29 anos de presença onde a Defensoria mais precisa chegar
Há perguntas que atravessam o tempo sem perder a urgência. Para quem o Direito serve?
A Defensoria Pública do Ceará chega aos 29 anos não com uma resposta pronta, mas com um método. Responder na prática. Não nos códigos, mas na vida concreta de quem precisa atravessar barreiras para ser ouvido.
Institucionalizada em 28 de abril de 1997, a instituição nasceu pequena. Pouco mais de cem pessoas. Hoje são 377 defensoras e defensores públicos e mais de 800 profissionais no corpo técnico. O crescimento é inegável, mas ele expõe, com igual força, o tamanho da lacuna que ainda precisamos preencher e onde ainda precisamos chegar.
Porque o acesso à justiça nunca foi distribuído de forma igual. E isso não é um acaso. É resultado de escolhas históricas.
Foi essa realidade que nos tirou dos gabinetes. Interiorizamos a atuação e sustentamos essa expansão de forma contínua. Chegamos às periferias, aos quilombos, aos territórios indígenas.
Também criamos caminhos para ouvir. Nosso orçamento participativo, que neste ano completa dez anos, permanece como uma experiência única no sistema de justiça. Assim como a nossa ouvidoria externa, que garante a escuta direta dos movimentos sociais dentro da própria instituição.
Em 2025, superamos a marca de 2 milhões de atuações. Esse número nos orgulha, mas também revela o tamanho da demanda, o peso da desigualdade e a dimensão da nossa responsabilidade. Não é um troféu a ser exibido: é espelho que nos mostra o quanto ainda há por fazer.
Com 29 anos, a Defensoria do Ceará ainda é jovem. Mas já aprendeu que transformação social não se impõe. Ela se constrói na escuta, na presença e, sobretudo, na capacidade de reconhecer onde ainda, o Estado, enquanto conjunto, ainda falha.
Seguimos com novos projetos, ampliando a presença e reafirmando compromissos. O desafio que se impõe não é apenas crescer. É não se afastar. É permanecer onde mais importa. Porque, no fim, a pergunta continua a exigir resposta: para quem o Direito serve?
E essa resposta só se sustenta se a Defensoria continuar chegando na vida concreta das pessoas.