Abril Verde e epidemia

Trata-se de uma verdadeira epidemia silenciosa que afeta muitas famílias, vitima trabalhadores e eleva os gastos de empresas (com processos indenizatórios) e do governo (com pagamento de benefícios previdenciários)

Escrito por Valdélio Muniz producaodiario@svm.com.br
06 de Abril de 2026 - 06:00
capa da noticia
Legenda: Jornalista

Há 57 anos, uma explosão provocou a morte de 78 trabalhadores numa mina na Virgínia (EUA). A Organização Internacional do Trabalho (OIT), 34 anos depois (2003), instituiu a data (28/4) como Dia Mundial em Memória às Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho, o que, no âmbito do Brasil, foi oficializado como Dia Nacional, em 2005, pela Lei nº 11.121. Desde então, a data é lembrada como parte do chamado Abril Verde, movimento que adota esta cor por ser a que se vincula à saúde e segurança no trabalho.

O movimento tem o claro e louvável propósito de chamar a atenção de toda a sociedade para a necessidade urgente de que empresas privadas e órgãos públicos estabeleçam ambiente de trabalho seguro e saudável, reduzindo o índice de acidentes e de doenças ocupacionais no País. E motivos para preocupação, infelizmente, não faltam.

Trata-se de uma verdadeira epidemia silenciosa que afeta muitas famílias, vitima trabalhadores e eleva os gastos de empresas (com processos indenizatórios) e do governo (com pagamento de benefícios previdenciários). Por tudo isso, torna-se difícil (para não dizer insano) entender como a prevenção ainda não se tornou política relevante no âmbito de algumas organizações. A ânsia desenfreada por lucros (ou a vaidade política) não pode justificar o custo que se paga em vidas ceifadas ou incapacitadas para o trabalho (temporária ou definitivamente).

Dados do Anuário Estatístico de Acidentes de Trabalho do Ministério da Previdência Social (MPS) apontam que o País registrou 654.908 acidentes de trabalho em 2022, saltando para 754.382, em 2023, e alcançando 834.048 em 2024. Apenas na região nordeste, em 2024, foram 92.573 acidentes de trabalho.

Do total de acidentes em 2024, 24.864 atingiram trabalhadores com até 19 anos de idade; 118.786 acidentes envolveram jovens entre 20 e 24 anos e 129.169 ocorrências afetaram pessoas entre 25 e 29 anos, ou seja, 32,7% dos acidentes tiveram vítimas com menos de 30 anos. Dos acidentes registrados em 2024, 64% envolveram homens (533.900) e 3.394 resultaram em óbitos.

A gravidade do fato exige que o problema não seja visto apenas como meros números (banais, corriqueiros ou “inevitáveis”). As estatísticas crescentes evidenciam um indicativo de que o enfrentamento requer maior compromisso e que o investimento em prevenção não pode parecer mais pesado que o custo social de uma inação.

Alexandre Rolim

06 de Maio de 2026

Odmar Feitosa Filho

05 de Maio de 2026

Weruska Marrocos Aguiar Dantas da Silveira Pinheiro

05 de Maio de 2026