Uso terapêutico da maconha: regular é dar qualidade de vida para milhões de brasileiros

Escrito por Sheila Geriz e Suzyanne Araújo producaodiario@svm.com.br
04 de Setembro de 2021 - 05:00

O uso terapêutico da cannabis (maconha) é uma realidade no Brasil. São pessoas que têm recorrido a essa alternativa terapêutica para aliviar o sofrimento oriundo de enfermidades graves, crônicas e incapacitantes, para as quais a medicina convencional não oferece resposta satisfatória. Em vários países, sobretudo EUA, Canadá, Israel e europeus, é crescente o número de pesquisas que demonstram as propriedades terapêuticas da cannabis (maconha). 

Porém, o acesso no Brasil ainda é pouco acessível, sobretudo em razão do alto custo dos produtos, em sua maioria importados ou extraídos de matéria prima importada. O tratamento pode chegar a custar mais de 10 mil reais mensais. 

Essa realidade de sofrimento pode mudar com a aprovação do Projeto de Lei 399/2015, que tramita na Câmara Federal e visa regulamentar o cultivo de cannabis (maconha) com finalidade terapêutica e industrial, determinando que somente poderá ser feito por pessoa jurídica, mediante prévia autorização da Anvisa e obedecendo regras rígidas de controle e fiscalização, já previstas no texto. 

A aprovação significa acesso à terapêutica canábica para quem dela necessita, pois prevê cultivo e produção dos derivados por farmácias de manipulação, indústria farmacêutica, associações de pacientes e farmácias vivas do SUS, podendo baratear os custos e o preço final.  

A simples distribuição dos produtos importados pelo SUS, como propõem alguns, mostra-se inviável aos cofres públicos. Relatório da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS, neste ano, mostrou que, para atender apenas à demanda de crianças e adolescentes com epilepsia de difícil controle, o SUS precisaria gastar cerca de R$ 64.744.383 no 1º ano, chegando a R$ 70.081.403 no 5º ano após a incorporação no SUS.  

A Lei de Drogas em vigor (Lei 11.343/06) já permite o cultivo de cannabis com finalidade terapêutica e de pesquisa. O que o PL 399 propõe é a regulamentação e implementação dessa previsão legal já existente. 

Garantir o acesso aos tratamentos com cannabis (maconha) é reconhecer o direito à saúde e qualidade de vida dessas pessoas que são cidadãos e cidadãs brasileiras e como tais devem ser acolhidos e amparados pelo seu país. 

Sheila Geriz e Suzyanne Araújo 
Analista judiciária | Enfermeira especialista em Cannabis medicinal | Mães de paciente usuários da Cannabis e integrantes da Liga Canábica

Renato Magalhães de Melo

08 de Maio de 2026

Alexandre Rolim

06 de Maio de 2026

Odmar Feitosa Filho

05 de Maio de 2026

Weruska Marrocos Aguiar Dantas da Silveira Pinheiro

05 de Maio de 2026