Desconstruir para libertar

Escrito por Víctor Costa producaodiario@svm.com.br
04 de Abril de 2026 - 06:00
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Legenda: Víctor Costa é psicólogo

A violência contra a mulher não é um “problema feminino”, mas uma patologia social que exige intervenção de quem historicamente ocupa o papel de agressor: o homem. Como psicólogo, observo que o enfrentamento ao feminicídio não avançará apenas com o fortalecimento das redes de proteção às vítimas; é preciso também desconstruir a masculinidade tóxica e promover o engajamento ativo dos homens na conscientização do comportamento com seus pares e no apoio a vítimas em situação delicadas.

De acordo com levantamento divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou, em 2025, o maior número de feminicídios da última década. Foram registrados 1.568 assassinatos de mulheres por razões de gênero, crescimento de 4,7% em relação a 2024, quando houve 1.492 casos. Um dado alarmante, que ainda se soma a outras formas de violência, como a física, psicológica e patrimonial.

Muitos homens acreditam que, por não serem agressores físicos, estão livres de responsabilidades. Engano. A mobilização é necessária para romper o "pacto de silêncio" entre amigos e familiares. Quando um homem se cala diante de uma piada misógina, de um comportamento controlador de um colega ou de um "stalking" velado, ele está, por omissão, validando a estrutura que sustenta o feminicídio.

Alguns comportamentos violentos têm origem em padrões culturais que naturalizam o controle, o ciúme excessivo e a falsa ideia de posse sobre o corpo e a vida da mulher. Questionar esses padrões é essencial para romper ciclos violentos que se reproduzem na comunidade.

A participação masculina nesse processo passa por diferentes atitudes: escutar, reetir sobre privilégios, repudiar atitudes machistas e intervir quando presenciar situações de desrespeito. A mudança começa nas relações cotidianas, nas conversas entre amigos, na forma como os meninos são educados e na responsabilidade de reconhecer erros e transformá-los em aprendizado.

A luta contra o feminicídio não é apenas uma pauta de justiça para as mulheres; é uma questão de humanidade e de construção de uma sociedade mais saudável para todos. A transformação começa quando homens deixam de ser apenas parte do problema e assumem, de forma consciente, o papel de parte da solução. 

Víctor Costa é psicólogo

 

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