Eleição não é hora de desmontar seus investimentos
Imagine o Seu Francisco, taxista em Messejana há mais de vinte anos. Corrida por corrida, ele juntou cerca de R$ 30 mil no Tesouro Selic. Agora, entre uma bandeirada e outra, escuta no rádio que "o mercado está nervoso com a eleição" e decide: vai tirar tudo e colocar na poupança até a poeira baixar.
A preocupação é compreensível, e muita gente aqui em Fortaleza deve estar pensando parecido. Mas, em finanças pessoais, decisão tomada no susto costuma sair cara. E poucos momentos produzem tanto susto quanto um ano eleitoral.
O primeiro turno acontece no domingo, 4 de outubro. Onde houver segundo turno, ele será no dia 25. Nessas semanas, é comum ver o dólar subir e descer com força, a bolsa oscilar e manchete alarmista em todo canto.
A pergunta que importa não é "quem vai ganhar". É outra: "o meu dinheiro está no lugar certo para o meu objetivo e para o meu prazo?"
No caso do Seu Francisco, a resposta seria sim. O Tesouro Selic é um título do governo federal que acompanha a taxa básica de juros, hoje em 13,75% ao ano, e pode ser vendido em qualquer dia útil. A garantia dele é o próprio Tesouro Nacional.
A poupança também é uma opção conservadora, mas funciona de outro jeito. Não paga Imposto de Renda, tem a proteção do FGC, o Fundo Garantidor de Créditos, e, com os juros altos como estão, rende menos que o Tesouro Selic.
São duas alternativas conservadoras, com regras e garantias diferentes. Trocar uma pela outra por medo da eleição não deixaria o dinheiro mais protegido. Só faria ele render menos.
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Três regras valem para qualquer resultado de urna
Primeira
Objetivo e prazo vêm antes da escolha do investimento. Dinheiro que você pode precisar a qualquer momento não deve ficar em aplicação arriscada, com ou sem eleição.
Para a reserva de emergência, o feijão com arroz resolve: Tesouro Selic ou CDB de liquidez diária que pague pelo menos 100% do CDI, em instituição coberta pelo FGC. Só lembre que essa proteção tem limite: até R$ 250 mil por CPF em cada instituição, além de um teto total por pessoa.
Segunda
Para quem investe pensando em cinco, dez, vinte anos, a oscilação de algumas semanas é detalhe. Quem vende no pânico geralmente vende barato e, quando a calma volta, compra de novo mais caro. Disciplina vale mais do que qualquer palpite sobre o resultado.
Terceira
Desconfie de quem aparece nesta época oferecendo "proteção contra a crise". Todo período de incerteza traz de carona os vendedores de milagre: dólar "garantido", ouro "que só sobe", criptomoeda "à prova de governo". Se a promessa é rendimento alto sem risco, o risco está justamente na promessa.
Nada disso quer dizer que a eleição não importa. Ela importa muito, e cada eleitor deve pensar com calma no seu voto. Mas o voto é uma decisão sobre o país. A carteira de investimentos é uma decisão sobre a sua vida.
Para o Seu Francisco, e para quem se reconheceu nele, o conselho é simples: vote com consciência no domingo e, na segunda-feira, continue investindo como sempre. O país muda de governo de quatro em quatro anos. O seu plano não precisa mudar junto.
*Este texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.