Trabalho e saúde mental: entre o sustento e o sentido

Escrito por Antonio Netto producaodiario@svm.com.br
02 de Maio de 2026 - 06:00
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Legenda: Antonio Netto é professor

A geração atual está mudando a forma como percebe o trabalho. Os dados atuais mostram que a juventude brasileira está mudando a percepção sobre o trabalho. Para a Geração Z, saúde mental é a 2ª maior preocupação social, ficando atrás apenas do custo de vida. Apenas 41% dos jovens consideram o trabalho o principal indicador de sucesso, atrás de saúde (51%) e relações pessoais (45%). Nesse  contexto, cresce a busca por flexibilidade, propósito e qualidade de vida, não apenas salário. Antes, a estabilidade e carreira longa eram prioridades. Hoje, sentido, equilíbrio e autonomia pesam mais.

Percebe-se com esse movimento uma tendência à alta rotatividade e menor lealdade ao emprego, de modo que 61% dos jovens considerariam mudar de emprego por melhores condições de saúde mental. Cerca de 73% pensam em trocar de trabalho, com o burnout como principal causa. Isso por que, a geração anterior associava a permanência longa na mesma empresa como um sinal de sucesso, o que não combina com o perfil dos jovens da atualidade que entendem que permanecer em ambientes tóxicos é visto como erro, não virtude.

O trabalho é, sem dúvida, um dos pilares da vida em sociedade. Ele garante sustento, dignidade e pertencimento. No entanto, quando marcado por sobrecarga, pressão excessiva e ausência de reconhecimento, pode se transformar em fonte de adoecimento. Ansiedade, depressão e burnout já fazem parte da realidade de muitos trabalhadores, afetando não apenas o desempenho profissional, mas também a qualidade de vida, as relações pessoais e a própria identidade.

O mês de maio faz alusão ao trabalhador e, convida à reflexão sobre muito mais do que direitos históricos e conquistas trabalhistas. Em tempos de aceleração constante, metas exaustivas e hiperconectividade, torna-se urgente discutir a relação entre trabalho e saúde mental, notadamente, em contextos como o da atualidade permeado pelo ambiente digital, em que produtividade muitas vezes se sobrepõe ao bem-estar. O trabalho pode ser um espaço de realização, aprendizado e construção de sentido. Quando equilibrado, ele fortalece a autoestima, amplia horizontes e contribui para uma vida mais plena.

Antonio Netto é professor

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