Trânsito, um enorme risco

Nas estradas, notadamente nas BRs que cortam o território brasileiro em todas as direções, a situação é igualmente grave

Escrito por Gilson Barbosa producaodiario@svm.com.br
25 de Maio de 2026 - 06:00
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Legenda: Jornalista

De algum tempo para cá, tornou-se um eufemismo a expressão “perder o controle da direção”, muito comum nos telejornais, ao se referirem ao dramático cotidiano do trânsito em nossa cidade e por todo o país. Diariamente tomamos conhecimento de situações muito difíceis, ocorridas nas ruas de Fortaleza e de outras capitais brasileiras, bem como nas grandes rodovias que cortam a nação. Na nossa visão particular, muito dessa “perda de controle”, por parte dos motoristas, decorre mesmo é da imprudência, do descontrole, da irresponsabilidade que campeia sem limites pelas ruas, avenidas e rodovias do país.

Como todo eufemismo, “perder o controle” reúne palavras que visam suavizar, diminuir o impacto de outras, mais duras, como “beber ao volante”, “correr acima dos limites de velocidade determinados nas placas ao longo das ruas ou estradas”, “perder os limites da paciência e do autodomínio diante de situações imprevistas no trânsito” etc. Eis, enfim, as reais razões do panorama caótico que nos assusta em nossos deslocamentos habituais, dentro ou fora da cidade onde residimos.

Mesmo guiando seus veículos com todo o cuidado, conforme as melhores orientações dos cursos de direção defensiva, os motoristas responsáveis estão corriqueiramente sujeitos à possibilidade de terem seus automóveis abalroados pelos imprudentes que circulam livremente por aí.

Nas estradas, notadamente nas BRs que cortam o território brasileiro em todas as direções, a situação é igualmente grave. Neste caso, além dos que infringem os limites de velocidade estabelecidos nas placas de sinalização, ou que fazem ultrapassagens perigosas nas áreas de faixa contínua (que orientam exatamente os guiadores a NÃO fazê-las), ainda há um outro complicador. E este é o fluxo de grandes veículos, como carretas que transportam cargas de elevada tonelagem, bem como substâncias e/ou líquidos inflamáveis, de rápida combustão em caso de colisões ou tombamentos.

A responsabilidade dos condutores desses veículos é ainda maior, pois viajam centenas, milhares de quilômetros, o que requer, em razão do natural esgotamento físico, as necessárias paradas à beira das rodovias, ao final de suas jornadas diárias de trabalho. Estas são fixadas pela Lei no. 13.103, de 2 de março de 2015, conhecida também como Lei do Motorista. Infelizmente, apesar de toda a fiscalização realizada pela Polícia Rodoviária Federal para coibir os abusos, muitos insistem em desobedecer as determinações, valendo-se do consumo de comprimidos ou até de drogas para desafiar o sono natural em suas viagens.

Muitas famílias se encontram enlutadas em consequência de tantos acidentes, que semanalmente transformam o trânsito brasileiro num enorme risco para a sociedade. Somente uma radical tomada de consciência por parte dos guiadores e uma fiscalização ainda mais intensa poderão reverter este cenário.

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