O impasse da regulamentação das ZEIS de Fortaleza

Escrito por Cristiane Vieira dos Santos producaodiario@svm.com.br
11 de Maio de 2024 - 06:00
capa da noticia
Legenda: Cristiane Vieira dos Santos é pesquisadora do Observatório das Metrópoles

As Zonas Especiais de Interesse Social (Zeis) surgiram na década 1980, nas cidades de Recife (1983) e Belo Horizonte (1985) como experiências exitosas de combate à marginalização. Posteriormente, o Estatuto da Cidade instituiu as Zeis como instrumento jurídico-político. Em Fortaleza, na gestão de Luizianne Lins, esse conjunto de regras e procedimentos foi observado no Plano Diretor Participativo-2009.

As Zeis são partes de terras, públicas ou privadas, com critérios especiais para edificação, parcelamento, uso e ocupação do solo, sobrepondo-se, portanto, ao zoneamento da cidade.

Em 2013, o prefeito Roberto Cláudio, criou o Comitê Técnico Intersetorial e Comunitário das Zeis, composto por membros do poder público, organizações da sociedade civil, Universidades e população das Zeis tipo 1, com o objetivo de apresentar um diagnóstico situacional dos territórios demarcados no PDP, ou seja, nas 45 Zeis 1 (de ocupação), 56 Zeis 2 (loteamento irregulares) e 34 Zeis 3 (de vazio).

O relatório do Comitê apontou nove Zeis prioritárias tipo 1 Bom Jardim, Lagamar, Moura Brasil, Mucuripe, Pici, Pirambu, Poço da Draga, Praia do Futuro e Serviluz, e posteriormente, a Vila Vicentina, no Dionísio Torres. A participação dos movimentos sociais e moradores desses territórios foi crucial para a tomada de decisão do poder público.

Esse processo teve como consequência a contratação da UFC, Uece e Unifor para elaboração do Plano Integrado de Regularização Fundiária – Pirf, excetuando o Dionísio Torres realizado pelo Iplanfor. Cada Pirf resultou nos planos: urbanístico; regularização fundiária; geração de trabalho e renda e participação comunitária e desenvolvimento social, com as especificidades e potencialidades de cada comunidade.

Esses planos foram aprovados pelo Conselho Gestor de cada Zeis, entregues ao Iplanfor e Gabinete do Prefeito e, por fim, enviados à Câmara Municipal no final de 2020, para apreciação pelos vereadores. Até o momento, somente seis projetos foram analisados em primeira instância, restando ainda um longo caminho a ser percorrido para que, de fato e de direito, os territórios Zeis tenham tratamento especial pelo poder público e pelo mercado.

Cristiane Vieira dos Santos é pesquisadora do Observatório das Metrópoles

 

Alexandre Rolim

06 de Maio de 2026

Odmar Feitosa Filho

05 de Maio de 2026

Weruska Marrocos Aguiar Dantas da Silveira Pinheiro

05 de Maio de 2026