“Se o mundo fosse um anel de ouro, Ormuz seria a sua joia”

Escrito por Blesser Moreno producaodiario@svm.com.br
27 de Maio de 2026 - 06:00
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Legenda: Sociólogo

A pequena ilha de Ormuz, que batiza o estreito homônimo, é o epicentro de batalhas há séculos. Ali, os portugueses ditaram as regras e cobraram "pedágios" por cem anos, até serem sucedidos pelos ingleses em aliança com os interesses persas. É fascinante — e irônico — que uma terra de geografia marciana, solo avermelhado e clima inóspito tenha se tornado a joia mais cobiçada do comércio internacional.

Quem controla essa importante região, controle grande parte do fluxo internacional de petróleo e diversos outros produtos. Costumo dizer, como regra, que o interesse coletivo deveria sobrepor-se ao individual, e que deveria balizar as conversas entre os países que compartilham rotas e trocas comerciais, evitando assim guerras e crises inflacionárias.

Deveria, mas é possível que as nações envolvidas não tenham esse entendimento ou não entrem em concordância nesse sentido. O fato é que, mais uma vez, a humanidade se vê prisioneira das próprias fronteiras que o homem traçou no mapa. 

O homem foi capaz de passar um lápis em todo o planeta, separando pedaços de terra em países e colônias. Mas esse mesmo homem não foi capaz de prever que a logística portuária precisa passar por corredores marítimos que levam o didático nome de estreito.

É fundamental compreender que não se trata unicamente de petróleo nessa pauta. A exemplo de outras rotas marítimas, diversos outros bens e insumos precisam atravessar essa região.

Por ali passam alimentos, insumos e a estabilidade de nações inteiras, incluindo a China. Pequim não ganha nada assistindo a esse confronto "de camarote". Sendo um dos maiores importadores de energia do mundo, a China não aposta no caos para vencer a corrida econômica, ela corre, para criar rotas alternativas que a libertem dessa exposição.

Antes, no conflito entre Rússia e Ucrânia, houve o banho de sangue ao redor de Mariupol. Agora, no enfrentamento entre estadunidenses e iranianos, Ormuz atrai os olhos do mundo.

Que tenhamos um bom entendimento entre as nações e que assim consigamos evitar um novo banho de sangue e que Ormuz continue sendo uma joia para o mundo.

Precisamos entender, de uma vez por todas, que o brilho de uma joia depende da luz que a reflete, não do sangue que a mancha. 

Se o Estreito de Ormuz for fechado pelo egoísmo das fronteiras, o anel de ouro da economia global não apenas perderá seu valor, ele se tornará uma algema. 

Que o entendimento entre as nações prevaleça antes que a joia do mundo se perca na escuridão de um novo conflito. Pois, no fim das contas, a logística pode até mover o mundo, mas é a diplomacia que impede que ele pare.

Blesser Moreno é sociólogo

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