Em expansão no mercado internacional, o quartzito respondeu por cerca de 74% das exportações cearenses do grupo de produtos minerais que inclui rochas, sal, gesso, cal e cimento entre janeiro e agosto de 2026.
As vendas ao exterior somaram US$ 56,9 milhões, alta de 22,3% em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados do Comex Stat, plataforma do Governo Federal estatísticas de comércio exterior do Brasil.
Nesse cenário de expansão, o quartzito passou a ter uma condição tarifária mais favorável nos Estados Unidos, o que pode ampliar sua competitividade em relação a outras rochas ornamentais.
Em julho, o governo norte-americano estabeleceu duas sobretaxas a produtos importados do Brasil. Uma delas, de 25%, está relacionada a uma investigação dos Estados Unidos sobre práticas comerciais brasileiras consideradas “injustas”.
A outra, de 12,5%, também aplicada a outros 59 países, está relacionada a uma investigação sobre mecanismos de proibição à importação de produtos fabricados com trabalho forçado.
O quartzito, porém, ficou isento da sobretaxa de 25%, diferentemente de rochas como mármores e granitos. Com isso, permanece sujeito à tarifa adicional de 12,5%, enquanto as demais rochas atingidas pelas duas medidas chegam a 37,5%.
A diferença tarifária cria uma situação mais favorável para o principal produto do setor cearense de rochas ornamentais, que já vinha em trajetória de crescimento.
O presidente do Sindicato das Indústrias de Mármores e Granitos no Estado do Ceará (Simagran-CE), Carlos Rubens Alencar, explica que a expansão do setor é resultado de um processo “lento” que começou há mais de uma década.
“E o grande fator determinante disso é o crescimento da utilização de quartzitos no mercado mundial. É uma rocha em que o Ceará está se destacando como a principal fronteira do mundo”, afirma. Porém, o representante afirma ainda não ser possível perceber aumento de pedidos ou negociações provocado pelas tarifas.
A gerente do Centro Internacional de Negócios da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (CIN/Fiec), tKarina Frota, acrescenta a importância dos resultados do Estado nas exportações de rochas ornamentais.
“São mais de 70 empresas que atuam presentemente na pesquisa e extração de rochas ornamentais no Estado — número cinco vezes maior do que o registrado há 10 anos, o que evidencia a força e o amadurecimento do segmento na economia cearense”, complementa.
Esse crescimento levou o Ceará à terceira posição entre os estados brasileiros que mais exportam esses produtos, atrás apenas do Espírito Santo e de Minas Gerais.
Essa situação do quartzito, no entanto, não livra todo o setor cearense dos efeitos das novas medidas dos Estados Unidos. Isso porque o Ceará também exporta granitos e outras rochas atingidas pela sobretaxa maior.
Segundo Rubens, os Estados Unidos respondem por cerca de 20% das exportações cearenses de rochas ornamentais, equivalentes a aproximadamente US$ 20 milhões a US$ 25 milhões ao ano.
China se aproxima da Itália nas compras de quartzito cearense
O crescimento das exportações de quartzito cearense tem sido puxado principalmente pela China. Entre janeiro e agosto deste ano, as vendas para o país somaram US$ 25,5 milhões, mais que o dobro dos US$ 11,5 milhões registrados no mesmo período de 2025, segundo dados do Comex Stat.
Historicamente, a Itália é o principal destino do produto cearense. Entre janeiro e agosto deste ano, as vendas ao país somaram US$ 29,3 milhões, queda de 14,1% em relação ao mesmo período de 2025.
Para Karina, a valorização global dos materiais naturais e o reconhecimento da qualidade das rochas cearenses devem sustentar o crescimento das exportações.
“O desempenho apresenta o reconhecimento internacional da qualidade das rochas cearenses. Os quartzitos produzidos aqui destacam-se pela excelência, durabilidade e capacidade de inovação em design”, avalia.
Juntas, Itália e China concentraram cerca de 96% dos US$ 56,9 milhões exportados pelo Ceará em quartzito em blocos ou placas, antes das etapas de acabamento. Nesse recorte, os Estados Unidos responderam por apenas 0,5% das vendas, com US$ 287,3 mil.
Além dos valores, o perfil dos produtos vendidos para esses mercados também é diferente. Segundo Carlos Rubens Alencar, mais de 60% das exportações cearenses de rochas ornamentais são realizadas na forma de blocos, destinados sobretudo à Itália e à China. Já os Estados Unidos compram principalmente chapas polidas, produtos que passam por beneficiamento antes da exportação.
Apesar do potencial de expansão das vendas externas, parte das rochas extraídas no Ceará ainda deixa o Estado sem passar pelo beneficiamento local. Para o presidente do Simagran-CE, o gargalo não está na capacidade de extração das rochas, mas na quantidade de indústrias instaladas no Estado.
“Eu diria que o material que vai para o Espírito Santo, que é industrializado lá e exportado, gera mais de US$ 350 milhões por ano. Se isso fosse industrializado aqui no Ceará, teria uma repercussão muito grande na economia cearense”, avalia.