Energia que transforma

Escrito por Teodora Ximenes producaodiario@svm.com.br
30 de Outubro de 2021 - 06:00

O Brasil vive uma crise energética caótica, realidade que não necessitaria acontecer se houvesse bons olhos para o potencial de energias renováveis do nosso país, rico em luz solar, água e vento, condições que se estendem durante o ano inteiro no Ceará e em grande parte do Nordeste brasileiro.

Além do interesse socioambiental, a alta nos preços tem feito moradores, principalmente da zona rural, buscarem meios próprios para produzir energia elétrica. O Sindicato das Indústrias de Energia e de Serviços do Setor Elétrico do Estado do Ceará (Sindienergia/CE) aponta que o número de estações de geração distribuída (energia solar) aumentou 116% entre agosto de 2020 e 2021.

O protagonismo do Ceará se expressa por meio de números nacionalmente relevantes, como é o caso da geração eólica, possuindo 1,2 GW (gigawatts) de capacidade, o correspondente a 16,1% do Brasil. Essa categoria é equivalente a 41,5% da energia consumida no Estado.

Mesmo com uma produção considerável, a quantidade não é nem de perto correspondente à capacidade do Estado. De acordo com a Fiec, o Ceará tem potencial para gerar 854 GW (gigawatts) de energia eólica e solar. Dessa forma, o montante seria cinco vezes maior do que o Brasil inteiro produz.

Os benefícios de investir em energias limpas são múltiplos. Geração de emprego, crescimento economicamente sustentável, independência de monopólios energéticos e manutenção do meio ambiente são alguns exemplos.

Apesar dos diversos bônus, a burocracia ainda é um grande ônus, gargalo encontrado pelos empresários que buscam investir no ramo. Muito progresso já foi galgado neste sentido, mas ainda há um longo caminho a ser percorrido, principalmente na celeridade e na assertividade dos estudos de impacto ambiental, relatórios que podem trazer consequências drásticas a longo prazo. É uma oportunidade para que as universidades, empresas e órgãos públicos deem as mãos.

Para que o Estado possa progredir nesse sentido, é necessário que os governantes tenham a boa-fé de pensar fora da caixa e diversificar seus incentivos, atrelando o que a natureza provém ao Ceará com a mente empreendedora dos que ousam mudar a realidade.

Teodora Ximenes é presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Ceará (Senge-CE)

*Esse texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.

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