IA no RH não é ameaça, é suporte

Escrito por Kássia Sales producaodiario@svm.com.br
17 de Julho de 2025 - 06:00
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Legenda: Kássia Sales é presidente da ABRH-CE

A inteligência artificial (IA) chegou ao setor de Recursos Humanos (RH) não como substituta do humano, mas como uma aliada. É o que mostram os números e, mais ainda, a prática de quem está na linha de frente da gestão de pessoas no Brasil. Grande parte do mercado já entendeu que automatizar é mais que economizar, é direcionar energia para onde ela faz diferença.

Segundo estudo da Careerbuilder, 93% das empresas que adotaram automação relataram ganhos expressivos de tempo e 67% registraram redução de custos operacionais. Em um cenário em que o tempo virou recurso escasso e caro, qualquer ferramenta que devolve horas para o RH escutar, desenvolver e acompanhar, não é luxo, é necessidade.

Algoritmos preditivos, chatbots, automação de folha de pagamento, controle de benefícios e people analytics, podem parecer jargão técnico, mas, no fundo, significa liberar os profissionais de RH da carga operacional para que possam agir com visão e foco estratégico. Acredito que a tecnologia não substitui o humano, pelo contrário, ela empodera o gestor de pessoas a focar em desenvolvimento e experiência. 

Em um mercado competitivo, em que atrair e reter talentos exige mais do que benefícios padrão, usar inteligência artificial para prever rotatividade, detectar risco de burnout e identificar lacunas de competências é agir antes da crise. Assistentes virtuais já respondem dúvidas internas sobre vagas, benefícios e políticas, tirando da equipe de RH um volume enorme de pequenas demandas. 

Isso, por si só, já impacta a satisfação dos colaboradores. Claro, não se trata de mágica. Há desafios. A integração de sistemas e a capacitação dos profissionais de recursos humanos ainda são gargalos sérios. Muitas empresas investem nas ferramentas, mas esquecem de treinar seus times para extrair valor delas com visão crítica e sensibilidade humana.

É por isso que o futuro do gestor de pessoas não é automatizado, é híbrido. Portanto, a tecnologia cuida do operacional e o RH se volta ao que mais importa que são as pessoas. Mas para isso acontecer, será preciso mais que orçamento, é preciso cultura, formação e ética. A inteligência artificial no RH é suporte. Agora, cabe às empresas decidir se vão usá-la apenas para cortar custos ou para elevar o padrão de gestão de pessoas.

Kássia Sales é presidente da ABRH-CE

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