a promoção e a prevenção da saúde na velhice e como esse processo deve ser iniciado ainda na juventude.

O nosso corpo passa por diferentes modificações na sua fisiologia ao longo do processo de envelhecimento, como a perda de massa muscular, a diminuição do colágeno e da elasticidade da pele, alterações cognitivas na memória, além de mudanças no equilíbrio e na visão.

No entanto, isso não quer dizer que envelhecer significa necessariamente perder a autonomia, pois parte dessas mudanças podem ser prevenidas, identificadas precocemente ou atenuadas com os cuidados necessários para diminuir seus efeitos no organismo.

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Um dos fatores mais importantes a serem preservados é a capacidade funcional, ou seja, a capacidade de tomar banho sozinho, caminhar, preparar a própria alimentação, alimentar-se, lembrar dos afazeres do dia a dia, tomar remédios sozinho, sair de casa com segurança, entre outras atividades.

E aqui a prática de atividade física entra com uma importância fundamental nesse cenário, já que se exercitar ajuda a preservar a musculatura e tem um papel cardioprotetor, que auxilia na diminuição da probabilidade de eventos cardiovasculares futuros, como o infarto agudo do miocárdio (IAM).

Exercícios de mobilidade e equilíbrio também podem ajudar a evitar quedas e a conservar habilidades que exigem maior equilíbrio. E essa prática de atividades físicas não se restringe apenas à academia: outras atividades, como caminhada ao ar livre, corrida, natação, exercícios aeróbicos, andar de bicicleta e outros esportes, podem atuar de diferentes formas na preservação da capacidade funcional.

A própria Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que pessoas idosas pratiquem mais de um tipo de atividade física, principalmente aquelas que ajudem na mobilidade e no equilíbrio, como caminhadas, subir escadas, hidroginástica, praticar jardinagem e realizar tarefas domésticas.

Até mesmo dançar forró é uma das opções possíveis, pois essa prática trabalha a coordenação motora e o equilíbrio. Então, da próxima vez que estiver dançando forró, lembre-se de que você não está apenas se divertindo, mas também trabalhando movimentos que podem ajudar a manter sua coordenação motora e mobilidade na velhice.

A alimentação é outro fator fundamental para manter um corpo saudável e ativo. O consumo adequado de proteínas e outros nutrientes têm um papel essencial na manutenção da massa muscular e do funcionamento do nosso organismo.

E aqui é importante lembrar que ter uma alimentação saudável não significa que você precisa ter uma dieta altamente restritiva, mas que pode se alimentar bem e comer comidas que trazem saciedade e boas memórias afetivas, mantendo o equilíbrio.

Na prática, isso quer dizer diminuir a frequência do consumo de alimentos gordurosos, ultraprocessados, comidas de fast-food e refrigerantes, além de optar por uma alimentação com frutas, legumes e verduras e utilizar azeite e outras opções mais saudáveis no lugar do óleo.

Porém, é necessário lembrar que a alimentação não depende apenas de escolhas individuais, pois também depende de fatores como renda, disponibilidade de alimentos saudáveis, tempo, condições de moradia e acesso aos serviços de saúde. Então, na hora de pensar nas escolhas alimentares, é importante considerar o que cabe na sua realidade e no seu bolso, fazendo as escolhas mais saudáveis dentro das possibilidades existentes.

Também é necessário olhar para o corpo como um todo, e não apenas para o físico. Observar mudanças na visão, na audição e na memória, cuidar da saúde mental, evitar o isolamento social, entre outras questões, são medidas importantes, pois todos esses fatores podem impactar a realização das atividades do cotidiano.

Dentro disso, também entra a importância de realizar consultas médicas de rotina, exames de sangue conforme a indicação clínica, manter a vacinação em dia e, para quem tem doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, manter o acompanhamento médico contínuo.

Um fato também importante e que acaba passando despercebido quando se fala de saúde é a importância dos vínculos sociais, como a participação em atividades coletivas, conversar, interagir e fazer parte de iniciativas que trazem o sentimento de comunidade e pertencimento, seja com amigos, familiares ou em outros grupos de convívio.

As pesquisas nas áreas de psicologia e psiquiatria têm mostrado cada vez mais a importância desses vínculos para a saúde mental e a qualidade de vida, podendo atuar também na prevenção do adoecimento mental.

Além disso, ter uma velhice com autonomia também depende de outros fatores que vão além do individual, como calçadas adequadas, transporte acessível, segurança, escadas com corrimão, rampas e a distância até serviços de saúde, mercados e espaços de lazer. Ou seja, também depende de políticas públicas e de cuidados adequados.

Por isso, é importante lembrar que a medicina não é uma ciência exata e que realizar todas essas atividades não garante, com 100% de certeza, uma velhice com autonomia, mas adotar esses hábitos pode aumentar as chances de envelhecer com independência.

E quanto mais cedo se começa a ter hábitos saudáveis, melhor para a saúde como um todo. Por isso, é importante começar a se alimentar bem, praticar atividade física e realizar consultas médicas de rotina antes do possível aparecimento de doenças.

E, pensando em uma sociedade que está com uma expectativa de vida cada vez maior, é importante lembrar que não se trata apenas de prolongar a vida, mas de viver mais com dignidade, participação e liberdade de escolha, pois autonomia não significa nunca precisar de ninguém, e sim poder viver com oportunidades, recursos e apoio para viver bem.

*Esse texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.

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