LGPD: o consumidor está mais protegido?

Vazamentos de dados continuam acontecendo em larga escala, golpes digitais aumentam diariamente e muitos consumidores sequer sabem que tiveram informações expostas

Escrito por Alexandre Rolim producaodiario@svm.com.br
04 de Junho de 2026 - 06:00
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Legenda: Alexandre Rolim é advogado

A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais colocou a privacidade no centro das relações de consumo e transformou a forma como empresas lidam com informações pessoais. Em um cenário cada vez mais digital, no qual aplicativos, redes sociais, bancos e plataformas virtuais coletam dados constantemente, a LGPD surgiu com a promessa de garantir mais segurança, transparência e controle ao consumidor. Mas, na prática, surge uma dúvida importante: o consumidor realmente está mais protegido?

A resposta não é simples. A legislação trouxe avanços relevantes ao estabelecer direitos claros aos titulares de dados e deveres objetivos às empresas. Hoje, o consumidor pode solicitar acesso às informações armazenadas, exigir correções, pedir exclusão de dados desnecessários e questionar compartilhamentos indevidos. Além disso, as empresas passaram a ter obrigação legal de adotar medidas de segurança para evitar vazamentos e acessos não autorizados.

Apesar disso, a realidade ainda preocupa. Vazamentos de dados continuam acontecendo em larga escala, golpes digitais aumentam diariamente e muitos consumidores sequer sabem que tiveram informações expostas. Em diversos casos, empresas continuam coletando dados excessivos, utilizando autorizações genéricas e dificultando o verdadeiro controle do usuário sobre suas informações.

Outro problema é a falsa sensação de proteção absoluta. A existência da lei não impede automaticamente práticas abusivas, especialmente diante da velocidade da tecnologia e do crescimento da inteligência artificial, do reconhecimento facial e da publicidade baseada em comportamento digital.

Ainda assim, a LGPD representa um avanço indispensável. A proteção de dados deixou de ser apenas questão tecnológica e passou a integrar a própria relação de confiança entre empresa e consumidor. Em um mercado movido por informações, proteger dados pessoais não é mais diferencial. É obrigação. Empresas que ignorarem essa realidade estarão cada vez mais expostas a riscos jurídicos, financeiros e reputacionais.

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